<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905</id><updated>2012-01-27T20:39:41.990-02:00</updated><title type='text'>Állex Leilla</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>160</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-1324981500659277232</id><published>2012-01-27T20:30:00.002-02:00</published><updated>2012-01-27T20:39:42.016-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-KwYnupA-kUo/TyMmSVJZLVI/AAAAAAAAAYk/I0UXYRoNpqI/s1600/theo.png"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-KwYnupA-kUo/TyMmSVJZLVI/AAAAAAAAAYk/I0UXYRoNpqI/s320/theo.png" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5702443649537224018" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Meu último cineasta vivo, Theo Angelopoulos, responsável pelos poemas em película &lt;em&gt;A eternidade e um dia&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Um olhar a cada dia&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Paisagem na neblina&lt;/em&gt;, faleceu dia 24/01, vítima de uma moto desgovernada. Não era um cineasta qualquer. Sentirei muita falta dos ângulos com que ele filmava a delicadeza e a melancolia do mundo. Tenho todos os motivos para não mais ir ao cinema.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-1324981500659277232?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/1324981500659277232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2012/01/meu-ultimo-cineasta-vivo-theo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/1324981500659277232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/1324981500659277232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2012/01/meu-ultimo-cineasta-vivo-theo.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-KwYnupA-kUo/TyMmSVJZLVI/AAAAAAAAAYk/I0UXYRoNpqI/s72-c/theo.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-394929510794439276</id><published>2012-01-21T13:27:00.003-02:00</published><updated>2012-01-21T13:38:17.960-02:00</updated><title type='text'>De mar &amp; amor, in: Margens das Letras, coletânea de contos de alunos de Letras, 1998.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-DAseT3CqlL0/TxrZyoiTK5I/AAAAAAAAAYY/aDhQGUn1eIk/s1600/primavera.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 228px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-DAseT3CqlL0/TxrZyoiTK5I/AAAAAAAAAYY/aDhQGUn1eIk/s320/primavera.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5700107742288751506" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;[...]Parou na praia e escutou as ondas chamando-o como numa cantiga. Despiu-se e foi.&lt;br /&gt; Entregou-se às avermelhações de cores que se metamorfoseavam dentro das pes-tanas cerradas pelo mergulho. Quando abriu os olhos, deixou-se ficar na claridade das estrelas e da lua, que penetrava o escuro das ondas.&lt;br /&gt; Mesmo depois, quando já estava deitado na areia, de olhos fechados, sentindo o friozinho que dá no corpo molhado, tentando o impossível, que era seguir fluindo, sem pensar em nada, a claridade do céu ainda golpeava, quer com raios de luzes estrelares, quer com raios da lua, que naquela noite se fazia crescente e nítida. &lt;br /&gt; Assim, tudo parecia mais perigoso. Como que ameaçando, caso ele voltasse a querer se enfiar inteiro nas suas ondas.&lt;br /&gt; Ah, aquelas ondas se multiplicando num horizonte de penumbra. Elas ocultavam mundos escorregadios, pedidos de socorro, urros de alegria, e fantasmas também. Al-guns fantasmas penetravam junto com a claridade ou eram formados por ela. Desenho de bocas e corpos nus de meninos, de cera, de porcelana, de grafite, de brinquedo, mas, de repente, nesse exato minuto, ele abre os olhos e percebe: de carne viva também.&lt;br /&gt; Ele teve medo e desejo de retornar ao mar. De perder os sentidos dentro dele, de nunca mais pisar na areia. Pois acima de tudo estava triste, tão triste se sentia que dava trabalho se movimentar. O mar, ele escutou intranquilo, o mar o chamava de volta, pra sempre, venha.&lt;br /&gt; Não, ele disse, não quero morrer. Precisava se movimentar dentro das sensações esquisitas: vontade de vida e vontade de morte entrelaçando-se. E a vontade de amar também, a vontade louca de amar se estendendo, feito um polvo, cada braço dela cheio de dentes ramificando-se pelo corpo. Assim como sentia atração e repulsa pelo chamado do mar, tinha medo e desejo por aquele cara, pela loucura de gostar demais e não poder se desprender da imagem do outro, do cheiro do outro, do que viveram há tão pouco tempo juntos.&lt;br /&gt; Foi regressando pra casa devagar. Olhos cansados, corpo úmido. O sal, diria aquela escritora, lavando em segredo a alma maltratada. A energia do sal marinho cum-prindo sua função na pele. Era preciso dar tempo pra energia lhe adentrar inteiro e renová-lo outra vez.&lt;br /&gt; Mas, quando no quarto, tentou dormir em vão. A voz do outro vinha soberana: "há rios de águas tragicamente revoltas e fundos de intermináveis abismos. Rios que escondem a morte em cada trecho de seu enganoso percurso, bem mais assustadores que o mar". &lt;br /&gt; Não importa, ele disse, vá embora, não quero mais saber de você.&lt;br /&gt; A voz do outro como que levitava por dentro, carregado-o por ondas quentes que ora subiam ora desciam o corpo cansado no colchão. Novelos de funduras e fluências. Ia assim, solto num mar diferente, corpo esquecido, banhado de luz mínima, as primeiras luzes da manhã. As mãos, estendidas na cama, não estavam na cama, remavam, tocavam a água como se capazes de vencer qualquer correnteza. E nesse ir quase que inerte sobre a correnteza absorvia em todo o seu ser ventos e ares que por ali passavam, amadurecendo a noite, transfigurando o tempo. Sangue dilatado, meio sorriso nos lábios, e oxigênio entrando nas narinas. Vou esquecê-lo, pensava sem forças, vou esquecê-lo pra sempre. [...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-394929510794439276?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/394929510794439276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2012/01/de-mar-amor-coletanea-de-contos-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/394929510794439276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/394929510794439276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2012/01/de-mar-amor-coletanea-de-contos-de.html' title='De mar &amp; amor, in: Margens das Letras, coletânea de contos de alunos de Letras, 1998.'/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-DAseT3CqlL0/TxrZyoiTK5I/AAAAAAAAAYY/aDhQGUn1eIk/s72-c/primavera.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-8974713902163591359</id><published>2012-01-03T10:11:00.002-02:00</published><updated>2012-01-03T10:21:18.861-02:00</updated><title type='text'>O sol que a chuva apagou, Ed. P55, 2009 (trecho)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Zs3UWHE-SNY/TwLxCJXhe9I/AAAAAAAAAYM/5qQPRAz4f3A/s1600/24-11-09_181228.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-Zs3UWHE-SNY/TwLxCJXhe9I/AAAAAAAAAYM/5qQPRAz4f3A/s320/24-11-09_181228.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5693377898126343122" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;Acendo uma vela azul, um incenso de Noz Moscada. O Matheus me mandou cinco caixas dele. Cada uma tem 10 varetinhas. Você gosta deste cheiro, Ian? Posso acender um a um, dia-a-dia, se você me responder sure, honey, naquele seu jeito rápido de falar mal abrindo a boca, yes, Thiago, você diria como quem está de saída e volta correndo porque esqueceu algo importante, motor do carro ligado, itinerário previamente decidido, chaves, carteira, sobretudo, você diria, it´s fine, dear, jogando um beijo ou simplesmente confirmando: I do. É bom este incenso? Estou meio resfriado pra saber. Ligo o violão, vou lembrando e tocando, primeiro, aquela tua preferida da Chrissie Hynde; segundo, Giz, da Legião; terceiro, Such a woman, do Neil Young, mudando woman pra man, como você fazia, no chuveiro; quarto, The one I love, do R.E.M. Abro uma garrafa de vinho: se houver mesmo aquela história de vida eterna, esteja por aqui e brinde comigo, meu bem. Sim. Meu querido. Duas taças. Essa é pra quem eu mais amei no mundo. Essa é pra alguém que ficou pra trás. Sem você eu não conseguiria chegar até aqui. Jamais. Há milênios teria desistido. Vem de ti a força que me faz pisar forte no chão, seguir em frente, não fraquejar, não cair. Yes, I know. Não, não desapareça. Quando começar a chover de novo, quero estar de mãos dadas contigo. Fecho os olhos, tento de todas as formas ver seu rosto, sentir seu corpo, próximo, colado a mim. Mas não, não é o Ian, é a Maria Alice, no início da quadra, irritada, reclamando que alguém esbagaçou a caixa com pedaços de giz coloridos que ela roubou da escola pra jogarmos amarelinha. Desenhamos na calçada da quadra inteira. Você gosta de mim, Thiago?, ela perguntava, os olhos escuros, brilhantes, você quer ser meu amigo? [...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-8974713902163591359?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/8974713902163591359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2012/01/o-sol-que-chuva-apagou-ed-p55-2009.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/8974713902163591359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/8974713902163591359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2012/01/o-sol-que-chuva-apagou-ed-p55-2009.html' title='O sol que a chuva apagou, Ed. P55, 2009 (trecho)'/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Zs3UWHE-SNY/TwLxCJXhe9I/AAAAAAAAAYM/5qQPRAz4f3A/s72-c/24-11-09_181228.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-2014101815394874111</id><published>2012-01-01T19:47:00.002-02:00</published><updated>2012-01-01T19:54:30.959-02:00</updated><title type='text'>Henrique (romance), Ed. Domínio Públicco, 2001 (trecho)</title><content type='html'>[...]&lt;br /&gt;Passado o tempo das luzes, descobri que, esbagaçado no banco de um carro, eu não podia ver o mar claro, calmo e ululante. Festim de azul e verde e até amarelo-barro, um tanto gritante, é verdade, pois surge quando o sol raia depois de horas de chuva, e muita da sujeira da cidade que cobre a areia das praias contribui pra formação dessa cor estranha. A que mais silêncio me causava. Podia tentar até a exaustão que não conseguiria nunca removê-la de mim. São Conrado, Pepino, Joá. A mão de meu pai me levava — no princípio era sempre ela — e eu não aceitava retornar pra casa antes do sol se pôr.&lt;br /&gt; Baratas fazem do meu resto de carne um farto banquete. Baratas? Vermes? Ou impressão? Não sei. Vermes que conscientemente odiei me devoram. Não falo dos ratos porque não os vejo. Mas devem existir porque tudo isso faz parte da miséria, entende? Os seus braços, um longo porto, a quilômetros de mim, radiantes. Num grande espaço de tempo minha vida foi tristeza agulha fina perpassando a pele. Não importa, agora não quero me importar. Me concentro e vejo a noite dentro das janelas acesas; vejo mulheres entre cebola alho óleo maridos e filhos pra jantar; vejo os televisores e o acompanhar patético dos olhos, mortos de qualquer alegria ou viço real de vida, todos muito bem nas salas de estar. É, longe de nós, meu amigo, todos creem viver verdadeiramente, mas... não sei.&lt;br /&gt; Me interesso pouco pelas pessoas, poucas pessoas me incomodam, nada quero trazer pra junto de mim neste canto de mundo, que, como vê, não é bem um canto de mundo, mas apenas meu fim. Embora eu não queira o fim.&lt;br /&gt; Me incomodam visões de flechas soltas no ar. &lt;br /&gt; Dou de me lembrar de sua pica, Vic — e isso é puro deleite —, ereta, linda, a mais bela dentre todas as picas que um homem na Terra pode ostentar. Mais bela até que a minha, reconheço. E não é nada fácil, garanto-lhe, reconhecer. Dou de me lembrar de como você a esfregava contra a minha e, suspirando, ia subindo ao alcance de minha boca. Mas perco o momento em que você também me abocanhava. Sua cara retendo meu gozo, minhas mãos te apertando os cabelos. Perco, perco. Vago sem tempo sobre nós e lembro, com pesar, quanto de inferno eu pacificamente suportei, acreditando que um dia, uma porra de dia enfim, tudo ia ficar bem entre todos os homens e planetas e reticências, e não somente na paz de nosso quarto, de nossos corpos depois do amor.&lt;br /&gt; Me lembro de qualquer coisa azul — os olhos do meu companheiro, vivos, leais? Não, não, os seus olhos são, sempre foram verdes. Um firmamento de primavera? A banheira onde, quando bebê, me lavavam? Não, acho que a banheira era branca... Talvez a cor que totaliza toda essa distância. Branco, branco, branco. Sim, quando recordo é porque estou distante.&lt;br /&gt; O pior de tudo é que não há cheiros e quase se pode sentir Deus. Eu quero andar e não sou movimento. Ágeis são os arbustos, são as nódoas, são as faltas de cheiros, meu corpo não. Primeiro me dei conta disso — do corpo — que ruía a cada quarto de hora, depois percebi, aterrorizado, as formigas, rodeando-me como se faz com o alimento. Histérico, nos instantes iniciais ainda achei que reuniria forças pra quebrar a inércia, vencer.&lt;br /&gt; Não consegui.&lt;br /&gt; Tua mão veio viva afastando os insetos de mim. Limpou um resto mínimo de sangue, pôs rosas e perfume e me vestiu com uma camisa de seda clara.&lt;br /&gt; Ri, grato a ti por tanta generosidade. Saiba que estarei sempre. Achei teu pranto extremamente belo caindo em meu rosto morto. Devia ser quente a tua dor, fazia a das outras pessoas indiferente, nula. A milímetros de mim, você arfava em desespero. Não te senti como antes, minha faculdade consistiu no verbo ver, segunda conjugação, transitivo direto. Não lembro mais.&lt;br /&gt; Vi você me guardar no vão e a madeira comer minha liberdade.&lt;br /&gt; Falo como corpo porque corpo preso fui depositado.&lt;br /&gt; Os grãos de areia, as velas, os vermes. O regresso. Não seria exatamente areia, mas barro pútrido, enojante.&lt;br /&gt; Imaginava que o alimento fosse vivo, que cada mastigar sofrido fosse uma alegria de transformação próxima. Mas não, a dor de ser absorvido é total, é cruel e leva parte dos sentidos. Abomino-me em retalhos. Eu me odeio mordido, rasgado, mastigado, comido. Pelos, gosma, meus dentes!&lt;br /&gt; Nenhum cheiro exala, nenhum formigamento. Meu sexo, minhas mãos. Eu não conhecia esses tipos de vermes, só aqueles que levam parte do joelho. Lia sobre bichos que dão em água parada, matava muitos ratos quando tinha dez an.....h! Jesus! O cheiro morno da virilha pra sempre perdido. Minha unha caindo vagarosa na madeira, minha boca, eu não tenho boca!&lt;br /&gt; É preciso um cigarro, um café.&lt;br /&gt; Um choque elétrico.&lt;br /&gt; Ainda faltam as veias. Ali, falta parte do nariz e um resto de coxa. E essa posta de carne verde, aguada, donde fazia parte? O sangue endurecido. O sangue é um requinte, quem virá sugar? Me contorço, não sei do tempo. Deve ser longo, mas não o meço mais. Incho. Inconformismo. Não voltaria a comer se tivesse novamente boca, dentes, língua, mas ainda assim quero meu corpo!&lt;br /&gt; Tapa na cara.&lt;br /&gt; Dentes rolando.&lt;br /&gt; Baba.&lt;br /&gt; Quero meu corpo.&lt;br /&gt; Escuridão.&lt;br /&gt; Por favor, me soltem, me deixem.&lt;br /&gt; Um corte vertical no planeta. &lt;br /&gt; Que todos sangrem, que se fodam, que não reste migalhas de gente.&lt;br /&gt; Não é possível. Então sou isso?&lt;br /&gt; Corro.&lt;br /&gt; Carne moída.&lt;br /&gt; Odeio. Odeio. &lt;br /&gt; Subirei no topo. &lt;br /&gt; Picadinho.&lt;br /&gt; Mal, mal, mal.&lt;br /&gt; Formigas estranhas, estranhas.&lt;br /&gt; Quero tudo no lugar de antes.&lt;br /&gt; Misérias se multiplicam. &lt;br /&gt; Demônio.&lt;br /&gt; Em toda parte: baratas.&lt;br /&gt; São os bichos que mais odeio. &lt;br /&gt; Eu que comia vegetais. Eu, que não andava descalço debaixo do sol por muito tempo. Eu com minhas rugas.&lt;br /&gt; Eclipsado.&lt;br /&gt; De mal com Deus.&lt;br /&gt; E com Jesus Cristo.&lt;br /&gt; Eu corro.&lt;br /&gt; A mancha escura no meu quadril. &lt;br /&gt; Minha pele, minhas nádegas, onde o Vic irá deslizar? &lt;br /&gt; Pode ser um câncer, cara.&lt;br /&gt; Eu tinha medo de câncer no pulmão.&lt;br /&gt; Meus olhos eram negros... sangue AB, Rh +. Herança do meu pai.&lt;br /&gt; Minha mãe nunca virá.&lt;br /&gt; O banquete.&lt;br /&gt; Água luz sabão.&lt;br /&gt; Um dia uma puta me seguiu no Leblon. Olhava pra trás lhe sorrindo, quando por fim entendi: um homem, um homem debaixo da fantasia de se fazer exageradamente mulher.&lt;br /&gt; Não me encantavam homens assim.&lt;br /&gt; Tudo bem. &lt;br /&gt; Não vou chorar mais.&lt;br /&gt; Que se danem os cílios, que se danem os cabelos.&lt;br /&gt; Posso sorrir um pouco. &lt;br /&gt; Não me apavorem.&lt;br /&gt; Dancem comigo. Um tango, ou dança antiga de ciganos.&lt;br /&gt; Boceta!&lt;br /&gt; Por quê?&lt;br /&gt; Quero meu corpo.&lt;br /&gt; Macho meu ele foi, homem a quem chamei de amigo.&lt;br /&gt; Não suporto mais esse crânio exposto.&lt;br /&gt; Por favor, um lenço. Lilás.&lt;br /&gt; Um cara me esmurrou no peito, uma vez.&lt;br /&gt; Galeão, Santos Dumont. &lt;br /&gt; O barulhos de seres metálicos pelo ar.&lt;br /&gt; Jacarepaguá.&lt;br /&gt; Vozes em alto-falantes.&lt;br /&gt; Passageiros com destino ao inferno, com escala no desespero e na miséria profunda, por favor, dirijam-se ao portão de embarque, e boa viagem.&lt;br /&gt; Arame farpado.&lt;br /&gt; Pois vou dar o troco pra aquele otário.&lt;br /&gt; Irritação no estômago.&lt;br /&gt; Tome a limonada, meu filho.&lt;br /&gt; Não há.&lt;br /&gt; Pode ser um sonho.&lt;br /&gt; Vic, me espere na saída da rua, passo logo que a aula acabar.&lt;br /&gt; Ele estudava língua alemã e amava escritores franceses.&lt;br /&gt; O tempo. O tempo. O tempo.&lt;br /&gt; A chuva podre sobre as cascas das frutas. Sobre as rosas brancas. Sobre os remédios.&lt;br /&gt; Me ofertam flores. Vou cair em choro. Flores pra quê, meu avô?&lt;br /&gt; A primavera me dá saudades, o leite me dá saudades.&lt;br /&gt; Ossos.&lt;br /&gt; Uma casa bonita, cheia de espaços.&lt;br /&gt; O momento mágico de desgrudar do corpo dele e adormecer.&lt;br /&gt; Sítios. Aeroportos. Calçadas. A corrente fria na cara. &lt;br /&gt; Copacabana princesinha do mar. &lt;br /&gt; Gozo, esperma, fluídos. Línguas. Espáduas. Coxas. Ânus. &lt;br /&gt; Pai-nosso-que-estais-no-céu-santificado-seja-o-vosso-nome. &lt;br /&gt; E flores, flores, flores. [...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-2014101815394874111?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/2014101815394874111/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2012/01/henrique-romance-ed-dominio-publicco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/2014101815394874111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/2014101815394874111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2012/01/henrique-romance-ed-dominio-publicco.html' title='Henrique (romance), Ed. Domínio Públicco, 2001 (trecho)'/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-6900933026170491921</id><published>2011-12-22T01:02:00.002-02:00</published><updated>2011-12-22T01:15:49.088-02:00</updated><title type='text'>Felicidade não se conta - vencedor do 20º Concurso Luiz Vilela de Contos</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-KXvuKbyORhQ/TvKeZ2143XI/AAAAAAAAAYA/P7zJ43je0AI/s1600/24-11-09_181147.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-KXvuKbyORhQ/TvKeZ2143XI/AAAAAAAAAYA/P7zJ43je0AI/s320/24-11-09_181147.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5688783446377815410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Às vezes, procuro pelos meus olhos quando eles não estão juntos aos seus. Encontro-os, diversas vezes, boiando naquelas poças de chuva por onde saltaram ontem nossos pés descalços, frágeis patas de gente. Talvez essa rasidade exista para nos conter ou nos distrair, não sei. O que você sabe sobre a rasidade da chuva?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;inda havia algumas réstias quando ele se aproximou e deixou que eu capturasse os contornos da face alva, cônica, do olhar vago, azul; pude ver o indefinível escapando de seus movimentos, juntando-se a mim. O feixe de luz, subitamente tão vivo, me assustou. Apertei os olhos, tentando aproximá-lo mais do campo de visão — quem era? Forçar as vistas daquele jeito me doía na fronte, talvez fosse melhor desistir.&lt;br /&gt; É ele, pensei, gostaria muito que fosse ele. Ao mesmo tempo, senti a inquietação a um palmo: e se for, adiantará? Como iremos retê-lo? Naquele instante, não tinha como saber. Deveria ser a segunda ou terceira vez que o encontrava, sempre rápido, rumo a algum objetivo. Entretanto, parado na minha frente, tempo-espaço se fundindo num só desejo — o de tê-lo pra mim —, não, jamais o havia encontrado assim.&lt;br /&gt; Eu sentia dores nos olhos desde a infância. Naquele tempo de pouco saber, a cegueira deveria ser semente, quem sabe botão. Me sentia tonto, a dor de ver, capturar completamente aquele cara, formigava o centro do mundo. A fim de aquietar os olhos, eu os fechava por uns instantes, enquanto impulsionava lentamente o corpo, aqui, ali, num ritmo bobo de quem medita em pé. Tratava-se apenas de alcançar algum equilíbrio com a repetição vagarosa do mesmíssimo movimento, quiçá, do mesmo ritmo: dó-ré; ré-dó; mi-fá; fá-mi. &lt;br /&gt;Ele deve ter estranhado minha forma excêntrica de estar no mundo, porque me cercou, preocupado:&lt;br /&gt; — Ei! O que está havendo? Você vai desmaiar? &lt;br /&gt; Bárbaro aquilo. Até hoje penso no disparate daquela fala. Como se fosse possível saber. Imaginemos o desenrolar de um diálogo tão estapafúrdio: &lt;br /&gt;       — Ei, você vai desmaiar? &lt;br /&gt;       — Quem, eu? &lt;br /&gt;       — Você mesmo!&lt;br /&gt;       — Ah, sim, desmaiarei em trinta ou quarenta segundos, obrigado por perguntar. &lt;br /&gt; Mas não, não escarneci sua falta de bom senso, em vez disso, deixei que nossos corpos de aproximassem, aproveitando sua disposição em me ajudar. &lt;br /&gt;Lindo, eu o achei. Os cabelos desalinhados, o corpo delgado, uns fiozinhos ne-gros, ralos, poucos, em seus braços. A camisa florida estava aberta no peito, era grande pra sua magreza, escorregava pelos ombros, e eu vislumbrava, antes que ele a ajeitasse outra vez, ora o esquerdo, ora o direito. Ao endireitá-la, de segundo em segundo, ele trocava os libretos de mão, abordava pessoas. Seus movimentos eram uma dança que me revelava algo até então obscuro: um excesso de demência ou alguma loucura não-tocável. O quê, meu Deus? O quê?, quis em vão saber. &lt;br /&gt; Meus olhos ardiam muito. A percepção tardia jogava tudo no centro de uma só vez: os últimos feixes de luz a serem usufruídos, a certeza queima-roupa da cegueira, os ombros nus dele, do grande amor, aquele que já julgava perdido pelo tanto que vivi a esperá-lo sem sequer sabê-lo existir, o medo cada vez maior do futuro. &lt;br /&gt; Perguntei o que vendia. &lt;br /&gt; Ele disse:&lt;br /&gt; — Poemas.&lt;br /&gt; A voz me paralisou em meio ao fim de um mundo velho — o que eu era, o que me tornei — e o começo de um novo, desconhecido. &lt;br /&gt; Pequeninamente, busquei de novo seu olhar:&lt;br /&gt; — Você se parece com o Morrissey — falei, e imediatamente tive receio de que ele não compreendesse a referência, o que seria um prejuízo tamanho pra minha paixão abrupta.&lt;br /&gt; Mas ele respondeu demonstrando interesse:&lt;br /&gt; — Como sabe que me pareço com o Morrissey? Você não é cego?&lt;br /&gt; Ainda não, pensei, feliz por ele não me perguntar quem era o Morrissey, ou, pior, vir com a clássica pergunta idiota: você quer dizer Jim Morrison, do The Doors? Não havia confusão de referência que me irritasse mais. Convenhamos, que semelhança há entre os dois? É preciso, antes, ter um sério problema auditivo pra confundi-los. Além disso, não há um Jim Morrison, do The Windows, por exemplo, capaz de justificar esse acréscimo do nome da banda ao final da pergunta. Todavia, não era raro me acontecer ser tragado pelo raciocínio sublime de alguém que não conhecia meu cantor preferido, mas, sim, o outro, do The Doors. Ainda não sou cego, quis gritar, mas me contive. Posso vir a ser completamente, desde que você fique do meu lado, guiando-me com os seus azuis. &lt;br /&gt; Aquilo era uma bobagem, hoje sei. As réstias ali estavam, serviam ora de engano, ora de orientação. Se forçasse um pouco, ignorando tamanha dor na fronte, poderia, inclusive, perceber que o azul dos olhos dele era um tanto acizentado. Quando conseguia captá-lo em meio as bolhas, ora coloridas ora brancas, pipocando ao redor, não tinha plena certeza da variação exata, azul-marinho ou lilás? &lt;br /&gt; Expliquei-lhe que não era de todo cego, percebia as coisas ora envoltas em som-bras, ora momentaneamente desaparecidas, não podia precisar, por exemplo, se ele os-tentava fios ralos nos braços ou se estava sujo de carvão. Se trazia a camisa florida ou manchada de vermelho, se tinha os olhos azuis ou lilases. Enfim, confusões dessa natu-reza. Obviamente, ficava sempre com a opção mais lógica.&lt;br /&gt; Ele respondeu, grave, que não estava sujo de carvão, além do mais, frisou, olhos lilases não existem, de onde tirei tamanha tolice? Então, riu. Um puta sorriso se abriu no seu rosto. Aos gritos e berros, tudo na praça girou e me entregou a ele. A essas alturas, era evidente: já estava amando-o, embora não estivesse preparado pra felicidades tão suaves. Passara meus dias buscando formas de compreender, lidar, quem sabe vencer a depressão. E depressão era tudo o que me rondava, tirando o contorno real dos seres, das coisas, inserindo-os em invólucros fugidios, um molde primeiro branco-turvo, de-pois, cada vez mais escuro.&lt;br /&gt; — Parece que somos de lugares diferentes — murmurei.&lt;br /&gt; Ele respondeu que vinha do Norte, do Amapá.&lt;br /&gt; — Mas com essa cara de europeu? — questionei. &lt;br /&gt;        — Como assim? — ele estranhou.&lt;br /&gt;        — Se você vem do Norte, por que não é índio?&lt;br /&gt; Ele escarneceu meu raciocínio tosco:&lt;br /&gt; — Por que não sou índio? Boa pergunta, deixa ver... Pode ter faltado matéria-prima na hora da mistura ou fugi do laboratório antes de terminarem a experiência... &lt;br /&gt; Ignorei a ironia, disse:&lt;br /&gt; — Seu sotaque é bonito...&lt;br /&gt; Sei bem que ele sorriu, mesmo sentindo as réstias afinarem quase completamente, tenho absoluta certeza de que ele sorriu ao responder, desconfiado:&lt;br /&gt; — Você acha? Não pode ser. Ninguém gosta do sotaque do Norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                    *  *  *&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; E então, de repente. Pensar na magia dessa quase frase. É possível jamais ter havido magia alguma, só o campo estreito da linguagem escapando. Não faz mal, o cer-to, justo e límpido é: então, de repente, o mundo foi virando bolas de fogo velozes. De-pois, sombras. Depois, brilhos fugazes. E por fim, nada. Andava com a mão dele no meu ombro, ele já vivia comigo. Nenhum medo, nenhuma revolta, mas muita saudade do seu olhar. O azul-escuro. O acizentado. O lilás impossível. Às vezes, passavam umas rajadas em minha cabeça, fazendo barulho de helicóptero ou aviões. Como por encanto, o rosto dele surgia, a voz paralisando, o queixo de bigorna. Eu pensava: se o vejo, não estou cego... Mas, de fato, o vejo? Pronto, bastava duvidar pra escorregar na vaguidão outra vez. Mas o que há? Estou louco? Sim. Só podia ser.&lt;br /&gt; Sentávamos na praça, eu queria detalhes:&lt;br /&gt; — Que roupa você está usando, Maurício?&lt;br /&gt; — Roupa de chuva. Como você.&lt;br /&gt; — Como são?&lt;br /&gt; — Nossas roupas? Escuras. De mangas compridas. Pesadas. Você não sente?&lt;br /&gt; Pus a mão no peito dele:&lt;br /&gt; — Por dentro do casaco você usa outra camisa.&lt;br /&gt; — Sim, como você. A minha é branca, a sua é turquesa.&lt;br /&gt; Achei graça:&lt;br /&gt; — Por que você me vestiu de turquesa?&lt;br /&gt; — Sei lá... Porque sim. Qual o problema?&lt;br /&gt; — Nenhum. &lt;br /&gt;Penso bobagens sem ter consciência de quanto elas salvam o dia. Inutilmente vi-vido, o meu tempo, tão caro, tão vazio, perdido com pensamentos que somente dias, meses depois, revelam sua verdadeira leveza. &lt;br /&gt;Não sei se ele riu, quando me abraçou forte. Cantarolou alguma coisa de Chrissie Hynde: I go to sleep, sleep... and I imagine you there with me... Canto de cabeça, ele disse, você se lembra da letra? Colou o rosto no meu. Cheiro de sabonete de ervas. &lt;br /&gt; Antes, ele disse prendendo minha orelha entre os dentes, quando saía pra te en-contrar, invariavelmente pensava: terei de lhe pedir em casamento. Ficava muito tenso, não sei se chegava direto e ia dizendo: case-se comigo, Pedro Jaspe. Ou começava de-vagar: me conte sua vida, seus planos, pra ver se me enquadro nela, neles. Queria lhe propor que corrêssemos atrás de tratamentos pra sua visão. Mas sequer sabia se você queria falar disso. Não conseguia escrever nada antes de lhe ver, metáforas, alegorias, rimas, ele me garantiu, não havia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                     *  *  *&lt;br /&gt; Se um olho alheio e uma voz onisciente pudessem nos observar nos primeiros encontros, provavelmente, narrar-nos-iam assim: um deles vinha, calças dobradas nos tornozelos, camisa ensopada, colada à pele, sandálias de couro, lábios roxos. As pontas dos cabelos voavam no meio da chuva, do vento. A chuva fina, compacta, o vento forte, tenor, feito chicote, o empurravam pra frente. O outro não vinha nem ia, apenas esperava ser alcançado, parado junto ao tronco de uma árvore. Não tinha paciência pra atravessar com cuidado o calçamento do parque, adiantar o encontro. Tomara um tombo minutos atrás, por isso, estava sujo de lama, pedacinhos de folhas amarelas no cabelo, gosto de terra na boca. O outro e mais ninguém no mundo sabia: por todo canto poderia haver charcos alaranjados, imóveis, à espreita. O que mais detestava no tempo chuvoso: os charcos espreitando-o, bocas escancaradas pra atraí-lo à queda, ao constrangimento. &lt;br /&gt; A camisa do segundo — aquele que esperava ser alcançado — era um lodo só. Embora ele não pudesse enxergá-la, sabia que estava suja. Sentia nojo de si, e, orgulho-so, pensava que se o amigo caísse também ficaria em estado igual ou parecido ao seu, o que diminuiria o impacto de um corpo enlameado no outro apenas molhado. Sentia-se desgraçado, tolo desgraçado, pra que encontros em dias de chuva?&lt;br /&gt; O amigo, porém, não caiu, em vez disso, abraçou-o:&lt;br /&gt;        — Tomara que amanhã faça sol. Maceió está se desfazendo feito açúcar...&lt;br /&gt;        A língua foi ao alcance do amigo, que recuou, preocupado. &lt;br /&gt;  — Você está me beijando na boca, em público, Maurício?&lt;br /&gt; — Estou. E daí?&lt;br /&gt; — Sei lá, com toda essa violência aí contra os gays...&lt;br /&gt; — Ah, sem essa, Pedro Jaspe, estamos só nós dois aqui. Além do mais, não quero saber de violência, você me faz feliz. &lt;br /&gt; Pedro riu. Ele o fazia feliz. Isso era bom. Beijaram-se, entretanto, voltaram a se separar, rápidos: um carro vinha pelo lado direito do parque, devagar, como se fizesse a ronda, faróis acesos quando nem era noite ainda. &lt;br /&gt; — Quem é? — um deles murmurou, sem poder visualizar, irritado pelo desenlace brusco. &lt;br /&gt; — Ninguém.&lt;br /&gt; A chuva engrossou. Começaram a andar lado a lado.&lt;br /&gt; — Você está tão calado! Dá até medo.&lt;br /&gt; Pedro pensava em ações ou palavras capazes de desfazer a impressão de homem distante. A impressão — Maurício tratou logo de adjetivar — era de pintor enclausura-do. Pintor jabuti. &lt;br /&gt; — A tela é o escape — pronunciou à toa. — Me diga, eu te aborreço? — quis saber. &lt;br /&gt; Pedro achava o amigo meigo. No começo, sentia até pudores diante dele. Pudo-res pelo que julgava dentro de si próprio uma alienação estúpida, um desejo aleijado, um não-alinhamento de palavras. Sentimentos irremovíveis, é verdade, mas que acabariam se diluindo com o tempo, acreditava. Queria, por vezes, dizer algo belo ao outro, entretanto, constantemente fracassava. Não conseguia avançar no muro estreito dos primeiros encontros. &lt;br /&gt; — Quer ficar só? Se quiser, vou embora, a gente se vê noutro dia.&lt;br /&gt; Digamos que complexo entre eles era/é — embora isto constitua um clichê filho da puta —, sobretudo no início, digamos que complexo é/era o mundo de caracteres de um (o poeta) chocando-se com o de borrões do outro (o pintor).&lt;br /&gt; — Pra eu ir, você terá de dizer sim ou não. Pelo silêncio não posso deduzir.&lt;br /&gt; Pintor medíocre, ele se sentia. Rostos, mãos, pés, peitos, ombros, nádegas, coxas, quadris. Eis o universo de sua pintura. Nada mais. Caminhava exausto, rebatendo por dentro: medíocre, medíocre.&lt;br /&gt; — Fale comigo, Pedro Jaspe.&lt;br /&gt; — O quê?&lt;br /&gt; — Qualquer coisa.&lt;br /&gt; — Te amo.&lt;br /&gt; Well, eis o nosso começo. &lt;br /&gt;Com certeza, neste instante, a voz emudeceria, o olho perderia o foco, não seria possível continuar. Felicidade não se conta. Pedrinha rara colada ao fundo de um calei-doscópio, subitamente, atingido pela luz. É impossível aprisioná-la, dissecá-la, encher um parágrafo com ela. Entretanto, maldição!, o que digo? Só posso saber que fomos felizes quando tudo já se encerrou em mais um ciclo vago, mais uma cena-neblina de um tempo perdido. &lt;br /&gt; Aqueles primeiros momentos de felicidade, chuva, muita chuva, e certa inquie-tação. Naqueles dias, Maurício me leu uma anotação solta, dizia: o amor inclui outra vez medos esquecidos, mofados dentro da gente, o amor os pega, expõe novamente tudo ao sol. Isso, ele explicou, porque quando nos conhecemos, na semana seguinte, o tempo fechou completamente em Maceió. Ele enxergava alguma coisa mágica aí: nos conhe-cemos, ficamos juntos, fazia um sol excessivo, em seguida, a cidade entrou num período chuvoso imprevisto. Mas que poderíamos extrair da temporalidade senão pequeninas impressões?&lt;br /&gt; Nem tudo, entretanto, era embalado pela chuva, também aconteciam impasses ou conversas esdrúxulas. Às vezes, ele me questionava a sair do casulo: &lt;br /&gt; — Jamais adivinho se você quer beijos ou puramente silêncio.&lt;br /&gt; Noutras passagens, notava-o desolado, arranhando-me, como se fosse um gato triste. Eu me desconcertava:&lt;br /&gt; — É que me perco, Maurício.&lt;br /&gt; — Ah — ele repetia. — É que você se perde. Entendo...&lt;br /&gt; — Podemos ir a algum lugar, se você quiser.&lt;br /&gt; — Lugares são o de menos.&lt;br /&gt; — O problema é pegarmos um resfriado com esse tempo.&lt;br /&gt; — São banais, os resfriados são banais. Vivo resfriado desde que nasci. Ade-mais, essa obsessão das pessoas com a saúde, no fundo, é desimportante.&lt;br /&gt; — O que importa então?&lt;br /&gt; — O seu amor de horas. &lt;br /&gt; Mas depois, quase imediatamente, ele desfazia o impasse, assumindo um tom mais suave:&lt;br /&gt; — Podemos ir aonde você quiser, meu amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                  *  *  *&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Abro e fecho os olhos várias vezes: um incêndio vem e me toma o centro. Abro e fecho os olhos várias vezes: a nuvem me empurra de vez ao negro-branco no interior das chamas. Abro e fecho os olhos: quero ver o rosto dele pelo menos uma vez, verda-deiramente. A última.&lt;br /&gt; No diário de Maurício, antes de virmos morar juntos, ele anotou: Às vezes, pro-curo pelos meus olhos quando eles não estão juntos aos seus. Encontro-os, diversas vezes, boiando naquelas poças de chuva por onde saltaram ontem nossos pés descalços, frágeis patas de gente. Talvez essa rasidade exista para nos conter ou nos distrair, não sei. O que você sabe sobre a rasidade da chuva?&lt;br /&gt; Depois, mais objetivo, desenrolou: Acho que ele me vê, não sinto seus olhos vazios, sinto-os cheios, creio que de mim. Excita-me a ideia de que ele me vê em segredo, por trás desses vidros escuros. Mas logo depois me entristeço: será que ele me vê mesmo por trás dos óculos escuros? Peço-lhe que se case comigo. Serei seu guia. Parece que ele me encara... ou me enquadra? Ouço-o: nunca pensei em me casar. Pois comece a pensar, concluo.&lt;br /&gt; Gostei quando ele leu pra mim. Pedi que repetisse até fixar palavra por palavra. Pra mim, não é difícil memorizar poemas, trechos de livros, letras de música, diálogos inteiros captados por aí. Na verdade, reter frases ou mesmo o ritmo da voz alheia foi uma espécie de dom adquirido durante o longo e doloroso processo de perder a visão. Que mais ele poderá ter escrito? Alguma anotação breve sobre nossas primeiras noites? Sendo romântico e poeta, o que escreveria?  &lt;br /&gt;Um poeta, em geral, almeja a autenticidade, ainda que conviva com pessoas cuja percepção da vida é quase nula. Seu desejo é nos pôr uma mordaça, a fim de não espa-lharmos mundo afora a banalidade quase indecente com que usamos as palavras no dia a dia. Não se deixe levar pelo aproximar rasteiro dos poetas: quando se aproximam, é pra ferir nossos sentidos afeitos à superfície. Nada de se pôr a admirar a beleza com que disciplinam tonicidades, ritmos. Você estará condenado a esquisitice da paisagem, como se, de súbito, compreendesse estar fora da linguagem, esvaziado, pois somente eles, os bardos, podem varar a eternidade à cata de palavras, a fim de ordená-las. Não pense essas bobagens: palavras, caçadas ou não, permanecerão sempre além de nossa vontade ou ordem. Não caia na roubada de ver beleza nisto. Fuja da poesia, enquanto é tempo.&lt;br /&gt; Todavia, minhas razões físicas têm um nó com a alma. Por mais que saiba e a-conselhe, não adianta. Tudo que faço é abrir as pernas e recebê-lo por trás. Longe, muito longe de qualquer postura pragmática, racional, pareço voltar ao princípio de toda a concepção. Embaixo do corpo dele, encolhendo ao contato de seus lábios, do suor da minha nuca com o pescoço dele, me vejo tão minúsculo que por uma fração de tempo sou capaz de jurar sentir o peso de Maurício me empurrando de novo ao umbigo do mundo — quente e sem saídas —, então, respiro, livre de todos os vãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                 *  *  *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em alguns dias, tenho uma luz cristalina. São dias raros, de difícil retorno. Nos outros: círculos vazios. Às vezes, a gente ainda vai a lugares frios, ele quase sempre canta Please please please let me get what I want  — quando não canta, assobia-a. Tão perto que posso brincar de vê-lo: o perfil do rosto pálido, o nariz reto, o queixo compri-do, o olhar azul-confuso. Eu lhe diria, se fosse época, começo de vida, de romance: você se parece com o Morrissey, e sentiria o seu riso descrente. &lt;br /&gt; De vez em quando, uma angústia me atropela: fico horas deitado de bruços no chão, tentando tocar nalgum inseto, uma aranha, uma formiga que me faça acreditar ainda estar vivo. Maurício, nesses momentos, está fora, batalhando a nossa sobrevivên-cia, não pode gritar: ei, Pedro Jaspe, deixe de criancice, levante-se.&lt;br /&gt;Quando podia ver a luz do sol, gostava de passar manhãs inteiras pegando for-migas e depositando nalguma lata de doce — goiabada, marrom-glacê, leite condensa-do. Pensava, banalmente, que os insetos iriam morrer, iriam ficar gordos com tanto doce, então explodiriam diante de mim. Todavia, nenhuma explosão aconteceu. Hoje, que penso diante do sol que não vejo? Adivinho quando Mauricio chega, sinto o correr dos dias sem ter a constatação dos olhos. Perco, além de parte do instinto, o contato natural das coisas dentro dos ciclos. Vegeto, pois não creio na compensação de um sentido pelo outro, quero restar imóvel dentro do ritmo do vazio deste, de agora.&lt;br /&gt; Dores agudas me abatem. Frases tristes fogem pra fora do peito. Amaldiçoo os deuses, eles não existem, mas eu os amaldiçoo. Tento colocá-los em tela, em imagens distorcidas. Depois, pergunto a Maurício o que criei, ele me esclarece:&lt;br /&gt; — Rosto desfocado na parte direita da tela, escurecido por tonalidades de roxo e azul. Embaixo: outro rosto sem visibilidade, meio confuso por trás do cinza.&lt;br /&gt; — E o resultado disso? — questiono.&lt;br /&gt; — Perturbador.&lt;br /&gt; Gosto quando ele fala assim: perturbador. É melhor do que o vago maravilhoso ou o desconfiado gostei que ele pronuncia, por vezes, diante de uma nova tela. &lt;br /&gt;De vez em quando, me equivoco pela casa, achando que ele se esconde nalgum canto, onde pratica coisas ocultas ou talvez sofra uma dor-esconderijo, daquelas dores jamais partilhadas, porque, em geral, tão aguda que quando a entendemos dor o pranto já se faz rio. Na verdade, não me recordo de choros oriundos dele. &lt;br /&gt; — Você já chorou alguma vez em sua vida, Maurício?&lt;br /&gt; Ele me abraça, dá uma de suas gargalhadas: &lt;br /&gt;        — De onde você tira tanta pergunta sem sentido, Pedro Jaspe?&lt;br /&gt; Não deve ter chorado nem mesmo quando menino. É uma pessoa estranha, eu sinto. Ando devagar, tentando achá-lo em cantos misteriosos. Quero descobrir coisas sujas nele, desfazer o encanto, me libertar. Erro. Não o acho. Chamo-o. Uma, duas, três vezes seu nome sai de minha garganta.&lt;br /&gt; — O que há? — ele responde depois, como se retornasse de um breve exílio. &lt;br /&gt; — Você se esconde... Deve fazer uma infinidade de coisas ocultas por aí.&lt;br /&gt;        — Que papo é esse, cara? Estava colocando o lixo lá fora.&lt;br /&gt; — Ah, a velha desculpa do lixo.&lt;br /&gt;        Ele ri uma risada encorpada, que parece tomar conta do mundo. &lt;br /&gt;        — Vamos ouvir alguma coisa — proponho. — Já é noite?&lt;br /&gt; — Quase.&lt;br /&gt; Vem um barulho do lado direito, um farfalhar de pano. Possivelmente, uma jane-la foi fechada. Ouvem-se alguns passos, depois tudo cessa. &lt;br /&gt;Em pé, próximo à porta de entrada? Ou abaixado, junto ao amontoado de discos, tentando se decidir por um? &lt;br /&gt;Alguém se movimenta em cima de nosso teto. Um casal de velhos, ele me disse quando alugamos o térreo. Não se preocupe, eles não incomodam ninguém. Deveriam morar embaixo, respondi, seria mais lógico, já que somos jovens, e eles, idosos. Ele respondeu nem pensar, escolheu esta casa justamente pra não ter de ficar preocupado se subo, se desço escadas. Mas, Maurício, estou ficando cego, não aleijado, protestei. Cego e chato, ele frisou, os proprietários estão alugando o térreo, não o primeiro andar. Tem quintal, jardim, podemos pagar, portanto, vamos morar no térreo, pare de complicar as coisas, por favor.&lt;br /&gt; Novo barulho de plástico. É aquele fininho que protege o vinil. Recusamos ade-rir às mídias novas, eu e ele, guardiões de um tempo carcomido, quando comprar um disco era um ritual que se iniciava na busca específica por uma daquelas criaturas re-dondas e frágeis — nossos passaportes mágicos, alguém falou —, continuava no cuida-do em trazê-las pra casa, como quem traz na sacola um segredo, um bebê. Depois, ápice dos ápices, munidos de cigarro e café, sentávamos perto do toca-discos, atentos ao que a criaturinha negra, rodopiante, se dispunha a nos oferecer: uma outra atmosfera? Cidades esmaecidas? Temporalidades redescobertas? A descontinuidade do mar? Casas de in-fância perdida? O cheiro quente de um abraço? O conforto de morar um segundo dentro dos olhos de alguém? &lt;br /&gt;Cheiros de mar, sim. A cada vinil adquirido, tínhamos o mar e tínhamos o porto, estávamos em ambos plasmados. &lt;br /&gt; — Fique ao meu alcance — peço-lhe.&lt;br /&gt; Ele novamente gargalha:&lt;br /&gt; — Que cara exigente...&lt;br /&gt; Me dá café sem açúcar com biscoitos doces de enjoar. Depois, pergunta se quero que ele leia pra mim.&lt;br /&gt; Ver, ver, ver. Enxergar agora o rosto dele. Estaria feliz? Sei que ele suspira bai-xinho. Minha mente projeta uma poça de água escura que, em segundos, fica laranja. E o rosto de Maurício? A poça de água cresce. Dedos meus são caçadores de pele e traços. A finitude está ligada aos charcos, penso, mas deve ser mais um pensamento bobo den-tro da vaguidão.&lt;br /&gt; — Maurício, tá longe do inverno?&lt;br /&gt; — Um pouco... Tá entrando o outono...&lt;br /&gt; No outono, eu pintava mais. Antes, era essa estação que me dava a impressão de eternidade. Depois, perdi as grandes impressões. Quando criança, havia uma ideia ro-mântica sobre a cegueira: achava que não se distinguiam pessoas, bichos, coisas, mas somente a gradação das cores, de acordo com a etapa do dia. A manhã seria branca, amarela e laranja; a tarde azul, verde, lilás; a noite, vermelha, negra, cintilante.&lt;br /&gt; Tento guardar determinadas imagens no cérebro, com medo de que com o desa-parecimento delas também minha vida vá-se embora. Quando ando pela casa sem o bra-ço de Maurício, tateio paredes, objetos. Vou adivinhando suas formas, as finalidades, se possível, as cores. Quando minha mente me engana, me irrito, quebro coisas, me atiro em qualquer direção, mas raramente caio. Maurício chega e me ampara, pedindo calma. Isto não é engraçado, é, antes, idiota: ele me ampara quando quero me despedaçar, ir de corpo inteiro ao chão.&lt;br /&gt; Deixo de pintar, retorno. A lembrança do que fui um dia — pintor de galeria, da Escola de Belas-Artes — com o tempo vai se tornando esmaecida, como se houvesse decorrido séculos. Choco-me com a minha estranha natureza: cadê o teu passado? En-goliste-o? Devolva-me. Repito, como se eu fosse um outro a ressurgir: devolva meu passado, devolva o meu passado, já! Trata-se de conseguir o processo lento de retorno aos motivos capazes de nos fazer acordar a cada manhã, sobreviver a cada inverno. A-lém de Maurício, o que mais tenho em mãos? Antes de Maurício, o que me segurava deste lado da vida? Obceco-me aí: nos invernos, fenômeno que nesta cidade se resume a dias pesados, de chuva ou de continuidades nubladas. &lt;br /&gt;Ao trazer de volta os invernos, tenho a sensação boa de que no ritmo inegociável dele vou compreender o mistério da vida. Qual! Não compreendo coisa alguma, apenas volto a sentir dentro da atmosfera antiga o desejo de transpor o inverno e suas cores à tela, o que sempre acabo por não fazer.&lt;br /&gt; O que é o ontem senão imagens? Do ontem não vivi nem carrego nada, a não ser traço ou cor. Admiro o rastejar absoluto de todas as coisas e seres durante o fim do ou-tono. Quando trabalhava, me lembro que fingia enfermidades assombrosas, os colegas diziam como forma de consolo: é a mudança de tempo, todo mundo está gripado.&lt;br /&gt; Concluo que Maurício compreende aquilo que não se desgasta dentro de mim. Me entrego então a ele, farto das sensações agudas do invisível, louco pra ignorar o que não for sua boca dormente, suas preferências, seu sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                 *  *  *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Durante anos, custei a evitar os charcos aglomerados no meu caminho. Caía e me sujava de lama; Maurício, por vezes, me levantava, rindo.&lt;br /&gt; Ele leu pra mim num dia de chuva: Tudo que sei de motivo, de significação, é encará-lo, é ter perto, muito perto, sua face lívida. Ele pintou meu rosto na parede junto aos rostos de outros homens que lhe pertenceram. Talvez por isso me sinto mais sen-timental nesta manhã. Ele levou meses pra concluir a pintura do meu rosto. Desenha melhor coxas e bundas masculinas do que expressões. Antes de sair, organizo as coisas a fim de deixá-las ao seu alcance: comida, bebida, café fresco, fósforos, cigarros, guardanapo, o material de pintura, os discos preferidos, e uma camisa extra, caso o tempo esfrie. Ando infeliz nas ruas. Por vezes, me sinto melhor quando passo pela praça onde o vi a primeira vez, depois do canteiro das azaleias, de óculos escuros, apertando a bengala entre as mãos. Ontem, levei uma queda. Fiquei todo encharcado. Lembrei dele, constantemente a tropeçar em poças de chuva. Preciso sempre alertá-lo: cuidado, há um charco à sua direita. As poças fazem festas com os minguados raios de sol. Muitas vezes, saem quadros bonitos desses reflexos: fragmentos de brilho intenso, partes de corpos de pessoas, de automóveis velozes, de nuvens se movendo ou estancadas. &lt;br /&gt; Às vezes, me desanimo. Pouquíssima gente compra quadros em Maceió. Porém, forço minha paciência a ser sóbria: só me permito voltar pra casa quando a noite cai. &lt;br /&gt; Um cara disse anteontem: não era você quem vendia poemas nas praças? Res-pondi: agora vendo quadros de Pedro Jaspe, um grande artista, quer ver? Ele rebateu: nunca ouvi falar desse Pedro Jaspe, de onde é? Expliquei-lhe: tratava-se de um triste equívoco não conhecer o Pedro, era um grande talento, talvez o melhor de sua geração. Inclusive, acrescentei, ele é cego. Cego?, o cara pareceu não entender, um pintor cego, como assim? Mostrei-lhe as telas. Não foi preciso mais nada, o cara escolheu duas, balançava a cabeça, mudo, preenchia os cheques. Cada tela significa dois, três meses de feira e contas pagas. &lt;br /&gt; Os óculos negros dele é meu porto. Quero chegar em casa e encontrá-lo alegre, pintando. Isso me anima a sair atrás de compradores pros seus quadros. Os meus poe-mas dão apenas pro ônibus.&lt;br /&gt; Parou de ler, ficou quieto. Me olhando, talvez. &lt;br /&gt; Eu disse:&lt;br /&gt; — Leia mais. Você escreve tão bem.&lt;br /&gt; E ele:&lt;br /&gt;  Não sobrevivo tateando, não posso, portanto, ser nenhum animal além de ho-mem. Achei, quando menino, que podia ser peixe.&lt;br /&gt;        — Isso é bacana — falei. — Também queria ser peixe quando criança. Na ver-dade, queria ser um tubarão pra surpreender aqueles que se descuidassem mar adentro. Um tubarão pra atacar pessoas felizes, ricas, sobretudo, de férias, que não soubessem dos limites entre praia e mar. Pescadores não, pescadores seriam poupados.&lt;br /&gt; Ele não pareceu aprovar meus sonhos infantis:&lt;br /&gt; — Qual é o sentido disso? — perguntou, ríspido.&lt;br /&gt; — De quê?&lt;br /&gt; — Atacar turistas? Matar pessoas felizes? O que há?&lt;br /&gt; — Não há nada, era meu desejo quando criança.&lt;br /&gt;        — Parece coisa de ressentido: morte às elites que vêm desfrutar nossas praias, nosso verde, nosso sol. Só falta dizer que deseja ver as massas descerem o morro, invadir os shopping centers e condomínios de luxo.&lt;br /&gt;        — Jamais diria uma bobagem dessas, Maurício.&lt;br /&gt;        — Não? Cai como luva na retórica dos esquerdistas fracassados. &lt;br /&gt;        — Mas que retórica? Que esquerda? Eu sou apolítico.&lt;br /&gt;        — Apolítico? Até parece! Apolítico is my ass.&lt;br /&gt;        Achei graça, ele raramente falava coisas vulgares assim.&lt;br /&gt;        — Your ass? Interessante... &lt;br /&gt;        — Além do mais, não existem tubarões em Alagoas — ele finalizou.&lt;br /&gt;        — Eu bem sei.&lt;br /&gt;                                *  *  *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Por vezes, há um tempo de fazer coisas bestas. Sair só, por exemplo. Depois do almoço, quando ele está dormindo, gosto de escapar. Em verdade, nunca sei se ele real-mente dorme. Não sou silencioso. Faço uma infinidade de barulhos quando ando, por isso, não posso ter certeza de que ele não perceba. Ainda assim, saio sem lhe comunicar. Sem bengala, sem celular, apenas de óculos escuros. Abro uma porta, mais outra, vou passando. Muitas vezes, nada acontece. Volto pra casa, Maurício finge não saber que saí ou então me pergunta, ironicamente, quais as novidades. Outras vezes, me dou mal, esqueço os sinais que facilitariam o retorno, me perco. Peço ajuda a desconhecidos, ligo pra ele de algum orelhão. Basta tocar o sinal de ligação a cobrar, ele atende de pronto: &lt;br /&gt; — Onde você está, meu amor? &lt;br /&gt;Como retornar. Como se acostumar. Como se virar. Como não precisar. Como se lembrar. Agora, por exemplo. Caí num lugar abafado. Cheiro de mofo, de bebida, de cigarro, de alfazema, amalgamados, entrando direto nas narinas, fazendo o estômago revirar. Acabo de penetrar onde não há janelas, concluo. Barulho infernal de vozes, co-pos, músicas. Deve ser um prédio vizinho, creio. Procuro identificar a banda, mas meu estômago se manifesta difícil, impede o cérebro de ter outras funções além de enjoar.&lt;br /&gt; Falo por cima das vozes, do tintilar de copos, do som. Sei que entrei num terreno alheio, mas por que não me obstruíram a passagem?&lt;br /&gt; — Estou perdido — grito.&lt;br /&gt; Ninguém responde.&lt;br /&gt; — Estava tentando sair um pouco, andar nas ruas...&lt;br /&gt; — Aqui não é a rua — alguém diz.&lt;br /&gt; Voz irônica, feminina, parece estar longe e, ao mesmo tempo, perto de mim. Gargalhadas, ecos de frases estúpidas: Sua mãe é quem devia... Ele é vizinho de Martim. Não gostei desse filme não... Me dê mais gelo... A porra desta porta não fecha direito...&lt;br /&gt; Tento me orientar pela direção donde vim, estendo a mão em busca de uma porta ou parede, mas toco numa carne suada, talvez um braço ou um pescoço. Será possível?&lt;br /&gt; — Esse cara é idiota? — alguém se chateia com meu toque.&lt;br /&gt; — Com quem ele veio?&lt;br /&gt; Começo a ficar surdo com o barulho, a sequência de frases escapando. Grito:&lt;br /&gt; — Onde é a saída?&lt;br /&gt; Nada. Os barulhos tornam-se ainda mais intensos.&lt;br /&gt; — Por favor, é que sou cego, estou perdido.&lt;br /&gt; — Cego? — alguém diz num tom engraçado.&lt;br /&gt; — Quem abriu a porta pra ele? — pergunta outra voz, desconfiada.&lt;br /&gt; — O que foi que ele disse? — fala outra, distraída.&lt;br /&gt; — Disse que é cego.&lt;br /&gt; — Esse homem bonito é cego? — duvida alguém.&lt;br /&gt; — Como é que ele entrou aqui?&lt;br /&gt; Bárbaro! Uma voz feminina disse que sou bonito. Não me lembro sequer se pen-teei os cabelos, mas isso é bom. &lt;br /&gt; Alguém se aproxima, voz grave, quer saber:&lt;br /&gt; — Ei, cidadão, se você é cego, cadê seu guia?&lt;br /&gt; — Não tenho guias — respondo.&lt;br /&gt; A voz grave me toma pelo braço, ainda a questionar:&lt;br /&gt; — Nem um cachorro, uma bengala, um garoto de rua?&lt;br /&gt; — Não.&lt;br /&gt; — Um celular com GPS?&lt;br /&gt; Minha vez de rir:&lt;br /&gt; — GPS seria interessante.&lt;br /&gt; A voz grave não parece acreditar:&lt;br /&gt; — Como consegue viver sozinho assim, meu caro?&lt;br /&gt; — Mas não vivo sozinho — esclareço. — Tenho um namorado. Só que ele está dormindo. E eu fugi.&lt;br /&gt; A voz dá gargalhadas:&lt;br /&gt; — Ainda por cima é viado?!&lt;br /&gt; Também acho graça:&lt;br /&gt; — Nem sempre por cima — garanto.&lt;br /&gt; A voz aprova minha resposta, parece se divertir muito:&lt;br /&gt; — Cego, viado e passivo. Você gosta de complicações, hein?&lt;br /&gt; — Você acha?&lt;br /&gt; — Sem dúvidas. Mas, venha, venha, a saída é ali. Quer que te leve pra casa? &lt;br /&gt; — Moro em Jacarecica.&lt;br /&gt; — Mas estamos em Jacarecica, cidadão. Qual é a sua rua?&lt;br /&gt; Outra voz nos corta, enfadada:&lt;br /&gt; — Esse babaca mora no final da rua, no andar térreo daquela casa azul e branca, está vendo? Basta atravessar a pista e deixá-lo do outro lado, ele deve saber chegar lá. &lt;br /&gt; — Ah!, você o conhece?&lt;br /&gt; — Mais ou menos, é o namoradinho daquele poeta, vizinho de Martim. &lt;br /&gt; — Ok, eu o levarei.&lt;br /&gt; Ainda divertindo-se com as gradações, meu novo guia voltou a comentar:&lt;br /&gt;— Cego, viado, passivo, namoradinho de um poeta. O negócio está ficando cada vez melhor. &lt;br /&gt; Começo a achar o cara interessante, vulnerável que sou a esse tipo de humor. &lt;br /&gt; — E devemos acrescentar que ele se parece com o Morrissey — digo.&lt;br /&gt; — O seu namorado?&lt;br /&gt; — Exato.&lt;br /&gt; — Podre de chique, hein?!&lt;br /&gt; — Quem, eu?&lt;br /&gt; A mão apertou mais meu ombro:&lt;br /&gt; — Sim, você. Namorar alguém parecido com o Hombre! &lt;br /&gt; — Ora, muitas vezes conhecemos pessoas que nem sabem quem ele é! &lt;br /&gt;— Sério? &lt;br /&gt;— Tô te falando...&lt;br /&gt;— Quem são essas múmias?&lt;br /&gt;A voz parecia não apenas surpresa, mas incrédula.&lt;br /&gt;— Ah, tantas, tantas pessoas. Por vezes mencionamos seu nome e parece que to-dos o ignoram. Ou então perguntam se me refiro a Jim Morrison, do The Doors.&lt;br /&gt;— Bando de medíocres, não?&lt;br /&gt;— Com certeza.&lt;br /&gt;Alívio. O cheiro da rua dispensa apresentações. De novo, o cuidado indispensá-vel com os passos, um a um. O sujeito ao meu lado diz seu nome, Joaquim, José, um nome assim, tão comum quanto o meu. Quando chegamos, pergunta se é preciso des-crever a casa ou basta dizer o número. Respondo que basta o número. Cinquenta e oito, ele diz. Está correto, confirmo, moro aqui. Não é cego de nascença, então?, ele quer saber.&lt;br /&gt; — Não, fui ficando ao poucos. Uma doença degenerativa.&lt;br /&gt; — Ah! &lt;br /&gt; Ele aperta minha mão, diz pra eu aparecer qualquer hora dessas. De onde estamos pra casa da amiga onde ele está hospedado são duas quadras apenas. Eu acertaria? Digo sim, claro, é facílimo andar duas quadras. Ele diz que ficará na cidade até o fim do mês, é do interior, mas vem sempre passar férias, pegar uma praia, apreciaria muito conversar comigo, tomarmos uma cerveja. Eu, por acaso, bebia?&lt;br /&gt; — Muito — digo. &lt;br /&gt;Aquilo estava pra lá de divertido. O cara deveria estar me cantando desde o iní-cio, mas só então dei por mim. &lt;br /&gt; Resolvo exagerar: &lt;br /&gt; — Às vezes, passo dias inteiros bebendo. Como um tubarão no limite entre mar e praia, à espreita de turistas distraídos.&lt;br /&gt; Ele dá gargalhadas, achava boa aquela do tubarão. Apertamos as mãos novamen-te. Ele comenta ser uma pena ter alguém da janela me fiscalizando, ri de novo, se des-pede. &lt;br /&gt; Bárbaro! As pessoas são tão engraçadas, me dão arrepios.&lt;br /&gt; Não entro em casa. Dou um tempo até que o sujeito tenha ido embora. Cidadão, ele me chamou de cidadão. Estaria nalgum canto a observar? Ou voltara pra sua festa? Comentou haver alguém na janela da minha casa, me fiscalizando. Imagine, que delírio! Maurício com certeza ainda está dormindo. &lt;br /&gt; Quero novamente sair sem rumo. Manter o leme firme, não perder o domínio nem cair naquele desejo absurdo de voltar pro quarto, nele permanecer dias seguidos sem sequer me mover. &lt;br /&gt; Carros. Apitos. Vozes masculinas. Estou numa pista ou próximo dela. Será a avenida principal? Se sim, existia uma praça, nesse sentido, em linha reta, darei nela com certeza... Estou indo em linha reta, certo? Se ainda existir a praça, é lógico. As coisas mudam, é verdade, não estou com medo de nada, não me empurrem, não me apavorem. Inferno. &lt;br /&gt;Você é um homem ou um saco de amendoins? &lt;br /&gt;Um saco de amendoins, com certeza. Torrado. Sem pele. &lt;br /&gt;Foi num dia comum assim que me aproximei de Maurício, estava saindo do con-sultório médico, parei na praça pra descansar. É bom sentar nas praças, ouvir as pessoas reclamarem da vida, dos ônibus, do governo, de Deus, ouvindo a música, geralmente ou ruim ou melosa demais, músicas insossas que predominam nos radinhos dos vendedores ambulantes. Era, se não me engano, essa praça pra onde vou agora, ou não, seria aquela outra, atrás do Fórum, onde havia hibiscos brancos num passado tão passado que pode até ser delírio, invencionice minha? &lt;br /&gt; Antes de qualquer coisa ou lugar, existem os charcos. Há o cheiro de substância acumulada, o nojo de ser pego por ela. Há a chuva começando, fininha, quase uma não-chuva, nos enganando, siga, vamos, dá tempo, pode prosseguir, depois, engrossando, sorrateira, de braço dado com o vento, qualquer coisa, plaft!, os dois te levam ao chão. &lt;br /&gt; Uma mão firme cercando a minha, oferecendo ajuda. &lt;br /&gt;Sei que é Maurício por causa da pele. Não que eu saiba explicar exatamente qual elemento que, presente na pele dele, me faz reconhecê-lo de imediato. Isso, realmente, não sei. Quem sabe a mistura deles? O cheiro, a temperatura, a quase ausência de pelos? &lt;br /&gt;Me levanto, ajudado por sua mão. Um resto de lama fica grudado à minha roupa, sinto seu contato úmido no corpo, bato com as mãos tentando tirá-lo de mim.&lt;br /&gt; Ando com o braço sobre os ombros dele. Não arrisco perguntar: é você mesmo, meu amor? Não posso ceder à tentação de quebrar o encanto, feito Orpheu de costas pra Eurídice, a vontade de ver sepultando a de ter. Engulo o silêncio, tudo me parece preci-so, lógico, por isso, ando, tentando limpar a lama da roupa.&lt;br /&gt; Mas, então, ele resmunga pra eu parar de bater nas calças, estava suja, sim, diz entredentes, já era, só água corrente e sabão poderiam limpá-la. Depois, reclama que está de saco cheio, me seguiu, não sabe o que tenho, aonde eu queria ir, quem pretendia encontrar. Estaria de caso com aquele sujeito narigudo? &lt;br /&gt;— Não faltava mais nada! — ele resmunga, impaciente.&lt;br /&gt;       Pergunto qual sujeito narigudo. Maurício se chateia mais, repete várias vezes, separando as sílabas, provavelmente me encarando: você me chateia, muito, em excesso. Desse jeito, ele confessa, não pode ser. &lt;br /&gt;Passamos algum tempo nisso, ele respirando como quem corre uma maratona, eu temendo uma explosão. &lt;br /&gt;       Explico ter entrando por engano numa casa onde havia uma festa. Um sujeito me achou engraçado, se ofereceu pra me trazer de volta. Não sabia se ele era narigudo, peço desculpas, pois. &lt;br /&gt;       Ele ri, de repente. Alto. Jesus Cristo, exclama, como eu poderia ter aquele dom de falar as coisas mais estapafúrdias do mundo?&lt;br /&gt;       Desentendo:&lt;br /&gt;       — Mas o que foi que eu disse, Maurício?&lt;br /&gt;       — Ora, você me pediu desculpas pelo cara ser narigudo!&lt;br /&gt;       — Pois se você parece se incomodar tanto com isso.&lt;br /&gt;       Não, ele diz. Não, meu amor, você não tem juízo nenhum, eu desisto. Me abraça forte. Resolve também pedir desculpas por ter ficado impaciente comigo. Aceito-as de bom grado. Mais tarde, no banho, provavelmente ele cantará &lt;em&gt;Please please please, let me get what I want&lt;/em&gt;. Haverá toques, massagens, esfregões. Haverá toalha macia, café, biscoitos, gozos, revelações. Por tudo isso, dá gosto esperar. Por enquanto, a chuva nos atrapalha, porque é necessário ser ágil o suficiente, saltar poça por poça, e eu dependo do aviso dele: cuidado, tem um charco à sua esquerda. &lt;br /&gt;Ali, no entanto, a um palmo: a felicidade pedra minúscula, a felicidade que não se conta, atrás da porta, à espreita. É fraca, mas eu a tenho, formando véus e divisões. Chamo-a: a última das réstias. Desde o princípio das trevas, esperei-a como se fosse a clareza definitiva, a única possibilidade de me movimentar fora do escuro, e, assim, também absorver o movimento de fora. De Maurício, dos outros seres, dos dias, da at-mosfera. Mas, principalmente, confesso: os movimentos dele, de Maurício, o resto, é preciso que se diga, o resto, realmente, desimporta. &lt;br /&gt;______________________________________________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Este conto faz parte do livro &lt;em&gt;Chuva secreta&lt;/em&gt;, no prelo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-6900933026170491921?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/6900933026170491921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/12/felicidade-nao-se-conta-vencedor-do-20.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/6900933026170491921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/6900933026170491921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/12/felicidade-nao-se-conta-vencedor-do-20.html' title='Felicidade não se conta - vencedor do 20º Concurso Luiz Vilela de Contos'/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-KXvuKbyORhQ/TvKeZ2143XI/AAAAAAAAAYA/P7zJ43je0AI/s72-c/24-11-09_181147.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-5068111889949912749</id><published>2011-07-31T21:42:00.003-02:00</published><updated>2011-08-31T14:29:45.684-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Agora a noite desce envolvendo seus olhos em sonhos, a neblina, a barreira, as fronteiras dos sonhos, preto e brancas, coloridas, povoadas, vazias. Alguma voz de criança te falará de forma vaga e escorregadia de botões de camisa perdidos, de relógios parados na parede de sangue, de flores murchas nos jarros com água apodrecida. De manhã, a voz de criança ofuscada, crepitada pelo sol não te falará mais nada. Estranho mal-estar te faz beber mais café preto e menos suco de frutas na manhã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-5068111889949912749?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/5068111889949912749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/07/agora-noite-desce-envolvendo-seus-olhos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/5068111889949912749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/5068111889949912749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/07/agora-noite-desce-envolvendo-seus-olhos.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-612360378186972141</id><published>2011-07-17T12:59:00.003-02:00</published><updated>2011-07-31T21:47:21.733-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-K3PHY-FWwxM/TiL44rp1y6I/AAAAAAAAAXA/e5Fds4cqzHc/s1600/Foto0209.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-K3PHY-FWwxM/TiL44rp1y6I/AAAAAAAAAXA/e5Fds4cqzHc/s320/Foto0209.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5630336136841120674" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quando me perguntam por aí se ainda vejo você, dentro de minha mente teu espaço se alarga: sua mesa de trabalho, sua cadeira, seus instrumentos, a luminária jogando luz pálida sobre os corpos imóveis de tudo que te cercava. O foco em meu coração: quando você afasta a cadeira e anda dentro dele, ignorando artérias, sangue, dores. O passado dentro de um copo que você pega, leva aos lábios, prova. Que líquido ora beberiam teus lábios? Por onde entrelaçariam seus dedos? Volta a tocar os instrumentos, dentro do meu coração. Há teu quarto, tua cama, você trabalhando, a chuva fina a cair. E um espaço vazio onde eu por certo estaria, todavia, olhando daqui, percebo: não, não estou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-612360378186972141?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/612360378186972141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/07/quando-me-perguntam-por-ai-se-ainda.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/612360378186972141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/612360378186972141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/07/quando-me-perguntam-por-ai-se-ainda.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-K3PHY-FWwxM/TiL44rp1y6I/AAAAAAAAAXA/e5Fds4cqzHc/s72-c/Foto0209.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-6983535868299877439</id><published>2011-05-22T21:14:00.005-02:00</published><updated>2011-05-22T21:33:37.159-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-7z0rCq0uxlY/Tdmc9QxcslI/AAAAAAAAAWk/3oWrT-YBwXM/s1600/cena-de-a-origem-1278631867266_560x400.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 225px; height: 225px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-7z0rCq0uxlY/Tdmc9QxcslI/AAAAAAAAAWk/3oWrT-YBwXM/s320/cena-de-a-origem-1278631867266_560x400.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5609687387154985554" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;Dizem que baiano não nasce, estreia, ou que baiano burro nasce morto, clichês reveladores de uma cultura local capaz de matar e morrer em defesa de sua especificidade. Evidentemente, alguns povos se consideram especiais e mostram sua autoestima através de manifestações artísticas que lhes são peculiares, enquanto outros, mais contidos, precisam de situações cruciais nas quais vemos emergir traços desse egocentrismo, como num mosaico em que a identidade some e reaparece em zonas ora de luz, ora de sombra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum alarme nisso. Trata-se de uma construção de limites entre nós e os outros. Todavia, um traço incômodo da cultura baiana não é a crença de ser, dentre os estados brasileiros, o mais especial, mas a dificuldade infantil de aceitar críticas. Tal traço não se restringe a um grupo social, vai do escritor incapaz de aceitar uma análise negativa ao atendente que não sabe atender. O episódio envolvendo uma das grandes vozes da música brasileira mostra isso. A cantora baiana comentou, no twitter, sobre a qualidade dos serviços em Salvador, um comentário banal (e verdadeiro) que causou rebuliço. Mesmo baianíssima, não lhe concederam o direito de dizer o conhecido: a Bahia tem, sim, um péssimo serviço, mas não é de bom tom apontar. Surgiram argumentos de que os serviços são ruins em todo o Brasil, no Brasil não, no universo inteiro, ou, como diria o Casseta e Planeta, só no universo inteiro não, na Bahia!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Tempos atrás, o artigo dum jornalista baiano trouxe reações iguais: ele escreveu, entre outras coisas, que aqui os homens urinam nas ruas naturalmente, que nossa cultura é limitada, o transporte coletivo é um lixo, quem não tem carro é considerado indigente, o trânsito é um horror, enfim, tudo que já sabemos, mas não queremos ouvir, nem mesmo de quem é baiano também. Novamente foi rebatido: em outros lugares os homens fazem xixi nas ruas, o trânsito é ruim no Rio ou São Paulo etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá entre nós, qual é a importância de deslocar o foco dos nossos problemas para outros lugares onde eles se repetem? Vamos aprender algo com quem está, feito nós, tateando o ofício de ser cidadão, a obrigação de ser humano, a tarefa de ser civilizado? Qual o sentido de se criar tal comparação? Para nos sentir acompanhados? Para nos convencermos de que não somos tão mal assim? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parodiando Nelson Rodrigues, envelheçam, meus caros, envelheçam. Baiano ou não, reconheçamos, apesar de ser o estado mais velho do Brasil, nossa Bahia é uma criança mimada, incapaz de aceitar críticas. Quem sabe, talvez, quando amadurecermos?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-6983535868299877439?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/6983535868299877439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/05/dizem-que-baiano-nao-nasce-estreia-ou.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/6983535868299877439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/6983535868299877439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/05/dizem-que-baiano-nao-nasce-estreia-ou.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-7z0rCq0uxlY/Tdmc9QxcslI/AAAAAAAAAWk/3oWrT-YBwXM/s72-c/cena-de-a-origem-1278631867266_560x400.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-4779675857041263169</id><published>2011-05-02T17:58:00.001-02:00</published><updated>2011-05-02T17:58:41.350-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Me disse que sentia ciúmes de quase tudo, mas, com o tempo, aquela inquietação foi se refinando, passou a soar menos desenfreada no peito, chegou ao ponto de abandonar a esfera crítica do real. Neste ponto, interrompi: como é que é? Esfera crítica do real? Ele confirmou, pouco se abalando com a minha ironia, percebeu que no plano concreto não havia nenhum sujeito que pudesse ameaçá-lo, então, passou a ter ciúmes do abstrato, do onírico, do espiritual. Não entendi. Ele explicou: sabia que uma pessoa que jamais teve a menor chance de rivalizar contigo pode ter os sonhos mais íntimos e mais sublimes justamente com sua mulher? Eu só poderia rir. Mas é verdade, ele continuou, os sonhos não podem ser vigiados, nos sonhos, qualquer homem poderia tê-la nos braços, delirar com ela, os sonhos alheios eram um espaço onde ele jamais penetraria, nunca poderia chegar ali e acertar um murro no meio da cara do filho da puta. E que importância tem isso?, questionei, deixe o cara sonhar, ora, ficará apenas nos sonhos, a mulher em carne e osso continuará sendo sua. Mas não!, ele me repreendeu, não diga isso! Você nem imagina as coisas que um cara pode fazer a sua mulher nos sonhos! Parecia totalmente afetado por aquilo. Ponderei: olha, esqueça isso, não apenas nos sonhos, mas também acordado, qualquer homem pode ver qualquer mulher, minha, sua, não importa, poderá vê-la e fantasiar o que for com ela, até com nossa mãe ele pode delirar, se quiser, e não poderemos impedi-lo. Ele batia na mesa, a mão fechada, mas está errado, está errado, não devia ser assim. Hilário aquilo! Tornava-se cada vez mais ilógico: cidadão, retomei, loucura tem limite, você quer agora controlar os sonhos, os desejos, as fantasias das pessoas? Ele discordou: não exatamente das pessoas e não exatamente quaisquer fantasias, mas apenas aquelas em que sua esposa aparecia. Desdenhei, convicto de estar diante de uma insanidade: ora, meu amigo, deixe disso. É a única zona de liberdade que o sujeito tem. Virou Stalin por acaso? Quer despojar o ser humano da única coisa que lhe confere o status de humano, a subjetividade? Tenha dó. Se fosse uma subjetividade que abarcasse sua esposa, sim, gostaria, ele confessou. O problema era como, como conseguir aquilo, ele soluçou. Começou a perder a graça, já estava patológico demais pro meu gosto: olhe, eu disse enfadado, não perca as esperanças, imbecilidades tão malignas assim são capazes de ganhar concretude, lembre-se que no século XX alguns países quase conseguiram liquidar o homem, desalojá-lo de suas tendências e anseios mais íntimos. Ele me olhou incrédulo: sério? Sim, respondi, sério, algumas ditaduras de esquerda e de direita foram tão perspicazes que individualidades inteiras resultaram em frangalhos ou em meros arremedos. Há ainda resquícios desse câncer aqui e ali. Ele me ouvia atenciosamente, as mãos cruzadas na altura do queixo, a cabeça balançando levemente. Mas onde entrava sua esposa naquilo tudo que eu estava a dizer?, perguntava, onde? Perdi completamente a paciência, bebi o resto de cerveja, pedi a conta. Fosse ao inferno com a esposa dele. Desisti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-4779675857041263169?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/4779675857041263169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/05/me-disse-que-sentia-ciumes-de-quase.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4779675857041263169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4779675857041263169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/05/me-disse-que-sentia-ciumes-de-quase.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-7090816163341902922</id><published>2011-04-30T16:03:00.002-02:00</published><updated>2011-04-30T16:28:56.597-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-2wX7MZnxpRs/TbxPcT_UHiI/AAAAAAAAAV8/ScjsGyn0XB4/s1600/Foto0318.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-2wX7MZnxpRs/TbxPcT_UHiI/AAAAAAAAAV8/ScjsGyn0XB4/s320/Foto0318.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5601439384362819106" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;1. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Papéis inesperados&lt;/span&gt;, de Julio Cortázar: estou ainda no início, mas já me deparei com textos excelentes como "Os gatos" e "Manuscrito achado perto de uma mão". Algumas "sobras" de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Um tal de Lucas&lt;/span&gt; são interessantes, outras, irrelevantes.&lt;br /&gt;2. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Em algum lugar&lt;/span&gt;, de Sophia Coppola: é tão engraçado ler resenhas que consideram essa "a obra mais madura de Sophia"!, outras a ligam a Antonioni (e daí?), como se fosse a maior honra ou prova de qualidade do trabalho. O filme, fora da teoria, nu diante de nossos olhos, sem "introduções e justificativas de uma inserção à cultura do tédio cinematográfica", é chatíssimo. Mas daqueles chatos que nem provocam na gente vontade dizer "chato", tamanha é a obviedade com que sua chatice se desvela diante de nós. Uma pena, porque adorei os filmes anteriores dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-7090816163341902922?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/7090816163341902922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/04/1.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7090816163341902922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7090816163341902922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/04/1.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-2wX7MZnxpRs/TbxPcT_UHiI/AAAAAAAAAV8/ScjsGyn0XB4/s72-c/Foto0318.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-4390640430308038630</id><published>2011-04-21T01:14:00.003-02:00</published><updated>2011-04-21T01:33:28.207-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-zk_pTryvuWM/Ta-hZXPp_RI/AAAAAAAAAV0/iFLbyu1Iv8I/s1600/Foto0260.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-zk_pTryvuWM/Ta-hZXPp_RI/AAAAAAAAAV0/iFLbyu1Iv8I/s320/Foto0260.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5597870318953299218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Coisas, coisinhas &amp; coiselhas:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;1. &lt;em&gt;Cópia fiel&lt;/em&gt;, de Abbas Kiarostami - discussão que não avança além de tudo que já sabemos (Platão, o mundo ideal, o das cópias, Deleuze, a reversão, o simulacro, blábláblá), mas tem os closes em Juliete Binoche, e tem partes de uma Itália convidativa, mais a graça espontânea de alguns personagens desimportantes, como a dona do café onde o falso casal ou a cópia fiel de um casal burguês em crise senta numa manhã de domingo; poderia ser melhor? Sim, poderia;&lt;br /&gt;2. &lt;em&gt;No degrau de ouro&lt;/em&gt;, de Tatiana Tolstaya - contista criativa, faz dos homens-sombras e das mulheres-vultos de uma Rússia desiludida sua principal matéria prima; ela imagina, cria, descreve, vê, acompanha, toca, se afasta, tentando várias maneiras de narrar aquilo que mais nos interessa e nos escapa: o humano; escrita muito dinâmica;&lt;br /&gt;3. Quase feriado: e chove e para e fica aquela brisa com cheiro de chuva tão típica de Salvador em março/abril; não se quer mais dormir, e sim aproveitar a brisa; as noites estariam mais longas ou é impressão?&lt;br /&gt;4. A foto acima é de João Filho, em Mariana, Minas Gerais, no carnaval de 2011.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-4390640430308038630?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/4390640430308038630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/04/coisas-coisinhas-coiselhas-1.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4390640430308038630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4390640430308038630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/04/coisas-coisinhas-coiselhas-1.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-zk_pTryvuWM/Ta-hZXPp_RI/AAAAAAAAAV0/iFLbyu1Iv8I/s72-c/Foto0260.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-3853443069488649324</id><published>2011-03-15T11:22:00.003-02:00</published><updated>2011-03-15T11:36:09.283-02:00</updated><title type='text'>20° Concurso de contos Luiz Vilela</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sai o resultado do 20.º Concurso de Contos Luiz Vilela&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;ITUIUTABA | Marco 4, 2011 as 6:53 pm&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Fundação Cultural de Ituiutaba vem há 20 anos realizando um dos mais importantes concursos literários do país, o Concurso de Contos Luiz Vilela, que homenageia com o seu nome um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, o ituiutabano Luiz Vilela, aqui atualmente residindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2010 foi realizado o 20.º Concurso, com a inscrição de 923 contos. A comissão julgadora, formada por Claudio Willer, de São Paulo, Luzilá Gonçalves Ferreira, de Recife, e Sérgio Rodrigues, do Rio de Janeiro, depois de mais de dois meses de árduo trabalho, chegou agora, no início de março, ao resultado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conto ganhador foi “Felicidade não se conta”, de Állex Leilla, de Salvador. Ela receberá, como prêmio, R$ 5.000,00. Além desse conto, outros nove foram selecionados pelos jurados, sem ordem de classificação, para serem depois publicados em livro, juntamente com o conto premiado. São eles: “Lições de casa”, de Antônio de Pádua Barreto Carvalho (Belo Horizonte); “A flor amarela”, de Bethânia Pires Amaro (Salvador); “Último domingo ao mar”, de Éder Rodrigues (Belo Horizonte); “Nem Julia, nem Tita”, de Elisabete Carvalho Peiruque (Porto Alegre); “Elizeu e Maria e a história que não lhes pertencia” de Emir Ross (Porto Alegre); “Tempo encontrado”, de Rosita Samarani Prates (Nova Santa Rita, RS); “Cão Maior”, de Thomé de Oliveira (Cananéia, SP); “A insustentável leveza do sonho”, de Uili Bergamin (Caxias do Sul, RS); e “x”, de Whisner Fraga (Ribeirão Preto, SP).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DIÁRIO DO PONTAL http://diariodopontal.com.br/noticias/?p=9823&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-3853443069488649324?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/3853443069488649324/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/03/20-concurso-de-contos-luiz-vilela.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3853443069488649324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3853443069488649324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/03/20-concurso-de-contos-luiz-vilela.html' title='20° Concurso de contos Luiz Vilela'/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-7845923163172974399</id><published>2011-02-28T10:27:00.002-02:00</published><updated>2011-02-28T10:50:08.950-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-5_VDlqKs3-8/TWuU7a9DQrI/AAAAAAAAAVs/68p6nEiDG_U/s1600/Foto0217.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-5_VDlqKs3-8/TWuU7a9DQrI/AAAAAAAAAVs/68p6nEiDG_U/s320/Foto0217.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5578716311997072050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Em foco: Bom Jesus da Lapa&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;1.&lt;em&gt; A humilhação&lt;/em&gt;, de Philip Roth: broxante, um dos textos mais fracos do romancista norte-americano. A ideia é muito boa: narrar a história de um ator que, ao envelhecer, se descobre incapaz de continuar a atuar. Basta ler a sinopse em qualquer site que temos imediatamente vontade de ler, entretanto, o livro é palavroso, se perde em cenas bobas, típicas de um filminho de sessão da tarde, e o personagem principal parece mais um ser infantilizado do que alguém em crise existencial. Tem um mérito para quem se importa com a extensão das histórias: é curta. Meu desgosto pode também ser explicado devido à leitura de &lt;em&gt;A humilhação&lt;/em&gt; ter sido precedida por &lt;em&gt;O animal agonizante&lt;/em&gt;, que é uma narrativa-pérola de Roth acerca da velhice, do medo de se entregar, e das surpresas do destino. &lt;br /&gt;2.Abrir o peito, deixar entrar o sol meio mormaço da manhã, esta sensação de partida, de logo mais estar a embarcar, um gosto de quando a infância ainda vigorava, como explicar?&lt;br /&gt;3.O contraste gritante com a cidade barulhenta, fora dos eixos, a cidade se preparando para o carnaval. Só nos resta esquecê-la, abandoná-la, retornar apenas quando tudo estiver acabado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-7845923163172974399?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/7845923163172974399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/02/em-foco-bom-jesus-da-lapa-1.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7845923163172974399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7845923163172974399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/02/em-foco-bom-jesus-da-lapa-1.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-5_VDlqKs3-8/TWuU7a9DQrI/AAAAAAAAAVs/68p6nEiDG_U/s72-c/Foto0217.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-6323335602630317256</id><published>2011-02-19T11:52:00.003-02:00</published><updated>2011-02-19T11:55:15.128-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-_bLRiJXvqi4/TV_LoMoD2xI/AAAAAAAAAUs/GxP50DV0NYE/s1600/Foto0240.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-_bLRiJXvqi4/TV_LoMoD2xI/AAAAAAAAAUs/GxP50DV0NYE/s320/Foto0240.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5575398755152419602" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(Foto by João Filho)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os seres deste planeta fizeram um pacto com o demônio, aonde vou, a qualquer hora do dia ou da noite, há bolas de fogo saltando, irrompendo, ofuscando. Há bolas de fogo restringindo, cerceando. O mundo é uma loucura de nervos. Alço voo até o limite do céu, mas todos os céus estão fechados, e meu corpo não os ultrapassa. Preciso ir embora deste mundo. Os seres deste planeta com suas bolas de fogo! Estou farto de viver me esquivando delas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-6323335602630317256?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/6323335602630317256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/02/foto-by-joao-filho-os-seres-deste.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/6323335602630317256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/6323335602630317256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/02/foto-by-joao-filho-os-seres-deste.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-_bLRiJXvqi4/TV_LoMoD2xI/AAAAAAAAAUs/GxP50DV0NYE/s72-c/Foto0240.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-292928296361653719</id><published>2011-02-17T21:15:00.002-02:00</published><updated>2011-02-17T21:19:55.507-02:00</updated><title type='text'>Cortázar, o Julio.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-6xT3Sx829Yg/TV2tAqg2d9I/AAAAAAAAAUc/sZnQplS3hZ4/s1600/cena-de-a-origem-1278631867266_560x400.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 142px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-6xT3Sx829Yg/TV2tAqg2d9I/AAAAAAAAAUc/sZnQplS3hZ4/s200/cena-de-a-origem-1278631867266_560x400.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5574802140678223826" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;1. Terminei de ler Exame final, uma narrativa experimental de Julio Cortázar, anterior ao romance Os prêmios. Sabe-se que a narrativa foi engavetada pelo autor, que não voltou a ela enquanto vivo, no entanto, voltamos nós, leitores, incapazes de dizer "não" à enxurrada de títulos póstumos oferecidos pelo mercado. Diante da admiração cada vez mais forte que tenho por Cortázar, sucumbo facilmente ao apelo e compro, todo mês, um novo livro. Não quero comprar todos de uma só vez, porque vou adiando o prazer de adquirir e, posteriormente, ler "algo novo" de Cortázar. Os "algos novos" ficam empilhados na prateleira dos não-lidos; nas férias, um deles migra pro quarto a fim de me fazer companhia duas, quatro noites, por vezes, semanas - a depender da fluência de cada livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Ler Cortázar é um prazer singular, difícil de ser transmitido, pois, para além do conteúdo das narrativas, para além da linguagem, do talento dele, há uma atmosfera típica em seus textos, uma cor que se instala, um cheiro, uma estação específica onde descemos e habitamos temporariamente. Vivência plena, porém, impossível de ser descrita - embora seja exatamente isso que ora tento, sabendo que tomarei, mesmo sem querer, palavras e caminhos óbvios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Infelizmente, Exame final não é um bom livro, ainda que traga a atmosfera, a cor, a estação típica de Cortázar. Trata-se de uma narrativa walking-write, na qual um grupo de amigos passeia por uma Buenos Aires cheia de protestos, de violência, de zonas tensas e proibidas. Nos diálogos traçados pelos amigos se cruzam intertextos vários - letras de músicas, literatura, jornais, filmes etc. -, debaixo de um pano político que é mais sugerido que narrado. Um clima de suspense atravessa o livro, enquanto os amigos perambulam pela cidade, vãos a praças, bares, assistem a concertos, aguardando a hora para realização de uma prova, do "exame final".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. O autor escolheu brincar com as formas de se grafar um texto numa página, a fim de captar os rumores e dinamismo não apenas do pensamento das pessoas/personagens, mas também dos acontecimentos numa Buenos Aires em polvorosa. Demora-se, portanto, a entrar no ritmo da narrativa, pois é preciso compreender mais o ritmo do que o sentido de certos parágrafos despedaçados. Mas a forma não dificulta a leitura, o que dificulta é, sobretudo, a falta de uma razão que nos impulsione a continuar lendo. Vão fazer um exame, sim, e daí? Perambulam pela cidade matando hora, sim, e daí? São pessoas cultas e cheias de visões filosóficas e políticas do mundo, sim, sim... Há um contexto político no entorno. Sim, sim, e daí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. É um livro de Cortázar, tem o estilo de Cortázar, mas não é O CORTÁZAR, compreende? Falta alguma coisa nele. Não a atmosfera, nem a cor, nem a estação. Falta alguma coisa de grande, de indiscutível, algum propósito maior, aquilo que ultrapassa o mero exercício de estilo. Sim, é doloroso pra um leitor dizer isso: mas dessa vez, reconheço, o autor tinha razão quando o engavetou, não precisava ser publicado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-292928296361653719?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/292928296361653719/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/02/1.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/292928296361653719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/292928296361653719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/02/1.html' title='Cortázar, o Julio.'/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-6xT3Sx829Yg/TV2tAqg2d9I/AAAAAAAAAUc/sZnQplS3hZ4/s72-c/cena-de-a-origem-1278631867266_560x400.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-3656910434940298384</id><published>2011-02-13T23:39:00.004-02:00</published><updated>2011-02-13T23:56:29.024-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-MVcE_963ZgY/TViJ8CTwndI/AAAAAAAAATU/T-UfAfeka5o/s1600/chao_branco.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-MVcE_963ZgY/TViJ8CTwndI/AAAAAAAAATU/T-UfAfeka5o/s320/chao_branco.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573356203375893970" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Foi lá naquele pedacinho de varanda, entre o lírio branco que de uns tempos pra cá inventou de querer morrer e as samambaias em vasos de gesso pintado, que ela disse lembrar por vezes de Drummond afirmando que Deus era grande e cabia numa janela inteira para o mar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Piscando os olhos, ela, naquele jeito meio índia desbotada por não ter mais nenhum resquício de um dia ter sido índia a não ser o leve puxado dos olhos, encarando a linha do horizonte e enrolando o cabelo lisíssimamente marrom, ela disse exatamente assim: segundo Drummond, Deus era grande e cabia numa janela inteira para o mar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado de cá, ele suspirou a fim de manter sua serenidade, conseguida há milênios, e respondeu, devagar, morno, naquele jeito de consertar o impossível, ele respondeu que não compreendia por qual razão ela pegava frases de alguém, misturava com de outrem, rasurava, mexia nos sentidos, na estrutura, e, não satisfeita com a mudança dos sentidos, ainda achava de confundir as autorias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ia gargalhar, mas se conteve, porque ele a encarava, calmo, morno, esse seu jeito de sempre, e consertava, pacífico: Drummond jamais falara em grandeza de deus algum, o que Drummond dissera, ou antes, escrevera, que poeta não diz coisa alguma e se disser muito pouco se aproveitará, o que escrevera, enfim, foi: o amor é grande e cabe numa janela para o mar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-3656910434940298384?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/3656910434940298384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/02/foi-la-naquele-pedacinho-de-varanda.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3656910434940298384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3656910434940298384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/02/foi-la-naquele-pedacinho-de-varanda.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-MVcE_963ZgY/TViJ8CTwndI/AAAAAAAAATU/T-UfAfeka5o/s72-c/chao_branco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-5221948173791629082</id><published>2011-01-10T13:11:00.002-02:00</published><updated>2011-01-10T13:22:47.612-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TSsi2j96x5I/AAAAAAAAATI/aX4wyHhQT9c/s1600/cena-de-a-origem-1278631867266_560x400.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TSsi2j96x5I/AAAAAAAAATI/aX4wyHhQT9c/s320/cena-de-a-origem-1278631867266_560x400.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560576485682235282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Contei a ele que sonhamos com a mãe dele presa numa casa toda de cristais e gelo. Ele respondeu que havia uma casa assim no filme do Super-homem.&lt;br /&gt;— Qual Super-homem? O do Christopher Reaver? &lt;br /&gt;Ele suspira, impaciente:&lt;br /&gt;— E existe outro Super-homem, meu pai?&lt;br /&gt;— Milhares. Eu já vi pelo menos uns sete.&lt;br /&gt;Ele arregala os olhos:&lt;br /&gt;— Você conhece sete Super-homens? &lt;br /&gt;Confirmamos. Talvez até mais.&lt;br /&gt;— Não, você está maluco. Só existiram três. E todos eram o Christopher Reaver. &lt;br /&gt;— Não, senhor. Há muitos outros. Com a mesma origem, a mesma roupa, os mesmos poderes, os mesmos problemas, a mesma namorada jornalista.&lt;br /&gt;— Mentira, você está inventando, meu pai. &lt;br /&gt;Não, não estávamos inventando. Inclusive há um canal a cabo, não lembramos direito, mas há, onde passam um Super-homem muito jovem, confuso, confuso, o rapaz. De olhos azuis também. Nem se sabe Super-homem ainda, está a se descobrir.&lt;br /&gt;Ele nos olha, confuso:&lt;br /&gt;— Como assim um super-homem que não sabe que é Super-homem? &lt;br /&gt;— Exatamente. É uma série que se reporta ao início de tudo. Esse rapaz está se descobrindo ainda. Aquela velha história da jornada do herói... compreende? &lt;br /&gt;— Estamos feitos, então... É tipo o Neo, no início da Matrix?&lt;br /&gt;Não, não tinha nada a ver com Matrix. Evitamos demonstrar nossa real antipatia por esse filminho intelectualoide, cultuado tanto por ele quanto pela mãe. &lt;br /&gt;— É apenas um super-homem adolescente.&lt;br /&gt;— Você assiste a este troço, meu pai?&lt;br /&gt;Assistimos, certa feita. De onde tiraríamos tais detalhes, se não víssemos alguns episódios? Mas desistimos no meio da temporada. Era cansativo. De qualquer forma, o que queríamos com tal exemplo era justamente mostrar a ele que, ao contrário de sua mania de fixar determinadas referências como únicas, existiam muitos super-homens espalhados pelo mundo. Nós conhecíamos cerca de quatro a seis, quiçá sete, e olhe que nem éramos da geração-quadrinhos, como ele.&lt;br /&gt;— Que absurdo! — ele protestou, fingindo-se de magoado. — Sete super-homens! Com certeza, deve ser tudo boiola. &lt;br /&gt;Uma qualidade do nosso filho era fazer comentários imprevisíveis e engraçados assim. Gargalhamos juntos, enquanto ele inventava apelidos, posições e até cenas esdrúxulas para se vingar dos sete super-homens que vieram bagunçar sua compreensão de mundo. Afinal, nos esquecemos completamente do sonho com a mãe dele, que era o que nos interessava falar no início da conversa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-5221948173791629082?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/5221948173791629082/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/01/contei-ele-que-sonhamos-com-mae-dele.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/5221948173791629082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/5221948173791629082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2011/01/contei-ele-que-sonhamos-com-mae-dele.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TSsi2j96x5I/AAAAAAAAATI/aX4wyHhQT9c/s72-c/cena-de-a-origem-1278631867266_560x400.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-5707431556795329674</id><published>2010-12-19T00:06:00.002-02:00</published><updated>2010-12-19T00:11:35.511-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>LEILLA, Állex. &lt;em&gt;Primavera nos ossos&lt;/em&gt;. São Paulo: Casarão do Verbo, 2010. 278p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trecho do romance:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Entre o bambuzal, a luz fraca das 4h:30, 4h:40, quase 5h:00 da manhã. Enquanto o sol se desloca invadindo a cidade, a sombra do rosto dela vai de poste em poste. Passando, repassando, qual janela de carro, capturando, refletindo-se nos pedaços da paisagem. O rosto dela. O contorno oval, exalando cheiro de gente machucada. O centro vago, escondido atrás dos cabelos. Podemos dizer sem erro que é de vento e areia o meio da cara dela. Mas não, diremos melhor: na verdade, o vento, a areia, o rosto e os cabelos pouco importam, a verdade é que ela emerge do inferno, a verdade é que ela retorna à vida. Embaçada. Descongelada. Sozinha. Assim:&lt;br /&gt; Levanta-se. Confere a roupa um tanto rasgada, suja de sangue. Ajeita-a. Passa as mãos sobre o tecido tentando limpá-lo. Em vão. Conforme Dante, no inferno faz frio de travar os ossos. Movimentos pelo avesso. Anda devagar como se ainda carregasse por dentro o torpor do susto levado horas atrás, ao se certificar que se tratava, de fato, de um ataque. &lt;br /&gt; Beira de morte, amputação. &lt;br /&gt; A pancada. &lt;br /&gt; A bordoada. &lt;br /&gt; Basta trazer à tona uma faísca do vivido que, feito relâmpago, no automático, a lembrança da agressão vem viva: uma serpente à espreita, um dragão preparando a cusparada de fogo. &lt;br /&gt; Sacode a cabeça, evitando que a faísca pegue fogo, atraindo-a novamente pro olho do incêndio. Concentra-se nisto: despistar o registro da agressão na memória, carvão em brasa lhe trazendo tontura, imprecisão. Despistar e cuidar de outra realidade que lhe crava a carne desde que abriu os olhos: a dor. Mais forte que a lembrança do ataque sofrido, o que lhe perfura a carne é a dor de alicate puxando os dentes. A dor de água escaldando pés, mãos, pescoço, sexo, seios. Principalmente ali, nos bicos dos seios mordidos. E as marcas de roxo pisado, ela murmura, apalpando-se, sairão algum dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Fácil é pensar em falar com ele. Não como quem retorna de uma rápida perda de consciência e, confusa, põe-se a dialogar com o que não existe. Não isso de borboleta errante procurando pouso em flores baldias. Que isso, apesar de bonito, é torto e não ameniza dor nenhuma. &lt;br /&gt; Nada de inventar fugas, reticências ou abstrações. Se pudesse estar olhos nos olhos com ele, comentar qualquer bobagem — não da dor, da dor agora não —, cercar-se de coisas leves, comentários sobre a primavera, sobre café expresso com creme, sobre a temperatura certa do vinho tinto, sobre fumar ou não fumar cigarros mentolados, sobre as condições do tempo em Salvador. Algo meio folha de amendoeira ao vento: leve em suas reentrâncias avermelhadas, inútil em sua função original. Que amigos, amigos verdadeiros, ela leu em algum lugar e ainda se lembra, precisam apenas de proximidade, não de conteúdo ou confissões. Precisam é estalar a língua no ar, chegarem a um palmo do coração do outro, mas não adentrarem, permanecerem do lado de fora, feito guardiões que contam histórias pra enganar o amanhecer. &lt;br /&gt; Uma conversa apoio para o corpo, uma conversa pilastra, coluna grega pra escorar a dor. Escore esta hemorragia, querido. Faça em segredo uma simpatia pro corpo se endireitar de novo, pra dor ficar comportadinha. Não tão aguda. Boazinha na vitrine, como dizia Baudelaire, redizia Ana C., rediremos agora, por que não?, boazinha e anestesiada, por favor. &lt;br /&gt; É preciso um passo, depois outro. Dentro do inferno, sobra monóxido de carbono. De dentro do inferno, deve se sair de fininho, mas com precisão. &lt;br /&gt; Novamente, o renascer. Cante uma canção antiga: te furamos com espinho, você era rosa e não sangrou; te furamos com agulha, teu corpo era novelo e se bifurcou; te furamos com a mão de Deus, você era deusa e graciosamente desviou. &lt;br /&gt; Tão simples pedir ajuda a ele. &lt;br /&gt; Tão impossível obter. &lt;br /&gt;Um demônio toca piano. &lt;br /&gt;Ou seria clarineta? &lt;br /&gt;Um demônio dança longe. &lt;br /&gt;Ou seria dentro?&lt;br /&gt; Enquanto tenta localizá-lo na mente, falar de tudo, menos da violência, com ele e tão somente com ele, sente o mundo, o tempo escurecer. Tropeça na fraqueza: tonteira e despreparo pra arrumar os acontecimentos. O canal da mente se fecha. A imagem dele some. &lt;br /&gt; Desgraça. &lt;br /&gt; Desaparece aquela voz serena, aquela calmaria de lençóis de cetim que é estar aninhada a ele. &lt;br /&gt; Miséria. &lt;br /&gt; Como chegar perto, como aspirar de novo detrás da orelha dele aquele cheiro que só naquele cantinho da orelha dele tem? &lt;br /&gt; Alisar os cabelos dele, encostar levemente os lábios, dizer eu fui violentada, meu amor. &lt;br /&gt; Assim sairia do inferno, assim estaria de volta à vida.&lt;br /&gt; Bastava pensar no acontecimento, deveria dizer assim mesmo o que lhe sucedera? A-con-te-ci-men-to? &lt;br /&gt; Não, não tem problema, entre eles jamais existiu qualquer segredo. &lt;br /&gt; Bastava pensar, pra perder outra vez voz, olfato, visão. &lt;br /&gt; Comichão maldito se estrebuchando: como organizar tudo em meia dúzia de palavras?&lt;br /&gt; Não, não tem problema. Mais linguagem do que ela era capaz de inventar no dia a dia de sua agência? Ora, quem mais? Podia vender qualquer coisa manipulando as imagens, as palavras, qualquer coisa, caros senhores, prezadas senhoras. Não tem problema, acharia um jeito de traduzir, amanhã, mês que vem, por que não?, agendaria tal demanda, sure, dear: eu fui violentada, assim, à queima-roupa, ficava bem?&lt;br /&gt; Não podia nem conceber aquilo que o cérebro completamente perdido cochichava aos outros órgãos. &lt;br /&gt; Estamos em perigo, mas ainda temos chance. &lt;br /&gt; Um inimigo se espalha.&lt;br /&gt; Não tente dar conta de tudo, aprenda a delegar tarefas, faça como os grandes líderes, partilhe o poder e ele se multiplicará.&lt;br /&gt; De quem são essas frases ridículas?&lt;br /&gt; Acabei de ser estuprada, querido, venha me buscar no meio da rua, me leve pra uma piscina de águas termais.&lt;br /&gt; Nada há de ser tão sem saídas: vamos tentar outro caminho?&lt;br /&gt; O corpo se eriça, qual bicho cujo caco de vidro adentrou fundo que nem noção do que é ser bicho atacado por um caco de vidro se tem mais, pois que completamente estraçalhado.&lt;br /&gt; Feito carne moída a dor. Pernas se recusando a andar, olhos secando, células partidas, neurônios desconectados. Repetir pra si, pra ninguém: quase me arrancaram a vida minutos atrás. Veja: sai sangue da boca, do sexo, do ânus. Sai sangue até das unhas e não há como detê-lo. É preciso chegar em casa imediatamente, tomar banho, vestir uma roupa limpa, necessariamente de algodão, e cair na cama. &lt;br /&gt; Mas voltar pra casa? Como poderia? &lt;br /&gt; Torna a ver o mundo escorregadio e cai. Cai sem ouvir a resposta dele. Sem conseguir visualizar a mão cheia de pelos dele. Estendida. Salvando-a. &lt;br /&gt; Cai e vai apagando. A mente soletrando the end, finish, acabou. Como uma inimiga pirracenta, a mente projetando mortalhas de seda vermelho-sangrento, úmidas num varal, orquestradas pelo vento. O último orgasmo com ele, quente de se querer morrer logo naquele quente que vem voltando ainda mais quente, ontem, ali, aquele copo com conhaque num sábado chuvoso. Uma tarde, acolá. Antes de ele confessar que amava outro cara, antes de ele querer ir embora.&lt;br /&gt; Por quê, meu Deus, por quê?&lt;br /&gt; Sua vida acabou, minha querida, encare os fatos.&lt;br /&gt; Quando Deus se rarefaz, a vida acaba. Aprendera isso, certa vez.&lt;br /&gt; La vita è finita, hai capito? &lt;br /&gt; Perseguição em língua estrangeira. &lt;br /&gt; Talvez fosse isto: fechar os olhos, se entregar. Por mais que amedronte, a escuridão sempre promete um alívio pra dor. Ficar imóvel, desaparecer dentro dela, poeira na luz solar. &lt;br /&gt; Besta quadrada é qualquer existência. Viver não vale o esforço com que valentemente se inspira-expira. &lt;br /&gt; A vida. &lt;br /&gt; Miudinha. &lt;br /&gt; Pedregulha embaixo dos pés. &lt;br /&gt;Incrível como os olhos se entregam fácil, acomodando-se à falta de luz. O resto do corpo, porém, não. O resto do corpo é luta feroz, a fim de qualquer migalha de claridade ou lógica. Rumina, resiste, se desprega da alma. Tem vida própria, arrepio de corrente, tempestades. Enquanto a alma é longe, tão longe, tanto tempo, dias, meses, séculos atrás, enquanto a alma quer saber apenas de ficar quieta, de entregar os pontos, de não estar, a carne toma outro rumo. A carne é presente sólido, exigindo nova chance, se autoimpondo um recomeço. &lt;br /&gt;Provavelmente, os vermes aproveitarão tanta energia gasta entre um polo e outro, pois são os vermes que espreitam a guerra entre corpo e alma, de camarote, aguardando o desfecho.&lt;br /&gt; Vontade antiga impulsionando: vencer. &lt;br /&gt; De onde, para quê, por que vem? &lt;br /&gt; Não sabe. Desimporta. Reaprende.&lt;br /&gt; A luz de uma vida inteira.&lt;br /&gt; Quer ver a luz do sol. Não se entregar. &lt;br /&gt; Desperta outra vez. Anda cambaleando, depois consegue andar um pouco mais firme, lutando contra a tontura que nasce na cabeça e vai se espalhando pelo tronco até mordiscar os pés. Nos pés e mãos, agulhas trabalham a cada passo. &lt;br /&gt; Ignora-as. Esfrega os pulsos, abandona o terreno baldio para onde foi levada, à força. Na subida, avista um viaduto. A memória é suficiente pra reconhecer onde está. &lt;br /&gt; Orienta-se pelo velho viaduto encravado no centro da cidade, acima de sua cabeça. Atravessa o estacionamento. Esfrega de novo os pulsos marcados. &lt;br /&gt; Então, a abandonaram no centro, sem moto, sangrando, sem dinheiro. &lt;br /&gt; Muito bem, muito bem. &lt;br /&gt; Um rapaz vai passando, perto da árvore velha que sombreia cheia de vida uma parte da calçada. Franze a testa ao vê-la:&lt;br /&gt; — Precisa de ajuda, moça?&lt;br /&gt; De calças jeans e boné verde-cana. Vem correndo, assustado, ao encontro dela.&lt;br /&gt; — O que aconteceu, dona?&lt;br /&gt; Ela tenta calcular as horas enquanto se apoia no ombro dele.&lt;br /&gt; — Você precisa de ajuda? — ele volta a perguntar, confuso. &lt;br /&gt; Ela o encara. Ele torce as mãos.&lt;br /&gt; Sim, queridinho, toda a ajuda possível, como não?, veja, acabara de perceber: ia precisar matar dois homens logo, logo. O pensamento foi tão rápido que ela mal acreditou: does the body rule the mind or does the mind rule the body? Ligar mais tarde pro Príncipe da Ironia, pro Deus da Melancolia Infinita e perguntar: então, querido, você já conseguiu uma resposta precisa? &lt;br /&gt;Lembrar dessa música é pender de novo no vácuo. Passaram-se tantos, mas tantos anos. Ela era adolescente e queria sair do Brasil. Essa canção no café da manhã, essa canção na hora do almoço, essa canção antes de dormir. O corpo governa a mente ou é a mente quem o dirige o corpo? What’s the diference makes? Gostava até mais quando ocorria o contrário, quando o coração vinha mais ágil e tomava o centro. Uma vida dirigida pela emoção, uma vida sessão da tarde, em vez daquela tão pragmática a que estava acostumada, se pudesse escolher, o que de fato escolheria? &lt;br /&gt; O rapaz pergunta novamente se ela precisa de ajuda, se fora atropelada, se estava doente. Ela balança a cabeça, negando. Se não tivesse a garganta tão seca, diria que sim, fora atropelada, não: triturada, melhor: moída. Acabaram de passar feito um trator por cima de toda a sua existência. &lt;br /&gt; Nenhuma novidade aí, preste atenção: o mundo é um moinho, cantava aquele sambista. É o bonde do mal na rua, registrou aquele guitarrista, e a paz de alguém está por acabar. &lt;br /&gt; Ah!, como ela precisava de socorro. Todos, qualquer um. Principalmente: um copo de água gelada. Água que soubesse cair límpida na garganta, sem arranhar ao descer pelo interior do corpo. Depois, um longo descanso entre as nuvens de algodão da infância, aquelas que de segundo em segundo se transformam em outras, mexendo-se, derramadas, entre os espaços azuis do céu. Gotas de alguma chuva nova em seu corpo, quiçá um arco-íris interrompido por trás dos prédios. &lt;br /&gt; E ainda: os revólveres mais velozes do mundo, gatilhos estridentes, canhões de última geração, e pólvora, muita pólvora pra explodir todos os pênis desconhecidos pelo ar. Ou, um tanto mais primitiva, por que não?, navalhas pra arrancá-los dos corpos, leques e chumaços de algodão com álcool no nariz pra poder acompanhar a queima deles sem ter que sentir o cheiro podre infestando. &lt;br /&gt; O que mais se pode desejar neste instante? Cortar fora todos os malditos pênis de todos os malditos homens do planeta. Fazer uma fogueira com eles e dançar ao redor, como fazem os índios para pedir aos deuses que mandem chuva. Porém, ela, se pudesse, pediria aos berros ao deus que houvesse naquele instante, à escuta, para mandar reinar não a chuva, mas a impotência, mandar vir não o fracasso, mas a esterilidade, mil defeitos incorrigíveis, grotescos, fatais, capazes de confundir a raça masculina, ameaçá-la, extingui-la, assim como deveria ter sido desde o princípio, fosse agora por todos os séculos e séculos. &lt;br /&gt; Todavia, a garganta está mesmo complicada e uma única sentença cabe:&lt;br /&gt; — Me leve à delegacia. &lt;br /&gt; É tudo que pode dizer ao rapaz, apoiando-se nele apenas o necessário pra conseguir andar. Contato mínimo, antes que enlouquecesse de vez e esganasse o inocente, tão desconhecido, tão solícito. &lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Empurrar o corpo pra frente. So-bre-vi-ver. Mão na testa, limpar o suor. Todos os deuses dançam no jardim arruinado lá na frente. Visão embaçada de sinais. Sacudir a cabeça. Respirar. Um curativo no nariz esconde o machucado das vistas. Vem o vento no meio das pernas dizer que ela está viva. Mas não queria ouvir o vento. Ele tem uma melodia cretina. De vez em quando, joga-a em nosso ouvido. Não apenas cretina, inútil. Pele queimada de sol. Sol demais mata, o fogo se espalha, estraga a plantação. Socorro confuso de mãos competentes. Ágeis. Mãos silenciosas que limpam a sujeira, trazem analgésicos, e dizem pra ela ficar tranquila, pois tudo acabará bem.&lt;br /&gt; Acabará? &lt;br /&gt; Sim, isto é um hospital, relaxe, estão cuidando de ti. &lt;br /&gt; Cabelos penteados pra trás, braço puxado, osso deslocado, mais dor. &lt;br /&gt; Calma. Esta dor é bobinha, dá pra suportar.&lt;br /&gt; Venha, Luísa. &lt;br /&gt; Força. &lt;br /&gt; Por aqui.&lt;br /&gt; Vozes além. &lt;br /&gt; Anjos? &lt;br /&gt; Querer fechar os olhos e não poder. Tem fios de nylon nos olhos. &lt;br /&gt; Anjos tocando coisas impossíveis de serem ouvidas. &lt;br /&gt; Quem foi o miserável que pôs fios de nylon pra segurar os olhos dela? &lt;br /&gt; Mania esquisita de imaginar um mundo melhor, porém, invisível. Seres do outro lado, ofertando proteção. Se fosse assim, minutos atrás, onde estariam os malditos anjos? &lt;br /&gt; Gritos inesperados. &lt;br /&gt; Não vai dar certo. Parem. Filhos de uma puta. É melhor desistir. &lt;br /&gt; Por favor: apaga a lâmpada que é hora de dormir. Por favor: acende a lâmpada que é hora de entender.&lt;br /&gt; Cheiro de éter que não havia, cama de hospital que não havia, pessoas com olhos de lobo: também não havia. É noite escura e mesmo assim o sol queima a pele sem filtro solar.&lt;br /&gt; Ouvir a própria voz irromper: infeeeeeeeerno, vão embora, desgraçados, ninguém quer ouvir harpas ou canções. &lt;br /&gt; Definitivamente: o tempo está acabando.&lt;br /&gt; Não pode ser. Como se fosse a voz de outra pessoa: falando amenidades num quarto de hospital.&lt;br /&gt; Às vezes, se esquece mesmo de passar filtro solar. &lt;br /&gt; Ora, que importa? Não chateie com inutilidades assim. Quem quer saber de câncer de pele depois de um estupro? &lt;br /&gt; Pro diabo, pro diabo.&lt;br /&gt; A voz liberta, independente, decidida: vou arrancar cada pedacinho deles, vou arrancar com os dentes, mastigar e cuspir. &lt;br /&gt; As pessoas: olham, olham. Cochicham. Horrorizadas. Piedosas.&lt;br /&gt; Não consegue mais fingir: só pensa em como irá fazê-los sofrer também. &lt;br /&gt; Veja: o ruído da vida é desarmônico, pega de todos os lados, entra pelos ouvidos, se espalha pelos pulmões. O ruído da vida traz fome, faz os intestinos funcionarem, a vaidade retornar. Como se misturar a ele de novo, como não estar decepada, longe dele, longe de tudo? &lt;br /&gt; Ela penteia os cabelos, enquanto ouve, numa língua que não é mais sua porém sempre haverá de lhe pertencer, as notícias de seu corpo trazidas por pessoas de aventais ora brancos, ora verdes. &lt;br /&gt; Os aventais ora brancos ora verdes saracoteiam dentro do quarto. Perdem-se em tortas explicações. O código deles é escorregadio. Os sons se movimentam numa fase de transição. Provavelmente quando o português ainda não era, de fato, português, mas algo indefinido, ainda pela metade, tentando, em desespero, ignorar a parte faltante: piano de cauda sem as teclas pretas; bailarino sem técnica insistindo no salto. &lt;br /&gt; Que coisa desprovida de razão: escutar uma língua que fica frouxa justamente por tanto querer ser exata; mais que isso: inválida; pior: ineficaz. &lt;br /&gt; Ao ouvir os aventais ora brancos ora verdes, ela pesca uma palavra aqui, outra ali. Desconfia que o que falam pode soar em espanhol a qualquer hora, mas não soa. Pode lembrar italiano de repente, pra um brasileiro cosa picola in italiano é compreensível, não? Bene, bene, guarda, sono qui, percebe? Trata-se de línguas aparentadas, aprendera tanto tempo atrás. Grazie Mille. Perfeitamente. Quase tudo é passível de conserto. Olhe nos meus olhos, ouça esta canção: faz tempo que não sei de sua vida, peça alguém pra contar como foi o seu dia, esquece essas paredes, me abrace outra vez. &lt;br /&gt;       Porém: não.&lt;br /&gt;       Todavia, não. [...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-5707431556795329674?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/5707431556795329674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/12/leilla-allex.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/5707431556795329674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/5707431556795329674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/12/leilla-allex.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-111216369817408495</id><published>2010-12-17T11:22:00.008-02:00</published><updated>2010-12-17T11:26:04.775-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TQtk40LBSUI/AAAAAAAAASw/eqE9cupp4Y8/s1600/lan%25C3%25A7amento%2Bde%2Bprimavera16"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TQtk40LBSUI/AAAAAAAAASw/eqE9cupp4Y8/s320/lan%25C3%25A7amento%2Bde%2Bprimavera16" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5551641892904585538" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TQtkzjQV1qI/AAAAAAAAASo/WUcakAQ9Tbw/s1600/lan%25C3%25A7amento%2Bde%2Bprimavera15"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TQtkzjQV1qI/AAAAAAAAASo/WUcakAQ9Tbw/s320/lan%25C3%25A7amento%2Bde%2Bprimavera15" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5551641802464155298" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TQtkup8jPoI/AAAAAAAAASg/Hrn_91pIukI/s1600/lan%25C3%25A7amento%2Bde%2Bprimavera14"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TQtkup8jPoI/AAAAAAAAASg/Hrn_91pIukI/s320/lan%25C3%25A7amento%2Bde%2Bprimavera14" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5551641718360850050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TQtkqCLnZXI/AAAAAAAAASY/D98-8WLivcc/s1600/lan%25C3%25A7amento%2Bde%2Bprimavera13"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TQtkqCLnZXI/AAAAAAAAASY/D98-8WLivcc/s320/lan%25C3%25A7amento%2Bde%2Bprimavera13" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5551641638967141746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TQtkjQTHYXI/AAAAAAAAASQ/D6IXwSTx40M/s1600/lan%25C3%25A7amento%2Bde%2Bprimavera12"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TQtkjQTHYXI/AAAAAAAAASQ/D6IXwSTx40M/s320/lan%25C3%25A7amento%2Bde%2Bprimavera12" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5551641522497610098" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TQtkdR7SSFI/AAAAAAAAASI/Z-At2CKMuLU/s1600/lan%25C3%25A7amento%2Bde%2Bprimavera11"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TQtkdR7SSFI/AAAAAAAAASI/Z-At2CKMuLU/s320/lan%25C3%25A7amento%2Bde%2Bprimavera11" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5551641419855317074" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TQtkXAH9Y_I/AAAAAAAAASA/9qa5siDyTlY/s1600/lan%25C3%25A7amento%2Bde%2Bprimavera10"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TQtkXAH9Y_I/AAAAAAAAASA/9qa5siDyTlY/s320/lan%25C3%25A7amento%2Bde%2Bprimavera10" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5551641311997420530" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Momentos &lt;em&gt;&lt;/em&gt;Primavera nos Ossos&lt;em&gt;&lt;/em&gt;, quarta-feira, dia 15/12, na Livraria Cultura:&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-111216369817408495?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/111216369817408495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/12/momentos-primavera-nos-ossos-quarta.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/111216369817408495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/111216369817408495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/12/momentos-primavera-nos-ossos-quarta.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TQtk40LBSUI/AAAAAAAAASw/eqE9cupp4Y8/s72-c/lan%25C3%25A7amento%2Bde%2Bprimavera16' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-794766489971190444</id><published>2010-12-03T18:04:00.004-02:00</published><updated>2010-12-03T18:18:13.905-02:00</updated><title type='text'>Lançamento de Primavera nos Ossos (romance)</title><content type='html'>Dia 15/12/2010, às 19h., na Livraria Cultura do Shopping Salvador (segundo piso), haverá o lançamento do meu quinto livro, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Primavera nos Ossos&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, que foi contemplado pelo Programa Petrobras Cultural, e está sendo publicado pela Editora Casarão do Verbo. &lt;br /&gt;Confira o convite abaixo e apareça!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TPlOqgN3yzI/AAAAAAAAAPo/1N0lOGrF0OY/s1600/Convite_Primavera_nos_ossos.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 222px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TPlOqgN3yzI/AAAAAAAAAPo/1N0lOGrF0OY/s400/Convite_Primavera_nos_ossos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5546550908193065778" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-794766489971190444?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/794766489971190444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/12/blog-post.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/794766489971190444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/794766489971190444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/12/blog-post.html' title='Lançamento de Primavera nos Ossos (romance)'/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TPlOqgN3yzI/AAAAAAAAAPo/1N0lOGrF0OY/s72-c/Convite_Primavera_nos_ossos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-7886739244618456002</id><published>2010-11-21T10:56:00.003-02:00</published><updated>2010-11-21T11:09:34.778-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://notrombone.files.wordpress.com/2007/07/green-tree.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 413px; height: 334px;" src="http://notrombone.files.wordpress.com/2007/07/green-tree.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Imagem disponível originalmente em:http://notrombone.files.wordpress.com/2007/07/green-tree.jpg&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se acostumar com a voracidade dos dias. Todo ano é certo: depois de agosto tudo foge num piscar de olhos. De repente, o tempo também vira, e no meio de um calor que se pensava infernal, cai uma chuva santa. Ameniza fora, mas raramente dentro.&lt;br /&gt;Deve passar mais um dia naquela zona estranha entre o que já se sabe "dia" e uma sensação de que "algo" novo vem aí e poderá se-nos renovar, se-nos supreender.&lt;br /&gt;O quê?&lt;br /&gt;É possível?&lt;br /&gt;Sim? Não?&lt;br /&gt;No espaço do impreciso, novamente, navegamos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-7886739244618456002?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/7886739244618456002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/11/imagem-disponivel-originalmente.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7886739244618456002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7886739244618456002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/11/imagem-disponivel-originalmente.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-3771939290101478251</id><published>2010-11-03T10:03:00.002-02:00</published><updated>2010-11-03T10:24:20.336-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TNFT9uUdBtI/AAAAAAAAAPY/yYJsj7TRTBg/s1600/cena-de-a-origem-1278631867266_560x400.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 238px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TNFT9uUdBtI/AAAAAAAAAPY/yYJsj7TRTBg/s400/cena-de-a-origem-1278631867266_560x400.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5535297736885995218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;São coisas esparsas, que brilham, escorregam, fogem no ar. Talvez areia luminosa, pensei. Mas, em seguida, podia ouvir tua voz tão nítida, me atalhando, consertando, trata-se de um tipo de fuligem, é o que diz você. &lt;br /&gt;Do outro lado, esta certeza: com ou sem brilho, os objetos varam o campo de visão e me dizem que você, aqui, não está. Aqui, você falta. Aqui, você zera. &lt;br /&gt;São pequenezas que trazem e levam o ontem-você de mim. Coisas sobre as quais não se consegue fixar luz. Serão nossos olhos os únicos donos de toda a luz necessária pra iluminar/fazer sumir os objetos? São, de fato, os nossos olhos que vomitam esta luz fugidia sobre o mundo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-3771939290101478251?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/3771939290101478251/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/11/sao-coisas-esparsas-que-brilham.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3771939290101478251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3771939290101478251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/11/sao-coisas-esparsas-que-brilham.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TNFT9uUdBtI/AAAAAAAAAPY/yYJsj7TRTBg/s72-c/cena-de-a-origem-1278631867266_560x400.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-796001963915334659</id><published>2010-10-31T08:52:00.003-02:00</published><updated>2010-10-31T08:56:34.831-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Nunca mais será possível partir, pensa-se no emaranhado das árvores. É preciso entender quantos caminhos foram reduzidos a nenhum. Os passarinhos de ontem brincam com aquilo que lhes chegam: desejos, revoltas, mágoas ancoradas. Ser humano não é pouco? Ou é quase nada? Um sol nas palmas das mãos esquenta ainda o que não se teve. Lá fora, cantos, zumbidos. Cá dentro, a vontade tão simples: ficar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-796001963915334659?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/796001963915334659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/10/nunca-mais-sera-possivel-partir-pensa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/796001963915334659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/796001963915334659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/10/nunca-mais-sera-possivel-partir-pensa.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-4264316407365011549</id><published>2010-10-24T10:04:00.003-02:00</published><updated>2010-10-24T10:12:04.251-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TMQiS2IeA3I/AAAAAAAAAPQ/Zpk0LoSbtQw/s1600/cena-de-a-origem-1278631867266_560x400.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 292px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TMQiS2IeA3I/AAAAAAAAAPQ/Zpk0LoSbtQw/s400/cena-de-a-origem-1278631867266_560x400.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5531583949481837426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Depois, ela foge. Foge pro telhado, pro jardim. É incrível como sabe escapar rápida. Como quando éramos namorados e brincávamos de nos perder nas novas cidades que visitávamos. Chegamos a passar quase uma hora no centro do Rio de Janeiro a procurá-la, íamos e vínhamos feito barata tonta, enquanto ela se escondia num sebo de livros e vinis, divertindo-se em nos olhar de quando em quando, protegida pelas estantes.&lt;br /&gt;Basta que nos lembremos disso, pequeno infinito detalhe, pra acharmos os lábios dela, soltos, descolados, como pedaço de porcelana, rindo de nós. Antes do sono, os lábios dela voam pela janela. Dá adeus, se escondem entre as persianas, em cima do telhado, molhados de chuva, os lábios dela, gritando, cantarolando, menina, tão menina, bruscamente, fica séria e nos diz que não, não será mais possível, ela está cansada, não quer mais. &lt;br /&gt;Mas não, querida, dissemos a despeito de toda a tristeza que vem se achegando, sorrateira, não entregue os pontos. Ainda não os perdemos. Os sonhos, os dedos, os anéis, os venenos. Estamos vivos, vê? Acharemos a medida certa. Acredite. Continuemos. Em frente, em frente.  &lt;br /&gt;Não ter conseguido colher toda a beleza do que nasceu entre nós tão espontâneo, tão real, machuca demais. Porém, não façamos drama. Não há nada a lamentar. Vamos andar na cidade, fazer dos nossos pés uma arma pra romper a névoa. Arma certeira. Não há outro jeito. É preciso prosseguir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-4264316407365011549?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/4264316407365011549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/10/depois-ela-foge.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4264316407365011549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4264316407365011549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/10/depois-ela-foge.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TMQiS2IeA3I/AAAAAAAAAPQ/Zpk0LoSbtQw/s72-c/cena-de-a-origem-1278631867266_560x400.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-8323604047359148766</id><published>2010-10-21T13:04:00.002-02:00</published><updated>2010-10-21T13:08:46.343-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TMBXZhf9-_I/AAAAAAAAAPI/UR-UW9JU4fM/s1600/cena-de-a-origem-1278631867266_560x400.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 384px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TMBXZhf9-_I/AAAAAAAAAPI/UR-UW9JU4fM/s400/cena-de-a-origem-1278631867266_560x400.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5530516438411770866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Lá fora, apenas uma chuva miudinha. Na vizinhança, ouvia-se repetidas vezes uma valsa. Alguém sofrendo uma falta, tédio, quiçá, um abandono. Deixava acabar e repetia. Uma daquelas músicas raras, que desde a primeira vez nos impõe uma espécie de reconhecimento inexplicável: embora saibamos jamais tê-la ouvido, parece tão familiar que nos espanta a ideia descabida de termos vivido uma vida inteira sem ela. Bela, de uma beleza que envolve, machuca. Não sabia quem tocava tal piano, não adivinhava de qual janela de apartamento se desprendia. Naquela miudeza de chuva: a valsa. Naquela noite fantasma de tão quieta, pois música e barulho de chuva colaram-se ao silêncio do mundo, formando um bloco uníssono.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-8323604047359148766?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/8323604047359148766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/10/la-fora-apenas-uma-chuva-miudinha.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/8323604047359148766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/8323604047359148766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/10/la-fora-apenas-uma-chuva-miudinha.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TMBXZhf9-_I/AAAAAAAAAPI/UR-UW9JU4fM/s72-c/cena-de-a-origem-1278631867266_560x400.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-1049209278360234816</id><published>2010-09-06T12:01:00.003-02:00</published><updated>2010-09-06T12:34:40.528-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TIT6RHrgiJI/AAAAAAAAAPA/Pq0BXsNpY5w/s1600/cena-de-a-origem-1278631867266_560x400.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 286px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TIT6RHrgiJI/AAAAAAAAAPA/Pq0BXsNpY5w/s400/cena-de-a-origem-1278631867266_560x400.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5513807015834585234" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O sonho dentro do sonho exibe níveis variados de sonhos, espaço onde se escorrega e se afunda, se levita e se passa de um plano a outro ou se multiplica ao infinito o que somos, o que escondemos, o que desejamos ser, de modo que se pode usar a velha analogia do caleidoscópio ou da casa de espelhos ou, ainda, da babuska, uma coisa dentro da outra que está dentro da outra, e assim, sucessivamente, até se chegar a menor coisa cabível dentro de outra coisa. Esse é o fascínio do criativíssimo filme "A origem", de Christopher Nolan. &lt;br /&gt;Não é necessário reproduzir aqui o enredo do ladrão de sonhos que precisa implantar uma ideia - absolutamente simples, mas como toda ideia simples, complexa - na mente de alguém, afinal, isso está em todos os sites e programas semanais sobre cinema. O que gostaria, mas sei antecipadamente que jamais poderei fazer, é sintetizar a atmosfera borgeana do filme. Dizer do prazer de ir adentrando os abismos que ele mostra, para além do conceito metacinematográfico em que Leonardo di Caprio simboliza aqueles bons cineastas que, cercados por uma equipe maravilhosa (quem dera contar no plano tão previsível da vida com aquela Ariadne!) intentam implantar qualquer coisa simples - mas fatalmente complexa - em nossa mente, por vezes distraída, por vezes aberta, por vezes na defensiva, e, muitíssimas vezes, mal preparada para receber ideias assim. De todo modo, ter sido capturada por esse filme me salvou o domingo sacal, o domingo esmaecido, como de resto sabem ser tão bem os domingos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-1049209278360234816?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/1049209278360234816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/09/o-sonho-dentro-do-sonho-exibe-niveis.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/1049209278360234816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/1049209278360234816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/09/o-sonho-dentro-do-sonho-exibe-niveis.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TIT6RHrgiJI/AAAAAAAAAPA/Pq0BXsNpY5w/s72-c/cena-de-a-origem-1278631867266_560x400.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-8375950312425106131</id><published>2010-09-05T12:07:00.004-02:00</published><updated>2010-09-05T12:27:32.188-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TIOnPaEG_JI/AAAAAAAAAO4/XanlIwrR_Xc/s1600/PIC_0612.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TIOnPaEG_JI/AAAAAAAAAO4/XanlIwrR_Xc/s400/PIC_0612.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5513434251968052370" /&gt;&lt;/a&gt; Foto by João Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Invaginações&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A distensão&lt;br /&gt;do teu amor sóbrio,&lt;br /&gt;ópio e deglutição.&lt;br /&gt;Ginasianos,&lt;br /&gt;frutíferos corpos&lt;br /&gt;que se dão ao entardecer.&lt;br /&gt;Conto apenas 15 anos,&lt;br /&gt;nada sei de Maiakovsky, nem de revolução.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-8375950312425106131?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/8375950312425106131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/09/invaginacoes-distensao-do-teu-amor.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/8375950312425106131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/8375950312425106131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/09/invaginacoes-distensao-do-teu-amor.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TIOnPaEG_JI/AAAAAAAAAO4/XanlIwrR_Xc/s72-c/PIC_0612.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-2351527467573574920</id><published>2010-08-28T11:04:00.003-02:00</published><updated>2010-08-28T11:40:40.750-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/THkRAZrqkYI/AAAAAAAAAOA/57XTjm8e0BA/s1600/010130090608-terra-afastando-sol.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 210px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/THkRAZrqkYI/AAAAAAAAAOA/57XTjm8e0BA/s400/010130090608-terra-afastando-sol.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5510454317656215938" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Uma das decepções mais cretinas da vida é, sem dúvidas, a decepção de esperar durante uma semana, até mais, por um livro, recebê-lo das mãos do carteiro como quem recebe um bebê de poucos dias, ser tragado por toda aquela atmosfera grave, quase diáfana, que é ter em mãos um novo livro, e, quando chegada a hora de adentrar nesse universo novo, descobrimos que o livro é fraco, nada tem a nos dizer. Nos decepcionarmos com um livro é muito, muito chato. Ratos de sebos reais há anos, depois da Internet, viramos ratos de sebos virtuais também, e hoje o paraíso ou ponto de encontro sagrado dos ratos de sebo é, sem dúvidas, a Estante Virtual. Falamos aqui tão somente de leitores, pessoas que compram livros para ler, não queremos saber de colecionadores, tampouco de exibicionistas, mas, repetimos, leitores, essa corja que adora sofrer. Pois é! Por sermos leitores, nada mais que leitores, descobrimos que podemos comprar no mesmo lugar tanto livros maravilhosos quanto funcionais, podemos reaver livros esquecidos nas ratoeiras da memória, economizar na compra de livros que, mesmo com o frete, não raramente saem mais baratos do que nas livrarias, além de chegarem novinhos em folha na porta de nossa casa... Mas nem essa facilidade supera a cara de fuinha retorcida pro lado que é como ficamos quando lemos uma, duas, dez, cinquenta, cem, todas as páginas daquele livro tão esperado e, finalmente, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;quase sem querer&lt;/span&gt;, reconhecemos, sozinhos, dentro da concha da noite, inseridos no silêncio da rua, por companhia apenas os raios da luminária vermelha, reconhemos, miséria de vida!, que o maldito livro não valia um único centavo, tamanha é sua fraqueza em ser tão somente um livro ruim, um livro que jamais deveríamos ter pedido, comprado. Passamos a pensar, inconformados, talvez se não fosse tão virtual o paraíso, se tivéssemos tido a chance de folhear suas páginas, ler um trecho aqui, outro ali, perscrutar sua linguagem, talvez, quem sabe?, perceberíamos a esparrela antes de cair, inocentes, nela. Esse &lt;span style="font-style:italic;"&gt;talvez se&lt;/span&gt; é um alento, uma espécie de consolo na madrugada em que se descobre o engano. Mas, agora, de dia, olhando de novo o livro abominavelmente inútil em nossa estante, nos perguntamos, será?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-2351527467573574920?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/2351527467573574920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/08/uma-das-decepcoes-mais-cretinas-da-vida.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/2351527467573574920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/2351527467573574920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/08/uma-das-decepcoes-mais-cretinas-da-vida.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/THkRAZrqkYI/AAAAAAAAAOA/57XTjm8e0BA/s72-c/010130090608-terra-afastando-sol.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-1912767867347802578</id><published>2010-08-25T21:52:00.003-02:00</published><updated>2010-08-25T22:12:42.675-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/THWxBKKm7rI/AAAAAAAAAN4/OGBQVavZPFA/s1600/010130090608-terra-afastando-sol.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/THWxBKKm7rI/AAAAAAAAAN4/OGBQVavZPFA/s400/010130090608-terra-afastando-sol.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509504352624504498" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Mas lutamos, lutamos todos os dias quando abrimos as janelas pela manhã e cerramos as cortinas imediatamente após às 17:30, só pra não ver o rápido acender de luzes deste bairro, desta rua. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Se esta rua, se esta rua fosse minha, eu mandava, eu mandava ladrilhar, com pedrinhas com pedrinhas de brilhantes, para o meu, para o meu amor passar.&lt;/span&gt; Lutamos o tempo que nos vem e muito nos cabe ou sobra ou falta, lutamos o mais que podemos, perdendo fios de cabelo, cortando unhas, suando, a cada dia, a cada minuto. Não queremos ser reles,  não queremos ser banais. É um esforço indecente, sabemos. Mas não choramos nem nos descabelamos. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Nosso segredo, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;foi Macalé quem disse&lt;/span&gt;, é que somos rapazes esforçados&lt;/span&gt;... Entretanto, a qualquer momento, podemos morrer exatamente assim: na passagem de um gesto a outro. De graça, sem razão. Sabemos, desconfiamos o quanto se pode reter a vida, estreita, estranha, dentro de nós. Reparamos: as árvores já não estão tão secas, o tempo já não esfria tanto quanto ontem. É dos dias banais que extraímos singela significação. Passamos um tempo branco de fala ruim, de gestos vagos. O pior de tudo é quando tentamos explicar as coisas a miúdo, sem ter palavras belas, sem motivações. Olha, hoje é um dia como outro, somos gente, estamos aqui. Poderíamos apenas nos calar, é claro. Mas não, não queremos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-1912767867347802578?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/1912767867347802578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/08/mas-lutamos-lutamos-todos-os-dias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/1912767867347802578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/1912767867347802578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/08/mas-lutamos-lutamos-todos-os-dias.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/THWxBKKm7rI/AAAAAAAAAN4/OGBQVavZPFA/s72-c/010130090608-terra-afastando-sol.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-3449171984306047533</id><published>2010-08-22T12:11:00.004-02:00</published><updated>2010-08-22T12:43:02.046-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/THE3IDghHHI/AAAAAAAAANw/twzBfJn786Q/s1600/hanami_cerejeiras_em_flor.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 220px; height: 165px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/THE3IDghHHI/AAAAAAAAANw/twzBfJn786Q/s400/hanami_cerejeiras_em_flor.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5508244430771002482" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A velhice, dizem, assim como o amor que amadureceu, perdeu o frio na barriga e a tensão da incompletude, nos leva a uma espécie de resignação que pra alguns é paz, pra outros é decrepitude. Todavia, envelhecer continua sendo um processo complexo, que ultrapassa a questão da idade e pode ser reiventado pelos próprios atores que o protagonizam. No melhor filme dessa estação, "Hanami - cerejeiras em flor", a decrepitude está nos mais jovens, filhos do casal de idosos Trudi e Rudi. Enquanto seus pais conseguem, cada um a seu tempo, se reencantarem com a vida e consigo mesmos, seus filhos são representados como frios, distantes, sem tempo, impacientes, cruéis, mortalmente chatos. Esse rencantar com o mundo, com o outro, com as miudezas da vida, está nos mais velhos, especificamente no casal protagonista, e constitui a beleza do filme. O ponto de partida da história está na notícia que Trudi recebe: o marido, Rudi, tem poucos dias de vida, talvez mais alguns meses, dizem os médicos, que aproveitam para lhe aconselhar a viajar com o marido, quem sabe realizar uma aventura, um sonho. A voz de Trudi, em off, nos comunica, no entanto, o impasse: o marido detesta aventuras, detesta novidades, é daqueles seres que preferem a rotina, os velhos hábitos, o conhecido. Quem realmente gosta de aventuras, deseja ir ao Japão, é ela; ela que está saudável, ela que se coloca como mediadora entre o marido e o mundo, ela que cultiva o gosto pela arte, pelo drama. Dentro desse pequeno impasse, contornado pelo amor que nutrem um pelo outro, o filme se desenvolve. Cheio de sutilezas, rico de pequenas simbologias, lento, por vezes cruel, por vezes sublime, o filme vai construindo as relações entre homem-mulher, pais-filhos, irmãos-irmãs, nora-sogros, Ocidente-Oriente. Ótimo filme. Veja você também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficha Técnica: &lt;br /&gt;Título Original: Kirschbluten - Hanami.&lt;br /&gt;Origem: Alemanha / França, 2008.&lt;br /&gt;Direção: Doris Dorrie.&lt;br /&gt;Roteiro: Doris Dorrie.&lt;br /&gt;Produção: Harald Kugler e Molly Von Furstenberg.&lt;br /&gt;Fotografia: Hanno Lentz.&lt;br /&gt;Edição: Frank C. Muller e Inez Regnier.&lt;br /&gt;Música: Claus Bantzer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-3449171984306047533?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/3449171984306047533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/08/velhice-dizem-assim-como-o-amor-que.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3449171984306047533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3449171984306047533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/08/velhice-dizem-assim-como-o-amor-que.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/THE3IDghHHI/AAAAAAAAANw/twzBfJn786Q/s72-c/hanami_cerejeiras_em_flor.gif' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-8174493661211412253</id><published>2010-08-21T08:42:00.002-02:00</published><updated>2010-08-21T09:06:01.651-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_kUJ991ZbJ6I/SL9M7S2kUAI/AAAAAAAAARY/Y4RxQt_5hDs/s320/Preto+e+branco.png"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 274px; height: 301px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_kUJ991ZbJ6I/SL9M7S2kUAI/AAAAAAAAARY/Y4RxQt_5hDs/s320/Preto+e+branco.png" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;       [...] Não lhe digo nada. Não atendo sua ligação. O zumbido se junta a milhares de chamados perdidos na capital. A essa hora, tão cedo, ela pensa: ele deve ter saído com alguém. Depois, me lê em silêncio. Ouve alguma música que eu lhe mandei. Ela está no tapete da sala, deitada. Eu, na escuridão, sem nuvens, sem estrelas, só imensidade de luzes e mormaço, vejo-a.&lt;br /&gt; Penso em salvá-la de alguma forma, indo a seu encontro. A solidão dela é um círculo de fogo, mesmo que eu queira, jamais conseguirei ultrapassá-lo. Sinto apenas. As ardências. Ela diz que dói. Ela costuma dizer, às vezes, sozinha, pra casa, pro bairro velho onde mora, pro mar, pra ninguém, que dói. E nesse instante ela nem sequer chora. &lt;br /&gt; Dói.&lt;br /&gt; Pesado. Mais pesado que essa maldita história que nos consome. Dói, ela diz. Sozinha. Sem lágrimas, sem mão comprimindo o peito.&lt;br /&gt; Todavia, não, não acabará assim. É a minha vez de buscá-la pelo telefone, ligar feito um louco pra sua casa, pro celular, mesmo sabendo que ela desligou o telefone logo que me chamou e eu não atendi. Talvez até tenha saído.Talvez procure velhos amantes que a tratem melhor do que eu. Vai a lugar nenhum. Dirigindo em alta velocidade pelos bairros da velha cidade, pra lugar nenhum ela vai, penso, vendo a linha sem fim de seu para-brisa avançando por Ondina, Rio Vermelho, Amaralina, Pituba, Costa Azul, Boca do Rio... Oh, não. Pare um instante e atenda, por favor... Ouvindo Bob Dylan? Stones? Morrissey? Pelo Corsário, Jaguaribe, Patamares, Piatã... saindo fora do alcance dos meus olhos. &lt;br /&gt; Dias vão passar, eu sei. Vou dormir um pouco e voltar a pôr minha cabeça pra funcionar. &lt;br /&gt; Meu coração às vezes é mais triste que o dela. Quando ela chega bem pertinho de mim e dá de ser mulher até não poder mais, me encarando, passeando com a mão no meu peito, encostando a testa no meu peito, de leve, como se me espreitasse através da camisa. Sinceramente: não sei nem o que pensar. De repente, ela diz: por que o tempo esfriou assim? Eu não trouxe nenhuma roupa de frio... E eu, que deveria abraçá-la forte, dizer que tenho dezenas de camisas, casacos de frio no guarda-roupa, que ela pode pegar o que quiser, que no meio do ano é assim mesmo, de repente chove, de repente esfria, eu, em verdade, nada falo, nada sei. Apenas fico. Dentro do calafrio que é vê-la tão mulher, aninhada no meu peito, como só elas, as mulheres, conseguem ficar: mudas, congeladas, grudadas, como se fossem um apêndice. Mas não, sei, sabemos, que não são.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-8174493661211412253?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/8174493661211412253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/08/blog-post.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/8174493661211412253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/8174493661211412253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/08/blog-post.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_kUJ991ZbJ6I/SL9M7S2kUAI/AAAAAAAAARY/Y4RxQt_5hDs/s72-c/Preto+e+branco.png' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-4508855530770872734</id><published>2010-08-16T14:41:00.007-02:00</published><updated>2010-08-16T14:56:17.167-02:00</updated><title type='text'>Editora Casarão do Verbo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TGltNLEjfuI/AAAAAAAAANg/a9NkrKeBAIc/s1600/Release_Bienal+casarao.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 283px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TGltNLEjfuI/AAAAAAAAANg/a9NkrKeBAIc/s400/Release_Bienal+casarao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5506052092514762466" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quem for à Bienal de São Paulo, não deixe de conferir o stand da Editora Casarão do Verbo, de Rosel Soares. Trata-se de uma pequena-grande editora baiana que aposta no bom gosto e na qualidade de suas publicações. Em outubro, a editora Casarão do Verbo lançará meu romance &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Primavera nos ossos&lt;/span&gt;, que ganhou o Edital Petrobras para Criação Literária. Dentre os livros já lançados pela Casarão, destaco a antologia &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Travessias Singulares&lt;/span&gt;, contos que versam sobre a relação entre pais e filhos, entre os autores estão Miguel Sanches Neto, Nelson de Oliveira, Silviano Santiago, Hélio Pólvora, Carlos Heitor Cony, e meu amado João Filho. É uma bela antologia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-4508855530770872734?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/4508855530770872734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/08/quer-for-bienal-de-sao-paulo-nao-deixe.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4508855530770872734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4508855530770872734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/08/quer-for-bienal-de-sao-paulo-nao-deixe.html' title='Editora Casarão do Verbo'/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TGltNLEjfuI/AAAAAAAAANg/a9NkrKeBAIc/s72-c/Release_Bienal+casarao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-3380290006421128747</id><published>2010-08-15T01:02:00.003-02:00</published><updated>2010-08-15T01:16:49.998-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TGdb3wHIbCI/AAAAAAAAANQ/eC1icVo9ePE/s1600/060927_arvore2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 194px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TGdb3wHIbCI/AAAAAAAAANQ/eC1icVo9ePE/s320/060927_arvore2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5505470082849467426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;    Se você soubesse o tanto de reajustes entre o acordar e o prosseguir... ah, se soubesse! O dia é vazio, as possibilidades minúsculas, mas se vai tentando, há tanto, vai-se tentando transformá-las em gigantes. Voltar ao luxo de estar no centro de si mesmo, não à deriva. Baixa temperatura. Suor saindo fácil sob a pressão do algodão molhado. Pensar na morte não ajuda, na vida muito menos. Vai ficando tarde por dentro. A escuridão faz traça, qualquer pensamento é inutilidade correndo nos fios dos postes. Ou no ralo da pia. Ou no barulhinho das plantas. Beber demais ora ajuda, ora não. Mas há um costume estranho, pegou-se por aí: encher lenços de éter e aspirar até à exaustão. Outro: pingar mercúrio num pedaço de espelho. Fragmentos de prata com escarlate. Ignorar as dores alheias que por ventura empestam o ar do mundo. Que mundo? &lt;br /&gt;      Em alguns momentos, você sabe, podemos ser tocados pela sombra das árvores. Resto de felicidade mofada que por acaso o peito escondeu. Fumar sempre duas marcas de cigarro alternadas. Sentir-se severamente frágil, uma saudade absurda, invariavelmente do que não existiu.  &lt;br /&gt; Força antiga no varal. A boca retorcida pinga água com sabão. Querer estar perto dele. Já. Pra ninar o silêncio das noites e dos dias claros, de chumbo ou de sol. Chamaremos em pensamento. Põe tua mão aqui no meu colo, meu amor. Lá do outro lado do mundo, se você soubesse o tanto de reajuste... ah, se soubesse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-3380290006421128747?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/3380290006421128747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/08/se-voce-soubesse-o-tanto-de-reajustes.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3380290006421128747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3380290006421128747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/08/se-voce-soubesse-o-tanto-de-reajustes.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TGdb3wHIbCI/AAAAAAAAANQ/eC1icVo9ePE/s72-c/060927_arvore2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-6375917821895556803</id><published>2010-08-13T10:45:00.003-02:00</published><updated>2010-08-13T11:05:59.055-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TGU-xYY5XRI/AAAAAAAAANI/tZz9Mxi7wS4/s1600/21-11-09_170650.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TGU-xYY5XRI/AAAAAAAAANI/tZz9Mxi7wS4/s320/21-11-09_170650.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5504875137611685138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        —Você sabia que Hemingway era gay, porém, não dava o cu porque tinha hemorroidas?&lt;br /&gt; — Cada maluquice que você me inventa!&lt;br /&gt; — É sério. Eu soube disso num congresso aí.&lt;br /&gt; — Mentira sua.&lt;br /&gt; — É verdade, eu juro... Ouvi numa palestra, na USP.&lt;br /&gt; — Não sabe nem mentir! Uma hora é um congresso, depois uma palestra na USP. O que você foi fazer na USP?&lt;br /&gt; — Eu viajo muito, meu caro...&lt;br /&gt; — Sei, e nessas viagens vai à USP descobrir que Hemingway é viado e tinha hemorroidas?&lt;br /&gt; — E daí? Não sei por que você está rindo desse jeito. Não tem nada de mais. Pode-se descobrir qualquer coisa em qualquer lugar, é um sinal dos novos tempos. A USP é um centro de pesquisa, ora! Podemos descobrir mil coisas lá.&lt;br /&gt; — Inventa outra.&lt;br /&gt; — Criatura! É verdade. Hemingway era viado.&lt;br /&gt; — Não, não era.&lt;br /&gt; — Estou lhe dizendo, ele era enrustido, os professores disseram.&lt;br /&gt; — Pois estavam mentindo.&lt;br /&gt; — Mas eram professores universitários, mestres, doutores...&lt;br /&gt; — Mentirosos, que nem você.&lt;br /&gt; — Eu nunca minto... Que injustiça.&lt;br /&gt; — Afinal, quando você vai parar de falar bobagens e me dizer por que me chamou aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.....................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        — Detesto homens que choram, a menos que sejam como Bebeto, aquele gatinho. &lt;br /&gt; — ...&lt;br /&gt; — Você se lembra do Bebeto, que jogava no Vasco da Gama? Era um gatinho... A beleza é o segredo de tudo, já diria André Gide. Eiiiiiiiiiiii, você está me beliscando?&lt;br /&gt; — Primeiro, Gide nunca disse isso. Pare de inventar citações chulas e dizer que pessoas famosas são autoras delas. Você não me engana. Segundo, pro seu governo, o rapaz jogava no Flamengo...&lt;br /&gt; — Quem? O Bebeto?&lt;br /&gt; — Foi artilheiro do Flamengo...&lt;br /&gt; — Não, senhor. Bebeto? Ele era vascaíno doente!&lt;br /&gt; — O cara jogava no Flamengo...&lt;br /&gt; — Você é maluco, logo se vê que os homossexuais não entendem coisa alguma de futebol... Bem, deixe eu te explicar, não é minha função no mundo, mas o que podemos fazer senão ajudar ao próximo? Tome nota: o Bebeto, aquele gatinho, jogava no Vasco do Rio. Entendeu? E de lá foi pro exterior.&lt;br /&gt; — No Vasco do Rio? Eu ouvi direito?&lt;br /&gt; — Por que o riso?&lt;br /&gt; — Tststststststststs... Como se houvesse outro Vasco... &lt;br /&gt; — Há outro Vasco, sim, em Sergipe.&lt;br /&gt; — Ora, ora, uma mulher entendendo de futebol.&lt;br /&gt; — Mas tá na moda as mulheres entenderem de futebol... Tem até comentarista mulher numa TV a cabo aí... &lt;br /&gt; — Pois sinto te informar que você como integrante da moda feminina é um fracasso, minha cara, porque o Bebeto saiu do Vitória direto pro Flamengo.&lt;br /&gt; — Mas que obsessão com este maldito Flamengo! &lt;br /&gt; — Pois se é verdade... Ele nem precisou se acostumar ao novo uniforme, já que o Flamengo e o Vitória são praticamente a mesma camisa... Hehehehe. &lt;br /&gt; — Vitória, você disse?&lt;br /&gt; — Sim... O maior time baiano.&lt;br /&gt; — Não conheço nenhum time chamado Vitória. É estranho porque conheço todos os times baianos. Daqui de Salvador? Você tem certeza?&lt;br /&gt; — O último campeão baiano. Meteu 3 no seu Bahiazinho, só pra clarear sua memória...&lt;br /&gt; — Realmente, nunca ouvi falar... Me desculpe...&lt;br /&gt; — Deixe de ser cínica.&lt;br /&gt; — Mas se não sei do que você está falando, meu Jesus... Aliás, o problema dos gays é este: trazem informações e referências que ninguém conhece, somente eles, é um gueto fechadíssimo, cheio de códigos estranhos: fulana é uma deusa, não sei quem é maravilhosa, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Quatro casamentos e um funeral é imperdível&lt;/span&gt;, mas &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Filadélfia&lt;/span&gt; é postiço, não serve... Imagina... E aquela baboseira de chamar as pessoas de ótimas? A ótima fulana, a ótima sicrana... Coisa mais imbecil... Jamais sabemos direito do que estão falando... Um time da Bahia chamado Vitória? Não conheço, nunca ouvi falar... Conheço o Baêeea, o Galícia, o Fluminense de Feira.&lt;br /&gt;        - Chega, não dá pra falar contigo.&lt;br /&gt;        - Comigo? Ora, o que foi que eu fiz? Sou uma pobre mulher solitária que lava calcinhas, na pia do banheiro, de madrugada.&lt;br /&gt;        - Isso é Bruna Lombardi?&lt;br /&gt;        - Exato. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Filmes Proibidos&lt;/span&gt;. Você se lembra?&lt;br /&gt;        - Como não?!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-6375917821895556803?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/6375917821895556803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/08/voce-sabia-que-hemingway-era-gay-porem.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/6375917821895556803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/6375917821895556803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/08/voce-sabia-que-hemingway-era-gay-porem.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/TGU-xYY5XRI/AAAAAAAAANI/tZz9Mxi7wS4/s72-c/21-11-09_170650.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-5643890293613728528</id><published>2010-06-05T10:55:00.003-02:00</published><updated>2010-06-05T11:08:51.362-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Um ruído de ferro contra a calçada de pedra. Carrinho de paralítico. Simples. Sentou pra ouvi-lo. Deve ser aquele mendigo da rua 08. Tentou acompanhar trincando os dentes. Um segundo enorme de barulho, depois, nada, tudo cessou. Passou meio século. De repente, barulho de asas. Pássaro. Não. Asas pesadas e grandes. Pato. Ou marreco. Galinha não pode ser, geralmente cortam-lhes as asas. Só havia uma frestinha de luz na porta. Haveria sorte hoje? Quando o barulho ou o ser que o produzia se encontrava naquele campo minúsculo de claridade, podia se arrastar até lá e descobrir. Mas tinha que ser dia de sorte. Às vezes, não era. Reconhecia-os vez em quando, um estampido parecido com o de arma de caça e ah!, é hoje! Então, lavava o rosto e esperava a completa solidão pra começar a descortinar imagens. Delas tirava vitalidade com a qual ia enchendo vagamente os pulmões para atravessar os dias seguintes, dias de não-sorte. Nesses, contentava-se em mastigar barulhos. Choro de criança, bombas de São João. Pés vagarosos, pés velozes, pés ritmados, trotar de cavalos, carroça de boi, pés que pedalam, sapatos. Leiteiro. Cachorros brincando, cachorros farejando, cachorros estranhando. Música. Meninas indo, meninas vindo, meninas rindo, meninas gritando. Chuva. Fósforo riscado. Bem-te-vi, pardais. Voz rouca gritando, voz sussurrando: amor. Chocalho. Tosse. A vendedora de doces. O vendedor de café. Gente que sai pro trabalho, gente que volta pra casa. Pão. Cheiro de pão dentro de sacos de papel. Cordas de violão afinando. Pombos ciscando. Pedras atiradas, gatos fugindo, latas voadoras, sacos de lixo que o vento transforma em pássaros. Um coração no escuro da cidade. A morte tinindo. Vida dentro de músculos. Uma bota pesada, uma porta que abre rangendo, alguém reclama de ter a unha encravada. A realidade de um ruído que sempre machuca: um homem ainda muito bonito quase lhe estraçalhando os dedos do pé. Horas confusas de cores escuras, azuladas, violetas, que entram no campo de visão zumbindo e maltratando que nem abelhas. Mas, afinal, hoje seria dia de sorte? Espreitou pela fresta e, valha-me Deus, que mau agouro, um urubu! [...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-5643890293613728528?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/5643890293613728528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/06/um-ruido-de-ferro-contra-calcada-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/5643890293613728528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/5643890293613728528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/06/um-ruido-de-ferro-contra-calcada-de.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-5171753517503274382</id><published>2010-05-31T09:52:00.002-02:00</published><updated>2010-05-31T10:03:41.812-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://imagensperdidas.no.sapo.pt/passos.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 489px; height: 300px;" src="http://imagensperdidas.no.sapo.pt/passos.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Andando, sozinhos, algumas palavras têm gosto de caju amargo, outras, de romã; o céu não se fixa, andamos sem olhar pra trás, sem descanso, como se abandonados ou perdidos; ensaios, bobagens, ao sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estar parado, frente a frente, como se congelado. Estar inerte, quieto, coração quase partindo do mundo. Desacelerado. Impossível. Estar-estando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andando, outra vez, sozinhos, algumas canções têm garras, outras, deslizam e se perdem feito espumas; no chão vão ficando quase nada do que fomos; andamos, sem descanso, como se tivéssemos marcado, há muito tempo, esse encontro vago com a lua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-5171753517503274382?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/5171753517503274382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/05/andando-sozinhos-algumas-palavras-tem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/5171753517503274382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/5171753517503274382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/05/andando-sozinhos-algumas-palavras-tem.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-7427835651701797792</id><published>2010-05-02T16:48:00.003-02:00</published><updated>2010-05-02T16:55:33.081-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.papeldeparede.fotosdahora.com.br/wallpaper/09Cartoons//espaco_sideral_m.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 336px; height: 252px;" src="http://www.papeldeparede.fotosdahora.com.br/wallpaper/09Cartoons//espaco_sideral_m.gif" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não foi explorada: &lt;br /&gt;palavra de sangue e gás. &lt;br /&gt;Não foi regurgitada: &lt;br /&gt;aversão. &lt;br /&gt;O nada dito entre os dentes: &lt;br /&gt;língua presa, saliva que não vem. &lt;br /&gt;Puta, teus cabelos nos quintais, &lt;br /&gt;teu nascimento atropela a cidade burocrata. &lt;br /&gt;Falta de proporções tange nuanças portuguesas, &lt;br /&gt;borboletas &lt;br /&gt;e este país que não quer mudar. &lt;br /&gt;Fugiremos dele, então,&lt;br /&gt;prum tempo escuro, &lt;br /&gt;um tempo sem luzes &lt;br /&gt;nem facho dissipado. &lt;br /&gt;Por favor, escute: o que não vivemos juntos me crava os ombros,&lt;br /&gt;ameaça de queda os dentes, faz os bicos dos seios sangrarem.&lt;br /&gt;Assim: cadafalso. &lt;br /&gt;Assim: ruína. &lt;br /&gt;Assim: sem chances. &lt;br /&gt;Cheirando noite e dia a morte, a desorientação.&lt;br /&gt;A tua borboleta tatuada: Deus em letras verdes, &lt;br /&gt;o suor fazia Deus reluzir no desenho. &lt;br /&gt;Boca que sopra e abocanha, &lt;br /&gt;a obscenidade da boca: &lt;br /&gt;retém. &lt;br /&gt;Digamos que Deus arfa e gira &lt;br /&gt;- Deus faz amor muito bem – &lt;br /&gt;e deixa de se expressar. &lt;br /&gt;O silêncio inteiro, o vento.&lt;br /&gt;A toalha de flores sobre a mesa. &lt;br /&gt;O elefante sobre a mesa. &lt;br /&gt;O pus no bule de café.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-7427835651701797792?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/7427835651701797792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/05/nao-foi-explorada-palavra-de-sangue-e.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7427835651701797792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7427835651701797792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/05/nao-foi-explorada-palavra-de-sangue-e.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-2779914884902157229</id><published>2010-04-03T21:39:00.003-02:00</published><updated>2010-11-20T13:25:31.279-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://images04.olx.com.br/ui/3/27/65/51872265_2-Imagemns-de-COMPRAR-QUADROS-MODERNO-DECORAcaO-SALA-E-QUARTO-PRETO-E-BRANCO-METRoPOLE-2-KATIA-ALMEIDA.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 625px; height: 469px;" src="http://images04.olx.com.br/ui/3/27/65/51872265_2-Imagemns-de-COMPRAR-QUADROS-MODERNO-DECORAcaO-SALA-E-QUARTO-PRETO-E-BRANCO-METRoPOLE-2-KATIA-ALMEIDA.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Imagem by katia Almeida&lt;br /&gt;Uma música que se altera. Dias há em que é somente um sopro entorpecendo; um voo, um esquecer as agulhinhas, muitas, tantas; um novo poder voar por uns segundos. &lt;br /&gt;Noutros dias, a violência do farfalhar das cortinas bate contra os sentidos; cérebro e dentes rangendo; tremores e nascimentos; umas células desgrudando; pelos poros capilares, é possível sentir algumas delas morrerem, outras, substituindo-as em seguida. &lt;br /&gt;Loucura. Apenas loucura. &lt;br /&gt;O tecido das cortinas cinzentas. &lt;br /&gt;Sim, somente isto. &lt;br /&gt;Quando as cortinas se movimentam, é possível ir além. A carne escancara as portas. Ou antes, as portas é que são escancaradas pela corrente de zumbidos, chicote de vento nas cortinas, as cores feito sangue fluindo, e a vertigem que aumenta o poder de sentir, que desfaz o limite corpóreo, apaga o que restringiu o corpo, desde o princípio, a ser somente corpo. &lt;br /&gt;Liberdade de voar junto ao tecido. Como a textura das mantas verdes ou azuis que cobrem os primeiros dias de vida. Os sons que são arrancados das dobras do tecido, que continuam a se estender, chicote e chocalho, minutos ruidosos que cessam repentinamente, depois recomeçam. &lt;br /&gt;Uma música calada. &lt;br /&gt;Horas virão em que tudo restará calmo, dobras lentas se abrindo feito leque. Param. A noite, a sopa, o café. O pão. As mãos de alguém se ocupando de outro alguém. A sagrada água com que se lava os resquícios do dia. Falas mínimas. Quase tudo está morto, querida. Os olhos vão sumindo. Madrugada. A música retornando: vai chover. Ninguém pra fechar a janela. Os pingos entrarão. [...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-2779914884902157229?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/2779914884902157229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/04/uma-musica-que-se-altera.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/2779914884902157229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/2779914884902157229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/04/uma-musica-que-se-altera.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-1680113278297270552</id><published>2010-04-01T13:15:00.002-02:00</published><updated>2010-04-01T13:27:41.678-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_w76B4znhpQQ/SRC4CrLwwZI/AAAAAAAAAPk/zDTusDO5lQ4/s400/s%C3%B32.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 343px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_w76B4znhpQQ/SRC4CrLwwZI/AAAAAAAAAPk/zDTusDO5lQ4/s400/s%C3%B32.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estouravam cliques na cabeça enquanto dormia. Não sabia se cinema ou fotografia. Acorda variado, buscando qualquer instrumento de conexão com a vida concreta, ali, na frente, à espera. Sair do sonho é um banho lento de luz abocanhando o quarto. Longo tempo em que não se reconhece aquele outro ser esparramado, diluído. Até achar os fios. Não precisa ser inteiramente tecido. Um fio ao acaso serve. Basta que se conecte de novo. Provisória e aleatoriamente. Por exemplo, hoje, às 2:40, foi o rádio-relógio de números verdes brilhando no escuro. Amanhã pode ser a presença invisível do mar que habita esta cidade. Ou o barulho da rua. Quiçá, o corpo do outro descoberto, respirando, tão perto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-1680113278297270552?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/1680113278297270552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/04/estouravam-cliques-na-cabeca-enquanto.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/1680113278297270552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/1680113278297270552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/04/estouravam-cliques-na-cabeca-enquanto.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_w76B4znhpQQ/SRC4CrLwwZI/AAAAAAAAAPk/zDTusDO5lQ4/s72-c/s%C3%B32.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-5356879469212651637</id><published>2010-03-08T10:27:00.002-02:00</published><updated>2010-03-08T10:43:55.773-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_YFimVzwLCm4/StBpooY-U3I/AAAAAAAAHIY/GGZ1p8I981I/s400/campo+de+lavanda.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 261px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_YFimVzwLCm4/StBpooY-U3I/AAAAAAAAHIY/GGZ1p8I981I/s400/campo+de+lavanda.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retroagir. Aos lilases da lavanda. Pântanos onde podia enxergar teu rosto retalhado pelo tempo. Aquele tempo leveza na colina, aquele tempo mais de amores que de fantasmas. Te parece uma eternidade? Sim, é uma eternidade este presente-larva, este presente anjo abandonado. A mim, basta tão somente um átimo: o vento morno da tarde, a triste música das árvores, o barulho do mar. E já estamos de novo imersos nele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-5356879469212651637?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/5356879469212651637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/03/retroagir.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/5356879469212651637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/5356879469212651637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/03/retroagir.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_YFimVzwLCm4/StBpooY-U3I/AAAAAAAAHIY/GGZ1p8I981I/s72-c/campo+de+lavanda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-4036310005311313151</id><published>2010-01-19T19:58:00.001-02:00</published><updated>2010-01-19T20:01:49.601-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://taule.zip.net/images/amarelinha.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 750px; height: 500px;" src="http://taule.zip.net/images/amarelinha.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;        &lt;em&gt;Yo creo que desde muy pequeño mi desdicha y mi dicha al mismo tiempo fue el no aceptar las cosas como dadas. A mí no me bastaba con que me dijeran que eso era una mesa, o que la palabra "madre" era la palabra "madre" y ahí se acaba todo. &lt;br /&gt; Al contrario, en el objeto mesa y en la palabra madre empezaba para mi un itinerario misterioso que a veces llegaba a franquear y en el que a veces me estrellaba.&lt;br /&gt; En suma, desde pequeño, mi relación con las palabras, con la escritura, no se diferenciade mi relación con el mundo en general. Yo parezco haber nacido para no aceptar las cosas tal como me son dadas.&lt;/em&gt;(Julio Cortázar)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-4036310005311313151?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/4036310005311313151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/01/yo-creo-que-desde-muy-pequeno-mi.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4036310005311313151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4036310005311313151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/01/yo-creo-que-desde-muy-pequeno-mi.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-1655190017518964994</id><published>2010-01-09T12:07:00.002-02:00</published><updated>2010-01-09T12:16:09.694-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://spa.fotolog.com.br/photo/58/38/33/janita08/1256067696594_f.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 500px; height: 406px;" src="http://spa.fotolog.com.br/photo/58/38/33/janita08/1256067696594_f.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       [...]Sonho que você está logo mais na esquina, me esperando todos os dias pra tomarmos café ou simplesmente ir ao cine. Então lhe digo: ponha menos açúcar, ou digo tão somente: prefiro os filmes mudos – quem sabe os guardiões de nossa verdadeira língua?&lt;br /&gt; Agora: feche os olhos, nada mais importa.   &lt;br /&gt; Fale-me de tua gente, do amarelo de teu país. Funda meus telhados de concreto aos teus de barro ou de Eternit, quero saber com que delicadeza teus dedos e tua boca percorriam os corpos de tuas mulheres. Fale-me delas, das mulheres, eu falarei dos meus homens. &lt;br /&gt; Perguntas são inúteis, entre nós só movimentos e lembranças cabem. &lt;br /&gt; Gire comigo, fale do teu tempo de espera, falo do meu. &lt;br /&gt;Sempre soube que tu virias, do norte ou do sul, de outras terras, das geleiras, até do inferno, sabe Deus. De bem dentro de mim, da fome que faz este mormaço parecer incêndio. Você viria, eu sempre soube. Ignorei os amores passadiços, as ocupações que garantem a sobrevivência. Fazia tudo rápido e malfeito e, quando nada conseguia, segurava a fraqueza do corpo, do cérebro, da alma sem alimento. Por isso fiquei assim: esqueleto doendo de madrugada, mas tenho absoluta certeza: você não vai se importar.&lt;br /&gt; Imbecil que és. Imbecil que sou.&lt;br /&gt; Todos os dias verei você sair do fogo do isqueiro, com um punhado de açúcar e disposto a cerrar as cortinas para que meus olhos não vejam o centro da tela. Mesmo quando ao meu lado não existir companhia alguma pra partilhar o cigarro aceso, você deve comigo estar.[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In: &lt;em&gt;Cântaro&lt;/em&gt;, publicado no Jornal A Tarde em maio de 1999, disponível integralmente em: http://www.revista.agulha.nom.br/1aleila.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-1655190017518964994?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/1655190017518964994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/01/blog-post.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/1655190017518964994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/1655190017518964994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2010/01/blog-post.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-7524949500116288750</id><published>2009-12-31T15:38:00.001-02:00</published><updated>2009-12-31T15:50:42.289-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_AmrnAYO7qiw/SKrFCi_MmTI/AAAAAAAAB34/DKkeLiNogtY/s400/morrissey2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 289px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_AmrnAYO7qiw/SKrFCi_MmTI/AAAAAAAAB34/DKkeLiNogtY/s400/morrissey2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a Picture by André Toma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...] caminhava jogando fumaça fora, não acreditava que tinha conseguido te trazer pra minha casa, não acreditava nas palavras que dissemos de joelhos na cama, olho no olho, coisas fortes que não se diz na primeira vez, “quero ficar contigo além dessa noite, todas as noites da minha vida, envelhecer do teu lado”. Até hoje isso me entontece, sabia? Pode dizer que é vaidade, bobeira ou romantismo barato. Não importa, fiz parte do teu segredo, eu te conduzi à noite inteira até que, exaustos, nos mordemos na boca e você adormeceu... Se você não ficar, o que será do meu peito sem este segredo? Repito que sou um homem cansado, 48 anos velhos, velhos. Já não tenho muito pra estragar, veias fodidas de heroína, fígado fodido de álcool e enlatados, narinas fodidas de pó, cigarro, São Paulo-Rio, Rio-São Paulo... Te contei que, às vezes, meu pulmão esquerdo parece abafado? Eu digo esquerdo, mas pode ser o direito também, ou ambos, algo que sufoca na altura do coração, que espalha, espalha... Pode ser o rim, sei lá, uma dor comprimida, complicada, enchendo todo esse lado aqui, entende? Eu diria que tem poeira correndo junto com o sangue pelo corpo todo, e quando chega aqui, justamente nessa passagem, uma corrente maior de oxigênio talvez... Ou de gás carbônico... O que é que há? Não faz essa cara não, estou dizendo porque sinto [...]&lt;br /&gt;In: &lt;em&gt;Porque quem não é por nós, é contra nós&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FELIZ 2010!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-7524949500116288750?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/7524949500116288750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/12/picture-by-andre-toma.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7524949500116288750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7524949500116288750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/12/picture-by-andre-toma.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_AmrnAYO7qiw/SKrFCi_MmTI/AAAAAAAAB34/DKkeLiNogtY/s72-c/morrissey2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-3584150240837961552</id><published>2009-12-23T08:58:00.002-02:00</published><updated>2009-12-23T09:09:47.461-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.decoracao-casa.com/public/images/produtos/3118/variantes/3119/pt/galeria/voo%20das%20borboletas-m.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 265px; height: 265px;" src="http://www.decoracao-casa.com/public/images/produtos/3118/variantes/3119/pt/galeria/voo%20das%20borboletas-m.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio correndo sem fôlego do país das montanhas e das rochas que não se diz. &lt;br /&gt;Agora, a câmera pega de súbito o lábio superior dele, grosso que nem negro, &lt;br /&gt;mas se delineando mais suave no inferior. &lt;br /&gt;Clique, clique: nada escapa à máquina, ele abaixa a cabeça. &lt;br /&gt;Pega os olhos. Now. Olhos sumindo. Clique, clique. São negros ou castanhos escuros os olhos dele? Clique. Só uma luz azul fugidia sobre o corpo dele. Vestido de branco. Cabelo preto. Clique. Ele quase nunca se move quando está ensimesmando-se. Ele toca o ar num gesto vago de quem apenas se dá conta que existe: vida, atomosfera, ar. &lt;br /&gt;Suspende os olhos vez-em-quando, mira: parece dar adeus. &lt;br /&gt;Veio correndo das montanhas, fugiu das matas fechadas daquele país distante que não se diz e, no entanto, permanecerá aqui, entre nós. O mundo é justo e verdadeiro. Façamos um brinde. Um brinde, &lt;em&gt;please&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-3584150240837961552?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/3584150240837961552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/12/veio-correndo-sem-folego-do-pais-das.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3584150240837961552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3584150240837961552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/12/veio-correndo-sem-folego-do-pais-das.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-662980443187388432</id><published>2009-11-30T00:15:00.002-02:00</published><updated>2009-11-30T00:27:53.815-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;a href="http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2007/03/56_757-Mussoi-Bonaire-dia2%20109%20blog.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 480px; height: 360px;" src="http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2007/03/56_757-Mussoi-Bonaire-dia2%20109%20blog.JPG" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impossível seria se a boca acompanhasse, ávida, certeira, os pensamentos, tantos, nus, vivos, estranhos, que jogamos no ar, às moscas, aos serezinhos invisíveis que nos espreitam, nos acolhem ou nos indiferençam. Impossível porque a convivência, porta cada vez mais estreita, esfacelar-se-ia ainda mais (e isso é possível?) aqui na terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*** &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Possível seria, quiçá agora, aquela estranha coincidência da boca minha na sua, enquanto os pensamentos, meus nos seus, fariam curvas, dançariam caminhos, encontrar-se-iam, uníssonos, nus, vivos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-662980443187388432?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/662980443187388432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/11/impossivel-seria-se-boca-acompanhasse.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/662980443187388432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/662980443187388432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/11/impossivel-seria-se-boca-acompanhasse.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-1734493348427101920</id><published>2009-11-28T13:25:00.002-02:00</published><updated>2009-11-28T13:29:55.570-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://catracalivre.folha.uol.com.br/wp-content/uploads/2009/05/imagem-4.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 500px; height: 359px;" src="http://catracalivre.folha.uol.com.br/wp-content/uploads/2009/05/imagem-4.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; [...] No entanto, o que se possui de fato é a aglomeração de seres e de sentimentos nos quais se acaba transformado. Por verdade, entenda: um tesão incontrolável, jamais amenizado, junto à cabeça que dói constantemente; em suma, um passear inútil pelo que se foi, pelo que se pode vir a ser, quando, por milagre, se achar as pontas dos nós. Essa verdade triste é o que tento, acima de tudo, fazer sorrir.&lt;br /&gt; O vento bate as portas de todos os ambientes onde eu poderia penetrar. O vento me assusta. Zumbidos de casas, zumbidos de trevas, as suas vidas, as minhas, aviões que torturam o cérebro.&lt;br /&gt; Paciência já não tenho.&lt;br /&gt; Invento medos.&lt;br /&gt; Podres mentiras.&lt;br /&gt; Tremulo no espaço que piso, caio, sobrevôo. &lt;br /&gt; Você, o meu grande amigo, se precipita a sair do Brasil... Você está só e não quer mais enfrentar as lembranças... Você não quer mais ninguém do seu lado? O quê? Oh, não, volte, chegue mais perto de mim... Ah, quero te mostrar os últimos recortes, as partes que sublinhei, esperando, um dia, ler junto contigo para rir melhor. Sei que já rimos outras vezes juntos. Não conte muito com minha memória, ela é muito velha e concorda em ser silenciosa, feito lapsos no tempo.&lt;br /&gt; As coisas que fazíamos ontem, meu amigo, na pouca luz do quarto, hã? Levemente se deixar sobre a terra. Levemente sem sentido...&lt;br /&gt; Quando você se ausentou por um longo período de perto de mim, eu tive vários meninos. Entre eles havia um que sabia dançar muito bem. Movia os quadris e o ventre como se fosse uma cobra solta no espaço. Tinha a impressão, quando o via dançar assim, que do seu corpo brotava um campo de luzes extremamente cintilantes, enquanto o rosto suave dele ia se deslocando de um ponto ao outro do quarto.&lt;br /&gt; Quando a música começava, eu dava por seu corpo quase nu, envolvido num pedaço de pano transparente, curto, amarrado na cintura como uma tanga, dançando e batendo... pandeiro? Castanholas? O que era mesmo que ele segurava harmonioso com os braços erguidos sobre a cabeça? Bem, não sei mais... A única coisa que eu podia fazer era derrubá-lo novelisticamente no chão, possuí-lo até o cansaço total.&lt;br /&gt; Folhas secas guiadas pelo vento caem agora sobre ele... Os pés tão miúdos rodopiando, rodopiando... Não parecia realmente um homem, a não ser quando seu sexo se fazia ereto debaixo do meu. Minha escultura antiga, onde andarás agora? Registro de anjo. Veludo. Cerco suas mãos em pensamento, minha obsessão quer retê-lo, sugá-lo até o final. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Roupas sujas em repouso, os caqueiros de flores, a pilha de pratos por lavar. Respiração cansada, derrotada pela neblina dos dias.&lt;br /&gt; Morfina. Leito de amarras.&lt;br /&gt; O mal, o segredo dos neurônios.&lt;br /&gt; Só se é mal por conveniência nesse mundo onde um par de moscas verdes e grandes consegue dominar o ar. Me punha a persegui-las quando elas entravam estupidamente em nosso quarto.&lt;br /&gt; Você ria, lembrando, antes que eu me cansasse, que havia inseticida no armário.&lt;br /&gt; Mas, às vezes, as moscas fugiam pela janela da copa.&lt;br /&gt; Uma desgraça me vem e track na garganta. O que quero calar, mofar, esconder, vem inteiro pela boca e, calado, eu sinto seu cheiro de ocre estendendo-se por toda casa. &lt;br /&gt; Sim, os homens que fui antes e depois do amor, as sensações depois da morte, as visões e os sonhos, claro-lógico-evidente-que-se-sonha-após-a-morte. &lt;br /&gt; As imagens, eu sempre esbarro nelas. Homens flutuam como bolinhas de sabão, restinho de pó. Esbarro e quero retê-las, mas como? &lt;br /&gt; A eternidade dentro de mim. &lt;br /&gt; As formas e mundos masculinos são as que mais fogem, obcecando-me cada vez mais. Quanto mais escorregam, mais eu as quero tocar. Suas paredes: madrugadas sem ruídos. [...](Henrique, 2001, p.23)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-1734493348427101920?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/1734493348427101920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/11/blog-post.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/1734493348427101920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/1734493348427101920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/11/blog-post.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-7083236627395688361</id><published>2009-10-21T10:03:00.004-02:00</published><updated>2009-10-21T10:13:44.900-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/before-sunset-23.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 450px; height: 298px;" src="http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/before-sunset-23.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Escritora Állex Leilla desconstrói o mito do amor romântico e seus clichês&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os filmes Antes do amanhecer e Antes do pôr do sol do diretor norte americano Richard Linklater são o mote para o debate acerca da função do amor romântico na literatura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escritora Állex Leilla volta ao Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM) para mais um trabalho. Na oficina intitulada “O tempo do amor hoje. Uma coreografia em pedaços”. A oficina será ministrada no Espaço Educativo Sophie Calle (Galpão de Oficinas do MAM) nos dias 22 e 23 de outubro, das 15:30h às 18:30h. Serão 15 vagas e as inscrições deverão ser feitas pelo (71) 3117 6141, ou no local com 30 minutos de antecedência.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Na oficina, Leilla propõe uma problematização do mito do amor romântico e da procura da alma gêmea, discutindo valores, crenças e clichês que fazem parte do culto do amor romântico, isso tudo a partir da análise de trechos dos filmes Antes do amanhecer e Antes do pôr do sol do diretor norte americano Richard Linklater.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Segundo Állex Leilla, a escolha dos filmes de Richard Linklater como mote para os debates, se deu por eles tentarem colocar no plano dialógico a questão da necessidade de busca da alma gêmea nos tempos de hoje. Ora eles fornecem uma crítica a essa projeção romântica, ora apostam numa espécie de cumplicidade capaz de preencher essa lacuna amorosa. “Gosto da forma como Linklater aborda temas complexos como amor, paixão, projeção, desejo, sempre problematizando os assuntos”, afirma Állex.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ao fim dos encontros, serão desenvolvidas atividades práticas de escrita que reelaborem ou desconstruam o mito do amor romântico, além de apresentação de conceitos, debates e interpretação de cenas e produção.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Após essa oficina, a escritora ainda volta no dia 18 de novembro para fechar as atividades da curadoria educativa de Cuide de você, exposição que segue até o dia 22 de novembro, com o seminário Tudo o que eu nunca te disse: Sophie Calle &amp; Ana Cristina César, onde ela reflete sobre as vantagens e desvantagens de enquadrar certas produções poéticas e artísticas no gênero autobiografia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Núcleo de Comunicação&lt;br /&gt;Museu de Arte Moderna da Bahia&lt;br /&gt;(71) 3117 6137&lt;br /&gt;ascom.mam@gmail.com&lt;br /&gt;www.mam.ba.gov.br&lt;br /&gt;mamboxx.blogspot.com&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Contato:&lt;br /&gt;Juliana Maia&lt;br /&gt;Coordenadora de Comunicação MAM-BA&lt;br /&gt;(71) 8887 2003&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Leonardo Parente&lt;br /&gt;Jornalista&lt;br /&gt;(71) 8138-8195&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-7083236627395688361?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/7083236627395688361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/10/escritora-allex-leilla-desconstroi-o.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7083236627395688361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7083236627395688361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/10/escritora-allex-leilla-desconstroi-o.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-8883947573275828600</id><published>2009-10-21T09:59:00.001-02:00</published><updated>2009-10-21T10:02:43.704-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/St74UKhmZyI/AAAAAAAAAL0/O3e6Gwcj7tk/s1600-h/allex+no+mam.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/St74UKhmZyI/AAAAAAAAAL0/O3e6Gwcj7tk/s320/allex+no+mam.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395022428942788386" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papo literário: Escritora Állex Leilla ministra minicurso no MAM-BA&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Um paralelo entre os recursos da obra da francesa Sophie Calle e artistas e escritores como Renato Russo e Caio Fernando Abreu norteiam o minicurso no Espaço Educativo Sophie Calle&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Uma análise paralela entre a obra de Sophie Calle e os recursos presentes nas obras de personalidades como Caio Fernando Abreu e Renato Russo, serão debatidos no minicurso Infinitamente pessoal: Eu, você, eles e nós. O curso será ministrado pela escritora e doutora em letras Állex Leilla, no Espaço Educativo Sophie Calle (Galpão de Oficinas do MAM), nos dias 14, 15 e 16 de outubro, das 14h às 17h. O curso é gratuito. Mais informações (71) 3117-6141.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em Infinitamente pessoal: Eu, você, eles e nós, será feita uma extensão de questões interessantes trazidas pela obra de Sophie, como a relação entre o artista e público; a existência ou não de personas mediando o produto e a recepção dele; a intervenção do biográfico na criação e os limites cada vez mais tênues e complexos entre o pessoal e o ficcional. “Serão apresentadas formas artísticas, leituras e maneiras de produção, ou seja, além de teoria e do debate, vamos trabalhar, nestes três dias, também com a criação”, informa Leilla.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O minicurso dá seqüência às atividades da Curadoria Educativa de Cuide de você que segue até o fim da exposição (22/11). Na semana passada, foram realizados seminário, minicurso e oficina pelo fotógrafo Edgard Oliva, com as vagas sempre muito disputadas e participação ativa do público.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Állex Leilla é escritora com quatro livros publicados: Obscuros (contos,1999), Henrique (romance, 2001), O sol que a chuva apagou (novela, 2009) e o livro de contos Urbanos, que em 1997 lhe rendeu o prêmio COPENE, o atual Prêmio Brasken de Literatura. Leilla leciona também literatura portuguesa na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e é professora da Universidade Federal da Bahia&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em relação à obra de Sophie Calle, Állex Leilla traça um paralelo de características em comum. “Creio que temos as mesmas preocupações com as questões da nossa época, o que está acontecendo ao nosso redor, e em trazer, para a escrita, a arte”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O MAM-Ba é um dos 13 espaços culturais do IPAC (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia), órgão da Secretaria de Cultura do Estado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Núcleo de Comunicação&lt;br /&gt;Museu de Arte Moderna da Bahia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-8883947573275828600?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/8883947573275828600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/10/papo-literario-escritora-allex-leilla.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/8883947573275828600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/8883947573275828600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/10/papo-literario-escritora-allex-leilla.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/St74UKhmZyI/AAAAAAAAAL0/O3e6Gwcj7tk/s72-c/allex+no+mam.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-8196500185683440961</id><published>2009-09-27T17:47:00.002-02:00</published><updated>2009-09-27T18:02:34.144-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://akvis.com/img/examples/coloriage/lily-gallery/lily-bw.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 320px;" src="http://akvis.com/img/examples/coloriage/lily-gallery/lily-bw.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se que ela tem saudades dele. Do centro do céu sem nuvens, sem primavera, desloca-se a cabeça, olho direito, olho esquerdo, o tronco todo, pra ver o céu da janela da cozinha. Move-se cheia de soluços na garganta. Molha as mãos e o rosto. Faz café. Sabe-se, sabemos: ela sente a falta dele como ninguém. Bicho desencontrado tentando sobrevoar a terra de muros e concreto que não nos pertence. Desde que ele foi embora da Bahia, ela sente sua falta. A ópera de Nabucodonosor, ela ouve. Ela que odeia ópera. Músicas antigas, músicas novas, ela ouve, pensando nele. Logo ela que um dia o irritou seriamente dizendo: prefiro o Morrissey. De repente, ela ri e pensa: se alguém (ele) me pega agora... &lt;br /&gt;Ela quer dizer: se ele a pegasse ouvindo suas músicas preferidas. Ela gravou algumas num Cd de 80 minutos e ouve sozinha, andando pela casa, deitada, consertando o cabelo, mudando de lugar os objetos. &lt;br /&gt;As mulheres que melhor escrevem neste mundo, ela agora as pega pra ler. Mas não prossegue muito, vai de livro em livro, de página em página, e chora, chora no meio das palavras de Florbela Espanca, de Clarice Lispector, de Hilda Hilst, de Violette Leduc, de Margueritte Duras, de Ana Cristina Cesar, de Juana Inés de la Cruz, de Alfonsina Storni. Embaçando as palavras, ela chora com saudades dele. &lt;br /&gt;Não adianta estender a mão. &lt;br /&gt;Não estenda sua mão. &lt;br /&gt;Ademais, quem te pediu ajuda? &lt;br /&gt;Tenha decência, ela não te notará. &lt;br /&gt;Só uma pequena grotesca obsessão. No caminho dela, o que há de mais triste e desajustado. Qualquer alegria que a presença dele pudesse dar. &lt;br /&gt;Esteja certo(a) de sua solidão absoluta.&lt;br /&gt;Não amole.&lt;br /&gt;Fique quieto(a) apenas. Passará.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-8196500185683440961?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/8196500185683440961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/09/sabe-se-que-ela-tem-saudades-dele.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/8196500185683440961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/8196500185683440961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/09/sabe-se-que-ela-tem-saudades-dele.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-4381018732124175982</id><published>2009-09-13T10:48:00.004-02:00</published><updated>2009-09-13T14:48:39.175-02:00</updated><title type='text'>CUIDADO: UNIMED NÃO É PLANO DE SAÚDE, É TRÁFICO ARMADO!</title><content type='html'>Gostaria que essa mensagem servisse de alerta para que os desavisados que pretendem se associar ao Plano de Saúde UNIMED, qualquer um deles, mas, sobretudo, o sistema intercâmbio que atende pelo nome de UNIMED LESTE FLUMINENSE. Infelizmente, aderi a esse plano de saúde em setembro de 2008, minha adesão dependia de pagar uma taxa de adesão também para a UNIVERSICRED, cooperativa dos funcionários da UNIVERSO (Universidade Salgado de Oliveira, campus de Salvador, onde eu era professora). Meu marido (João Batista Fernandes Filho, ou o escritor e poeta João Filho), que também é funcionário da UNIVERSO, aderiu ao plano de saúde e à cooperativa. No entanto, tanto eu quanto ele pretendemos nos desligar da cooperativa e do plano o mais rápido possível devido ao fato de termos descoberto, na prática, que esse convênio é uma farsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o dia 26/06/2009, meu marido tenta uma cirurgia de hérnia de disco e tem sido destratado e/ou ignorado pelo plano UNIMED LESTE FLUMINENSE. Estamos sozinhos para negociar o inegociável com o plano, uma vez que se trata de saúde. Dia 03/08/2009 entramos com um pedido de liminar, através de um núcleo jurídico. No dia 24/08, a liminar foi concedida. Recebemos um telegrama da UNIMED avisando que em cumprimento à liminar a cirurgia havia sido autorizada, deveríamos nos dirigir ao escritório da Central Nacional UNIMED, em Salvador (no Ed.Convention Center, Cidadela-Iguatemi), o que fizemos no mesmo dia. Depois de uma manhã inteira esperando, liberaram uma guia de internação para o Hospital UNIMED. Fomos ao Hospital UNIMED no mesmo dia e demos entrada no pedido de cirurgia, agora com a autorização concedida. Fomos informados que uma enfermeira agendaria com o médico-cirurgião e anestesista e entraria em contato. Dia 26/08, houve uma audiência no Juizado da Universidade Católica(SSA) porém, nessa ocasião nada foi resolvido, tendo a empresa informado à juíza que a cirurgia já havia sido autorizada. No entanto, até hoje, dia 13/09/2009, meu marido&lt;br /&gt;ainda aguarda a cirurgia. A UNIMED sempre arranja um jeito de adiá-la, o mais novo motivo é porque o "material cirúrgico foi rejeitado pelo médico", isto é, eles querem que o médico use material inadequado! Meu marido segue sentindo dores, está de licença pelo INSS, impossibilitado de trabalhar e estudar. Passamos dias inteiros ligando para a empresa sem sucesso, a conta de telefone é monstruosa. Me pergunto como a justiça brasileira justifica a existência de um plano de saúde desses, inútil e, sobretudo, criminoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos fazendo denúncias em todas as TVs e jornais locais, já registramos queixa na ANS e Ministério Público e nada, absolutamente nada foi feito contra a empresa. Como professora, tenho enviado emails diários a alunos e colegas para que evitem se associar ao plano UNIMED, qualquer um deles, Central Nacional UNIMED, UNIMED-SSA, não&lt;br /&gt;importa, são todos da mesma corja. Alertei também aos colegas da UNIVERSO-SSA que pensem bem antes de entrarem na UNIVERSICRED visando a adesão ao Plano de Saúde. Pensem bem porque na prática é mesmo que não ter plano algum, trata-se de uma quadrilha, uma quadrilha que não é fiscalizada nem pela ANS nem pelo Ministério Público e não obedece a liminares da justiça. Espero que consiga evitar que mais pessoas, desavisadas, entrem nesse plano de saúde que não funciona e que constitui, sem dúvidas, um caso de polícia, provavelmente é tráfico! Que outro tipo de atividade&lt;br /&gt;empresarial pode ignorar determinações jurídicas e sair ilesa? Só conhecemos uma: o tráfico armado! Todas as outras empresas, de uma forma ou outra, é punida, por que essa não é? Qual será o traficante que está por trás dela? Sei que é um saco essas coisas de email coletivo, corrente, solidariedade, mas ainda assim, peço encarecidamente, que mandem essa mensagem ao maior número de pessoas possível, pois se trata de uma utilidade pública para que nenhum cidadão/consumidor tenha de passar pelo que estamos passando. Obrigada de coração!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Állex Leilla&lt;br /&gt;Professor-assistente UEFS&lt;br /&gt;Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/3529681209301146&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-4381018732124175982?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/4381018732124175982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/09/cuidado-unimed-nao-e-plano-de-saude-e.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4381018732124175982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4381018732124175982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/09/cuidado-unimed-nao-e-plano-de-saude-e.html' title='CUIDADO: UNIMED NÃO É PLANO DE SAÚDE, É TRÁFICO ARMADO!'/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-7848653228915595439</id><published>2009-08-23T13:43:00.002-02:00</published><updated>2009-08-23T13:50:03.660-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://danilofloriano.files.wordpress.com/2009/01/mergulho.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 291px; height: 458px;" src="http://danilofloriano.files.wordpress.com/2009/01/mergulho.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que não nos matamos quando chove fino, pirracento, quando chove assim pedaços de cinza encobrindo o sol, quando chove domingo sem horizontes, dentro e fora de nós? &lt;br /&gt;- É simples - dirá você, às gargalhadas. &lt;br /&gt;- Se é simples, diga-me logo, please. &lt;br /&gt;Então você responde, dentro de si cada vez mais.&lt;br /&gt;- Não nos matamos.&lt;br /&gt;Ponto final.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-7848653228915595439?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/7848653228915595439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/08/por-que-nao-nos-matamos-quando-chove.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7848653228915595439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7848653228915595439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/08/por-que-nao-nos-matamos-quando-chove.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-9171777833099435117</id><published>2009-07-23T23:47:00.002-02:00</published><updated>2009-07-23T23:57:13.857-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Não conto nada, que já estou de saco cheio, dizem que para morrer basta estar vivo, estamos vivos e não morremos, eta, inocência! ou será burrice mesmo?, agora, ao menos, não há dissipação, e não se dissipar tem seus méritos, arriscaríamos até analogia: cinzas de cigarro, sim, por que não?, além do cheiro morno - tão morno que quando sinto me assombra o quanto ainda pode ser vivo o cheiro de alguém em algum canto deste edifício fumando cigarro -, o cigarro deixa cinzas que raramente podem ser dissipadas, ficam dias pela casa, nos objetos, na ponta dos dedos, na língua, e pensar que tantas vezes trepamos com cigarro nos dedos, na língua, foi você quem disse certa feita e nem me lembro se de tarde ou madrugada, sempre que a noite chega é este medo de contar o que não se conta mais, simplesmente porque passou o tempo disso: contar, pensar que você disse tão bendito e até gracioso, sempre que a noite chega é este medo de contar o que não se conta mais, pois é, sabíamos, há anos sabíamos, por que então a teima em tentar de novo?, não conto nada, meu saco: cheio, é que para morrer basta realmente estar vivo, estou vivo, por que não... ahã?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-9171777833099435117?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/9171777833099435117/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/07/nao-conto-nada-que-ja-estou-de-saco.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/9171777833099435117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/9171777833099435117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/07/nao-conto-nada-que-ja-estou-de-saco.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-3062973750937007912</id><published>2009-06-28T02:00:00.002-02:00</published><updated>2009-06-28T02:03:59.946-02:00</updated><title type='text'>Lançamento de "Ao longo da linha amarela", de João Filho</title><content type='html'>Todos estão convidados para comparecer na terça-feira, dia 07/07, às 19h., à Livraria Tom do Saber, no Rio Vermelho, para o lançamento do livro de contos "Ao longo da linha amarela", de João Filho. Abaixo o convite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/Skbq4ENIxHI/AAAAAAAAALk/BjOgGRNr-jA/s1600-h/lan%C3%A7amento.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 225px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/Skbq4ENIxHI/AAAAAAAAALk/BjOgGRNr-jA/s320/lan%C3%A7amento.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352223456098829426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-3062973750937007912?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/3062973750937007912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/06/blog-post.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3062973750937007912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3062973750937007912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/06/blog-post.html' title='Lançamento de &quot;Ao longo da linha amarela&quot;, de João Filho'/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/Skbq4ENIxHI/AAAAAAAAALk/BjOgGRNr-jA/s72-c/lan%C3%A7amento.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-3654975879295693531</id><published>2009-06-24T19:25:00.002-02:00</published><updated>2009-06-24T19:34:46.091-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Não há domínio que dure mais de dez minutos, deitado, inerte, olhando os pingos d'água contra o muro, pedaços de gravetos são apenas pedaços de gravetos, brasa dormida que não tem o que ensinar agora nem nunca, no chão ou em Marte, é preciso escorregar entre um novelo e outro, saber/ver o que sua mão constrói e a cabeça desconstrói, não perca o ritmo, baby, se perigar, deslize e pisque os olhos mais e mais, um dia deitado ao largo da própria vida, que tem seu ritmo às vezes acasalado, às vezes divorciado de outros caros desejos, reflita/veja: nem tudo está perdido, nem tudo está salvo, há um ritmo, e isso não é conversa mole de quem perde as horas embalando sua própria sombra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-3654975879295693531?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/3654975879295693531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/06/nao-ha-dominio-que-dure-mais-de-dez.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3654975879295693531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3654975879295693531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/06/nao-ha-dominio-que-dure-mais-de-dez.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-7442876589831109250</id><published>2009-05-18T10:56:00.001-02:00</published><updated>2009-05-18T11:42:24.230-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://galeria.brfoto.com.br/data/518/20050105_-_Chuva_-_Wlady.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 699px; height: 466px;" src="http://galeria.brfoto.com.br/data/518/20050105_-_Chuva_-_Wlady.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Estamos de volta aos&lt;br /&gt;dias moribundos de ca-&lt;br /&gt;lor e outono&lt;br /&gt;onde as folhas gordas&lt;br /&gt;viram e suspiram no si-&lt;br /&gt;lêncio amarelado&lt;br /&gt;onde vimos pela pri-&lt;br /&gt;meira vez o brilho novo&lt;br /&gt;do céu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estamos de volta&lt;br /&gt;atrás de nós as ondas&lt;br /&gt;da memória cercam nos-&lt;br /&gt;sos gestos&lt;br /&gt;o nascimento da tarde&lt;br /&gt;é maior que as limita-&lt;br /&gt;ções sem tempo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estamos de volta e pe-&lt;br /&gt;quenos e sozinhos,&lt;br /&gt;olhos, dores e sonhos&lt;br /&gt;abertos diante do dia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estamos de volta ao mes-&lt;br /&gt;mo lugar enorme e irre-&lt;br /&gt;sistível/ às sombras mo-&lt;br /&gt;ribundas de calor e&lt;br /&gt;outono&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Cristina César: Infância&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-7442876589831109250?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/7442876589831109250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/05/estamos-de-volta-aos-dias-moribundos-de.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7442876589831109250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7442876589831109250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/05/estamos-de-volta-aos-dias-moribundos-de.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-7540352376594501979</id><published>2009-04-13T00:51:00.002-02:00</published><updated>2009-04-13T00:59:24.089-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.boingbeing.com/previews/plasticcastles.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 600px; height: 602px;" src="http://www.boingbeing.com/previews/plasticcastles.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...] Dias doentios virão. Varanda de ladrilhos cor de carne. O vácuo. Quer você tenha casa, quer viva num caixote de papelão, pouco importa. Conserte os cabelos com as mãos quando o vento marinho jogá-los na tua cara... Afaste-os do rosto em direção à nuca, depois solte-os, e eles voltarão a assanhar. Não importa quem você seja, que segredo ou missão acha que a vida guarda pra si. Estará de cara com o nada, suas forças minarão.&lt;br /&gt; O sol principiará lá fora, de sua fraqueza não vai querer saber. Se revolte. Quebre copos na cozinha. Jogue os cacos pela janela. Uns brilharão no asfalto, outros, na lataria escura do tonel de lixo. O rumor de vidro caindo no asfalto pode fazer você se sentir bem. Ria, amansado(a), deite-se outra vez e não vá trabalhar, pois é um daqueles inúmeros dias em que se precisa esquecer a si mesmo, e não se esquece. &lt;br /&gt; Novamente, como numa senha: choverá forte, depois tudo cessará. Ficará um mormaço e um vento gelado. Você pode lavar os cabelos, se cabelos você tiver. Você pode fechar e abrir os olhos, caso não seja cego(a). Você vai se sentir órfão(ã), mesmo tendo pai e mãe vivos. Faça um pouco mais de café. Escolha algum livro e deite na cama. Se você for dos/das que leem. Ou escolha uma boa trilha sonora. Caso goste de música. &lt;br /&gt; Dias estancados na janela. Passarinhos aqui e ali. Por mais que se esqueça o lugar onde se vive: alguém passará lá embaixo com aquela fitinha branca do Senhor do Bonfim, no pulso, te lembrando, sempre: é sexta-feira, dia de Oxalá. Estará no pulso de vários pedestres. A fitinha. Molhando na chuva, mofando no inverno, umedecendo no outono e gostar-se-ia de romanticamente dizer: floreando na primavera. Mas não é ver-dade: nos dias doentios não haverá flores. A primavera estará longe, muito longe. Esqueça-a. Você está profundamente só. Dentro do seu próprio silêncio-peso. Olhando os objetos ao redor. Portanto, boa sorte. Por isso, boa sorte. Agora e sempre: boa sorte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-7540352376594501979?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/7540352376594501979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/04/blog-post.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7540352376594501979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7540352376594501979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/04/blog-post.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-8815364861510541011</id><published>2009-03-06T12:07:00.004-02:00</published><updated>2009-03-06T12:34:19.689-02:00</updated><title type='text'>Coleção Cartas Bahianas lança:</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/SbEvLB7H8oI/AAAAAAAAAKk/rvgega4ci5k/s1600-h/capa+de+O+sol.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310077302188012162" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 168px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/SbEvLB7H8oI/AAAAAAAAAKk/rvgega4ci5k/s320/capa+de+O+sol.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/SbEuXqTWZKI/AAAAAAAAAKc/vNHM424AkH4/s1600-h/convite+lan%C3%A7amento+allexleilla.jpg"&gt;&lt;/a&gt;O sol que a chuva apagou é uma novela que traz um clima de diário de bordo ou de estrada, no clima sexo, drogas, delicadeza e rock in roll, dialogando de longe com "On the road", de Jack Kerouac. Apesar de ter começo, meio e fim, também pode funcionar como fragmentos, anotações sobre a perda de um grande amor e o início de outro, pois foi elaborada a partir da voz de um personagem que está finalizando uma etapa de sua vida e iniciando outra. Thiago era professor, casado, morava na Inglaterra, mas de repente seu companheiro morre, ele então retorna ao Brasil e é convidado a integrar a banda do irmão mais velho, onde entra para ocupar o lugar de um baixista que havia saído. Na banda, ele acaba se apaixonando por um dos músicos. O texto, então, tem esse ritmo de transição, são pequenos intervalos entre o eu e o mundo, como quando o externo nos joga pra dentro de nós mesmos e nossa interioridade, segundos depois, nos joga pra fora. No livro, os intervalos não mostram ao leitor se foram dias, semanas, horas ou segundos decorridos entre uma ação e outra. Em vez disso, trabalha-se com a perspectiva de se capturar esse tempo interno, singular, único. Assim, a história ensaia uma pergunta do começo ao fim: como se posicionar dentro de certas fases de transição em que vemos claramente que alguns ciclos de nossa vida estão se fechando e outros se abrem inesperadamente, como o sol depois da chuva? &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310082589118737890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 170px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/SbEz-xRoreI/AAAAAAAAAKs/1t5h-slcbPE/s320/capa_livro_renata_belmonte%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Vestígios da Senhorita B. é um pequeno bilhete, a última fotografia: ela, já de costas para o mundo, esperando o trem que a levaria para a sua nova vida. Uma cama, um vestido, um livro: vestígios. Alguém que foge sem que se saiba o porquê. Ela: a Senhorita B. Construído com o corpo, o livro propõe uma busca sobre o verdadeiro sentido da palavra identidade. Como delimitar apenas com um combinado de letras a existência de cada ser? Sim, o nosso nome é a única coisa imutável que carregamos conosco, durante as nossas vidas. Mas como um singelo nome pode dar conta das múltiplas transformações que sofremos com o passar dos anos?  Qual o limite existente entre o personagem e o autor durante o processo de escrita?  Não é a literatura um meio de poder ser muitos outros? E por que precisamos dela, se não conseguimos pertencer sendo apenas um? O livro pode este ser lido tanto como uma novela quanto como um conjunto de contos. Também pode ser visto como um álbum de fotografias onde as legendas contam uma história através da poesia. E, sim, de certa forma, o Vestígios da Senhorita B. é um livro de memórias. Mas memórias de quem? Daquela que escreve, da que se diz personagem ou da que preferiu desertar no meio do caminho? Memórias reais ou inventadas? Ora, não importa. Porque qualquer memória é sempre verdadeira. Entre enredos, tempos e significados. Este é o Vestígios da Senhorita B.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-8815364861510541011?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/8815364861510541011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/03/colecao-cartas-bahianas-lanca.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/8815364861510541011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/8815364861510541011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/03/colecao-cartas-bahianas-lanca.html' title='Coleção Cartas Bahianas lança:'/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/SbEvLB7H8oI/AAAAAAAAAKk/rvgega4ci5k/s72-c/capa+de+O+sol.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-2007687328703836060</id><published>2009-01-30T18:52:00.003-02:00</published><updated>2009-01-30T21:55:45.399-02:00</updated><title type='text'>trechos para algum momento futuro</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://farm4.static.flickr.com/3231/2621768170_827984528d.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 268px; CURSOR: hand; HEIGHT: 500px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://farm4.static.flickr.com/3231/2621768170_827984528d.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; [...] Queria uma coisa simples, funcional. Que se pudesse carregar no bolso. Formato de dicionário mesmo. O pequeno dicionário da vida comum. A idéia era permitir que pessoas como ele, intranqüilas, facilmente irritadas, que explodem facilmente ou não explodem, todavia, por dentro, matam, estupram, cegam, dão veneno de rato a todas que lhe estragam o dia, confundem seu humor, destroçam sua paciência, permitir que pessoas como ele, enfim, tivessem um livro de bolso eficaz, companheiro, não essas chatices esotéricas, nem o Novo Testamento, que não tava a fim de ficar com Novo Testamento no bolso, tenha dó!&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;***&lt;br /&gt;Ao sonhar com o piano, percebia, desesperado, que não identificava mais algumas notas. Dó e Ré acabam sendo a mesma coisa, dizia, ironicamente, uma voz anasalada, tão irritante, tão cretina que não se daria ao trabalho de verificar de qual garganta saía. Até porque as gargantas estavam todas trocadas, umas como vasos de barro cheios de flores alaranjadas, brancas, vermelhas, amarelas, champanhe, outras feito piscinas, ostentando água azulzíssima, imóvel, tocadas unicamente por raios fracos de sol. [...]&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-2007687328703836060?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/2007687328703836060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/01/trechos-para-algum-momento-futuro.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/2007687328703836060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/2007687328703836060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2009/01/trechos-para-algum-momento-futuro.html' title='trechos para algum momento futuro'/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://farm4.static.flickr.com/3231/2621768170_827984528d_t.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-8746434419471725438</id><published>2008-12-30T19:56:00.002-02:00</published><updated>2008-12-30T20:01:36.343-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://www.mongabay.com/images/gabon/600/gabon-18770.JPG"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 600px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.mongabay.com/images/gabon/600/gabon-18770.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fonte da imagem:&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.mongabay.com/images/gabon/600/gabon-18770.JPG"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;http://www.mongabay.com/images/gabon/600/gabon-18770.JPG&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Que os bons caminhos se estendam ao teu encontro. Que o vento sopre sempre a teu favor. Que o sol brilhe cálido sobre teu rosto e as chuvas caiam suave sobre teus campos. E, até que de novo eu te veja, que o Senhor te conserve na palma de Sua mão.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Feliz 2009!&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Muita paz, muita prosperidade e muita renovação!&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-8746434419471725438?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/8746434419471725438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/12/fonte-da-imagem-httpwww_30.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/8746434419471725438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/8746434419471725438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/12/fonte-da-imagem-httpwww_30.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-204813513567567537</id><published>2008-12-23T22:12:00.003-02:00</published><updated>2008-12-23T22:28:30.170-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://www.galeriaaberta.com/eduardo_patarrao/slides/Coral%20azul.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 480px; CURSOR: hand; HEIGHT: 480px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.galeriaaberta.com/eduardo_patarrao/slides/Coral%20azul.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fonte da Imagem: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.galeriaaberta.com/eduardo_patarrao/slides/Coral%20azul.jpg"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;http://www.galeriaaberta.com/eduardo_patarrao/slides/Coral%20azul.jpg&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Só porque achei no chão &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;a estrelinha azul que você perdeu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;comecei a repensar no nosso amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas casas simples de cimento vermelho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;levam nossa tristeza pra dentro do tamarindeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As tardes inteiras vão passando calmas na rede,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto mata adentro os grilos nos falam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;do quanto a noite será extensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só porque colei na palma da mão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a estrelinha azul que você esqueceu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nosso amor deixou de ser mero pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-204813513567567537?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/204813513567567537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/12/fonte-da-imagem-httpwww.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/204813513567567537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/204813513567567537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/12/fonte-da-imagem-httpwww.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-6280288614499021582</id><published>2008-12-01T11:05:00.003-02:00</published><updated>2008-12-01T11:11:26.326-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://farm2.static.flickr.com/1052/982959089_1ae801e1f3.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 333px; CURSOR: hand; HEIGHT: 500px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://farm2.static.flickr.com/1052/982959089_1ae801e1f3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://farm2.static.flickr.com/1052/982959089_1ae801e1f3.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O piso da casa é gasto, não se percebe ruídos. A luz que chega é delicada, luz de mundo nublado, e bate diretamente nos quadros verde-sépia da parede.&lt;br /&gt;O que uma noite sem sono dá?&lt;br /&gt;O domingo não acha esperma algum no lençol. Dentro das malhas finas da manhã, meio perversa meio recomeço, o único cheiro é de mulher dissipada, afagando travesseiros. O corpo está só. Embaraçado, voltando à tona. Um suspiro e a mão abandona o sexo. Faz que tateia a própria pele, seu cheiro a um palmo do nariz. Sopra os pêlos entre os dedos, sempre se arranca muitos pêlos nesses movimentos circulares, solitários. Livra-se de palavras ditas no ontem, o quarto deserto, 72m², nenhum traço dele.&lt;br /&gt;Mas há qualquer traço dele por ali, sim, que se seja precisa ao menos uma vez. Há no azul do firmamento parado, nuvens paradas, atravessando horas, cuspindo nas rédeas do tempo, algum homem que se mistura à manhã, à canção que não se sabe quantas vezes mais será repetida, aos membros arranhados, à flor que morre no chão da varanda, que rola pra debaixo do sofá por capricho do vento, o único vento forte que entrou pela janela desde às 2:00 da madrugada.&lt;br /&gt;Aí lhe vem um verde vivo: a memória já entupida de heranças, de porfazeres. Quer apenas que tudo se extirpe, ficar sozinha como peixe dentro do vidro. Sozinha com a bebida cor de caramelo, a chuva que obriga o sol a ir embora, a aspirina, o espirrar agora mais constante, o cabelo que novamente acha de perder o tom.&lt;br /&gt;É refazer sempre.&lt;br /&gt;Qualquer um dos fios desse emaranhado de coisas e imagens contidas que se perca, trará de novo o homem que não se tem mas que se sabe o tempo inteiro lá fora, selando, perscrutando a solidão.&lt;br /&gt;Ocorre que não se quer senti-lo.&lt;br /&gt;Frases mortas dele em círculo, como se a sitiassem.&lt;br /&gt;Sabe que num momento leviano como esse o corpo dele junto ao de outro cara, lado a lado, atravessam a cidade - Brasília, onde ele foi morar - ou quedam-se agarrados entre odores e travesseiros. Quem sabe se um arranca violento o tecido que cobre o peito do outro, quem sabe se a violência prossegue em beijos, mordidas beirando sangue, ou promessas apaixonadas, ou sinceras confissões.&lt;br /&gt;Miséria de vida maldita. A essa hora, ele deve estar com outro homem.&lt;br /&gt;Pensando nisso, masturba-se. Depois, angustia-se.&lt;br /&gt;Perde a calma.&lt;br /&gt;Quebra cascos de Coca-Cola na cozinha.&lt;br /&gt;Amaldiçoa a si mesma, a cidade, a TV.&lt;br /&gt;Aumenta o volume, gritando por cima da voz de Patti Smith, de Chrissie Hynde. Mulheres fortes como tu, ele dissera. Serão, será?&lt;br /&gt;Cala-se.&lt;br /&gt;Masturba-se mais uma vez. [...] &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-6280288614499021582?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/6280288614499021582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/12/o-piso-da-casa-gasto-no-se-percebe.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/6280288614499021582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/6280288614499021582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/12/o-piso-da-casa-gasto-no-se-percebe.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://farm2.static.flickr.com/1052/982959089_1ae801e1f3_t.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-4969692225093008891</id><published>2008-11-23T00:57:00.002-02:00</published><updated>2008-11-23T01:07:33.088-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Enquanto não havia o medo, voávamos alto, talvez vôos do tamanho do nosso ego, talvez meros exercícios verbais. Entrávamos e saíamos de abrigos, achando-nos invencíveis, na pior das hipóteses, nossa melhor companhia pra solidão.&lt;br /&gt;     Consideremos o que fomos: bichos que ousam não ter medo do vazio, da solidão, da perda. Não ter medo é pensar grande, sabemos, mas é também pensar atropelado. Hoje há um fosso entre o corpo e alma. Chamamos precaução, receio, cautela, cuidado. Que nada! É o medo.&lt;br /&gt;      Medo de te perder subitamente. Teu cheiro, teus pêlos, teu umbigo, tuas coxas, teus braços, teu toque. Perder tuas palavras, tuas histórias repetidas, abruptas, engraçadas. Tua alma calma junto à minha. Tua cabeça viajando sem sair dos lençóis.&lt;br /&gt;     A vontade sem sentido de gritar no meio da rua: não me deixe! Tem cabimento? Não. Mas como mentir? O medo estrangula a garganta. Fazer o quê.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-4969692225093008891?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/4969692225093008891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/11/enquanto-no-havia-o-medo-vovamos-alto.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4969692225093008891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4969692225093008891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/11/enquanto-no-havia-o-medo-vovamos-alto.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-6385094941190205262</id><published>2008-11-23T00:45:00.003-02:00</published><updated>2008-11-23T00:47:45.933-02:00</updated><title type='text'>21 de novembro</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/SSjENIp8h8I/AAAAAAAAAI4/VeGRLO7aFVs/s1600-h/n%C3%ADver+de+%C3%81llex3.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271679093777926082" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/SSjENIp8h8I/AAAAAAAAAI4/VeGRLO7aFVs/s320/n%C3%ADver+de+%C3%81llex3.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/SSjD_9Otg-I/AAAAAAAAAIw/Q5abGVyUrhY/s1600-h/n%C3%ADver+de+%C3%81llex2.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271678867372606434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/SSjD_9Otg-I/AAAAAAAAAIw/Q5abGVyUrhY/s320/n%C3%ADver+de+%C3%81llex2.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Almoço no Saúde Brasil, um clássico???&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-6385094941190205262?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/6385094941190205262/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/11/21-de-novembro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/6385094941190205262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/6385094941190205262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/11/21-de-novembro.html' title='21 de novembro'/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SQng3jrIENg/SSjENIp8h8I/AAAAAAAAAI4/VeGRLO7aFVs/s72-c/n%C3%ADver+de+%C3%81llex3.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-7172764025853534845</id><published>2008-11-16T18:24:00.004-02:00</published><updated>2008-11-21T00:06:33.011-02:00</updated><title type='text'>Lista de presentes possíveis e outros nem tanto para 21 de novembro</title><content type='html'>1. Cd Greatest Hits, Morrissey (novo, de 2008)&lt;br /&gt;2. Cd Só nós, Paula Toller&lt;br /&gt;3. Cd "Pros que estão em casa", novo, de Toni Platão&lt;br /&gt;4. Cd Rank, dos Smiths&lt;br /&gt;5. Cd Epanymouns, do REM&lt;br /&gt;6. "Escritos da Inglaterra", de Ana Cristina Cesar&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;7. Biografia de Caio Fernando Abreu: já recebido!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;8. Livro de poesia de Ted Hughes (qualquer um)&lt;br /&gt;9. Livro de Al Berto (qualquer um)&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;10. "Depois da Teoria", de Terry Eagleton: já prometido!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;11. Cinzeiro grande, bonito&lt;br /&gt;12. Ba-guá para porta de entrada preto, marrom ou dourado&lt;br /&gt;13. Sais para banho&lt;br /&gt;14. Plantas grandes ou pequenas, mas saudáveis&lt;br /&gt;15. Óculos de sol do tipo tartarugas, marrom ou preto&lt;br /&gt;16. Batedeira&lt;br /&gt;17. Cafeteira&lt;br /&gt;18. Uísque&lt;br /&gt;19. Bolsa preta ou marrom&lt;br /&gt;20. Xícaras&lt;br /&gt;21. Copos bonitos&lt;br /&gt;22. Toalhas de banho, vermelhas&lt;br /&gt;23. Roupas de cama/casal, lilás, roxo ou violeta&lt;br /&gt;24. Pijama&lt;br /&gt;25. Lenços para cabelo&lt;br /&gt;26. Tapetes vermelhos para banheiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-7172764025853534845?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/7172764025853534845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/11/lista-de-presentes-possveis-e-outros.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7172764025853534845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7172764025853534845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/11/lista-de-presentes-possveis-e-outros.html' title='Lista de presentes possíveis e outros nem tanto para 21 de novembro'/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-5533501193043834357</id><published>2008-10-21T12:23:00.006-02:00</published><updated>2008-10-21T12:33:50.888-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://img.olhares.com/data/big/191/1915788.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://img.olhares.com/data/big/191/1915788.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;div align="center"&gt;Diga-me: o que traz você aqui?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Ser feliz diante do teu claro par de olhos não é mais uma meta, mas a única forma de sobreviver. Estranhos. Teus olhos. Estranhos. Olhando tudo com desconfiança. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Me aconselha a morte? A derrota? O esquecer?&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Diga-me: o que traz você aqui?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Não posso ver por ti as borboletas de setembro, não posso sentir por você o cheiro quase incêndio dos jasmins.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Te aviso apenas que esse lado que tomas é o pior lado da estrada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Sinta comigo: há tanto atalhos, tantas formas de se buscar o sol, por que então insistes sempre em ir por onde queima, por onde ele rouba a vida do verde, onde ele sapeca tudo de um amarelo queimado, amarelo morto, infeliz?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-5533501193043834357?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/5533501193043834357/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/10/diga-me-o-que-traz-voc-aqui-ser-feliz.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/5533501193043834357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/5533501193043834357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/10/diga-me-o-que-traz-voc-aqui-ser-feliz.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-761462352550749202</id><published>2008-10-11T17:45:00.003-02:00</published><updated>2008-10-11T18:04:41.598-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://www.laurarodrigues.com/blog/wp-content/uploads/2007/07/aves-sp.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.laurarodrigues.com/blog/wp-content/uploads/2007/07/aves-sp.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Ao mesmo tempo que passa, permanece. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Subindo em bolhas.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; Aglutinando, aproximando, &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;afastando-se. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;No fundo, é a tela azul da mente, &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;sem novidades,&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;de um azul machucado e denso.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;No foco, as mesmas imagens, &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;de ponta cabeça, &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;de lado, &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;de frente.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Viajam.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Como viajavam em minha xícara&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;os milhares de guarda-chuva coloridos&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;enquanto, agasalhada, tomava café&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;e te esperava.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-761462352550749202?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/761462352550749202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/10/ao-mesmo-tempo-que-passa-permanece.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/761462352550749202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/761462352550749202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/10/ao-mesmo-tempo-que-passa-permanece.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-204187643530154526</id><published>2008-08-22T10:41:00.002-02:00</published><updated>2008-08-22T10:50:40.760-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://www.fotoplatforma.pl/foto_galeria/1013_DSCN1745x.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.fotoplatforma.pl/foto_galeria/1013_DSCN1745x.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;[...]&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; Fácil é pensar em falar com ele, não como se sofresse um súbito acesso de fuga e, confusa, estivesse dialogando com o que não há. Não isso de borboleta errante procurando pouso em flores baldias. Que isso, apesar de bonito, é torto e não ameniza dor nenhuma. Nada de fuga, reticências, abstrações. Se pudesse estar olhos nos olhos com ele, comentar qualquer bobagem — não da dor, da dor não, agora: não, por Deus! —, cercar-se de coisas leves, comentários sobre a primavera, sobre café expresso com creme, sobre a temperatura certa do vinho tinto, sobre cigarros, sobre as condições do tempo em Salvador. Algo meio folha de amendoeira ao vento: bela, leve, cheia de retrâncias avermelhadas. Que amigos, amigos verdadeiros, ela leu em algum lugar e ainda se lembra, precisam apenas de proximidade, não de conteúdo ou confissões, precisam é estalar a língua no ar, espairecer. Uma conversa meio apoio para o corpo, uma conversa um tanto pilastra, coluna grega pra escorar a dor. Escore esta hemorragia pra mim, meu querido. Faça em segredo uma simpatia pro corpo se endireitar de novo, pra dor ficar comportadinha. Não tão aguda. Boazinha, na vitrine, como dizia Baudelaire, re-dizia Ana C., re-diremos agora nós. Compreende?&lt;br /&gt;            Tão simples pedir ajuda a ele. Tão impossível obter.&lt;br /&gt;Um demônio toca piano.&lt;br /&gt;Ou seria clarineta?&lt;br /&gt;Um demônio dança longe.&lt;br /&gt;Ou seria dentro?&lt;br /&gt;            Enquanto tenta falar com ele, tropeça na fraqueza: tonteira e despreparo pra arrumar os acontecimentos. O canal da mente fecha. É verdade: a imagem dele some. Que desgraça. Desaparece aquela voz serena dele, aquela calmaria de lençóis de cetim que é estar aninhada nele. Miséria. Só pensa em chegar em casa imediatamente, tomar banho, vestir uma roupa limpa, necessariamente de algodão, e cair na cama.&lt;br /&gt;            Mas voltar pra casa... Como poderia?&lt;br /&gt;            Torna a ver o mundo escorregadio e cai.        &lt;br /&gt;            Cai sem ouvir a resposta dele. Sem conseguir visualizar a mão cheia de pêlos dele. Estendida. Salvando-a. Cai e vai apagando. A mente soletrando the end, the end, como uma inimiga pirracenta, a mente projetando, mortalhas de seda vermelho-sangrento, pra lá, pra cá, o último orgasmo com ele, ontem, ali, aquele copo com conhaque num sábado chuvoso, antes de ele confessar que amava outro cara, antes de ele querer ir embora, por quê, meu Deus, por quê?, sua vida acabou, minha querida, já era, encare os fatos, sua vida è finita, entendeu?&lt;br /&gt;            Sì, sì, va bene, ho capito, non c’è male, arriverdeci.&lt;br /&gt;            Perseguição em língua estrangeira.&lt;br /&gt;            Talvez fosse isto: fechar os olhos, se entregar. Por que não?&lt;br /&gt;            Por mais que amedronte, a escuridão sempre promete um alívio pra dor. Ficar imóvel, desaparecer dentro dela, feito poeira. Besta quadrada é qualquer existência, já se sabe: viver não vale o esforço com que expiramos.&lt;br /&gt;            A vida.&lt;br /&gt;            Miudinha.&lt;br /&gt;            Pedregulha embaixo dos pés.&lt;br /&gt;Incrível como os olhos se entregam fácil, acomodando-se à falta de luz.&lt;br /&gt;O resto do corpo, porém, não.&lt;br /&gt;Luta, força o retorno à claridade.&lt;br /&gt;Rumina.&lt;br /&gt;Resiste.&lt;br /&gt;Se desprega da alma, tem vida própria, arrepio de corrente, tempestades.&lt;br /&gt;O resto do corpo é presente sólido, se impondo. Enquanto a cabeça é longe, tão longe. Tanto tempo. Dias, meses, séculos atrás. Provavelmente, só os vermes aproveitarão tanta energia gasta entre um e outro, pois são os vermes que espreitam as guerras, de camarote, aguardando o desfecho.&lt;br /&gt;É isto?&lt;br /&gt;Porra nenhuma.&lt;br /&gt;            Vontade antiga impulsionando: vencer.&lt;br /&gt;            De onde, por que vem?&lt;br /&gt;            Não sabe.&lt;br /&gt;            Desimporta.&lt;br /&gt;            Reaprende.&lt;br /&gt;            A luz de uma vida inteira.&lt;br /&gt;            Quer ver a luz do sol. Não se entregar. Viver.&lt;br /&gt;            Desperta outra vez.&lt;br /&gt;            Anda cambaleando, depois consegue andar um pouco mais firme, lutando contra a tontura que nasce na cabeça e vai se espalhando pelo tronco até mordiscar os pés. Nos pés e mãos, agulhas trabalham a cada passo.&lt;br /&gt;            Ignora-as.&lt;br /&gt;            Esfrega os pulsos, abandona o terreno baldio para onde os dois homens a levaram, à força. Na subida, avista um viaduto. A memória é suficiente pra reconhecer onde está.  Orienta-se pelo velho viaduto encravado no centro da cidade, acima de sua cabeça. Atravessa o estacionamento São Raimundo, embaixo dele. Esfrega de novo os pulsos marcados. Então, a abandonaram no centro, sem moto, sangrando, sem dinheiro, sem nada. Muito bem, muito bem. Um rapaz vai passando, perto da árvore velha que sombreia cheia de vida uma parte da calçada. Franze a testa ao vê-la:&lt;br /&gt;            — Precisa de ajuda, moça?&lt;br /&gt;            De calças jeans e boné verde-cana.&lt;br /&gt;            Vem correndo, assustado, ao encontro dela.&lt;br /&gt;            — O que aconteceu, dona?&lt;br /&gt;            Ela tenta calcular as horas enquanto se apóia no ombro dele.&lt;br /&gt;            — Você precisa de ajuda? — ele volta a perguntar, confuso.&lt;br /&gt;            Ela o encara. Ele torce as mãos.&lt;br /&gt;            Primeiro “moça”, depois, “dona”, e, por fim, “você”. Uma gradação masculina?&lt;br /&gt;            Sim, queridinho, toda a ajuda possível, como não?, veja, acabara de perceber: ia precisar matar dois homens logo, logo. O pensamento foi tão rápido que ela mal acreditou: does the body rule the mind or does the mind rule the body? Ligar mais tarde pro Príncipe da Ironia, pro Deus da Melancolia Infinita e perguntar: Stephen, querido, você já conseguiu uma resposta precisa?&lt;br /&gt;Mas lembrar daquela música, naquele instante, é pender de novo no vácuo. Passaram-se tantos, tantos anos. Ela era adolescente e queria sair do País. Essa canção no café da manhã, essa canção na hora do almoço, essa canção antes de dormir. O corpo toma o leme ou a mente é quem dirige? Quer dizer, realmente importava saber? Gostava até mais quando ocorria o contrário, quando o coração vinha mais ágil e tomava o centro. Uma vida dirigida pela emoção, uma vida sessão da tarde, se pudesse escolher, como diria não?&lt;br /&gt;            O rapaz pergunta novamente se ela precisa de ajuda, se fora atropelada, se sentia alguma parte do corpo quebrada.&lt;br /&gt;            Ela balança a cabeça. Se não tivesse a garganta tão seca, diria que sim, fora atropelada, não: triturada, melhor: moída. É exatamente isto: acabaram de passar por cima de toda a sua existência, o moinho da vida, já cantava aquele sambista, o bonde do mal na rua, registrou aquele roqueiro, lembra?, triturou seus sonhos mesquinhos, reduziu as ilusões a pó. E agora, meu querido, ah, como ela precisava de socorro. Todos e qualquer um. Principalmente de um copo de água gelada. Água que soubesse cair límpida na garganta, sem arranhar ao descer pelo interior do corpo. Depois, um longo descanso entre as nuvens de algodão da infância. Aquelas que de segundo em segundo se transformam em novas formas, mexendo-se, derramadas, entre os espaços azuis do céu. E ainda: os revólveres mais velozes do mundo, gatilhos estridentes, canhões de última geração, e pólvora, muita pólvora pra explodir todos os pênis desconhecidos pelo ar. Navalhas pra arrancá-los dos corpos dos homens, leques e chumaços de algodão com álcool no nariz pra poder acompanhar a queima deles sem ter que sentir o cheiro podre infestando. O que mais quer neste instante: cortar fora todos os malditos pênis desconhecidos de todos os malditos homens desconhecidos do planeta. Fazer uma fogueira imensa com eles e dançar ao redor, como fazem os índios para pedir aos deuses que mandem chuva. Porém, ela, se pudesse, pediria aos berros ao deus que houvesse naquele instante — incompetente, de plantão, à escuta — para que mandasse reinar não a chuva, mas a impotência total, mandasse reinar o fracasso, mandasse imperar a esterilidade, mil defeitos incorrigíveis, grotescos, fatais, capazes de confundir a raça masculina, ameaçá-la, extinguí-la, assim como deveria ter sido desde o princípio, fosse agora por todos os séculos &amp;amp; séculos, amém.&lt;br /&gt;            Todavia, a garganta está mesmo complicada e uma única sentença cabe:&lt;br /&gt;            — Me ajude chegar à delegacia.&lt;br /&gt;            É tudo que pode dizer ao rapaz, apoiando-se nele apenas o necessário pra conseguir andar. Contato mínimo, antes que enlouquecesse de vez e esganasse o inocente — será que algum deles é inocente? —, tão desconhecido, tão solícito.&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Trecho do capítulo 01 de &lt;em&gt;Primavera nos ossos&lt;/em&gt;, obra selecionada pelo Edital de Cultura "Criação Literária", da Petrobras, 2007/2008, publicação prevista para dezembro de 2008.  &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-204187643530154526?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/204187643530154526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/08/blog-post.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/204187643530154526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/204187643530154526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/08/blog-post.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-4923423287984390633</id><published>2008-08-10T11:32:00.003-02:00</published><updated>2008-08-10T11:56:36.039-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Há uma voz pedindo silêncio na manhã azul em que muitos ganharam, muitos perderam.&lt;br /&gt;Dizem os deuses: coisas são voláteis, coisas respiram,&lt;br /&gt;então, havemos de lembrá-las, havemos de esquecê-las.&lt;br /&gt;A temeridade do lamento afoga a manhã,&lt;br /&gt;combatendo como numa guerra o silêncio solicitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Se você pretende ser &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;lilás, &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;etérea,&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;difusa,&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;suicida,&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;às 3 da manhã,&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;saiba, &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;antes que aquela porta se abra&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;às 3 da manhã&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;e espalhe entre as flores&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;a ajuda que sua voz jamais formulou&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;que todo caldo entorna devagarinho na estrada,&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;que tudo leva a curvas desconhecidas,&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;a rótulas misteriosas &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;que o que hoje nos impele à inação,&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;amanhã nos leva a dançar&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;pierrôs perdidos, &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;columbinas esgarçadas, &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;arlequins inquietos,&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;a perguntar, a responder,&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;como na canção italiana,&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;che cosa so?, che cosa sei?, che cosa sai?&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Niente, è vero.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Ninguém sabe coisa alguma entre o céu e o mar.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Eco il nostro destino: parlare, parlare, &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;come la prima volta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-4923423287984390633?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/4923423287984390633/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/08/h-uma-voz-pedindo-silncio-na-manh-azul.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4923423287984390633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4923423287984390633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/08/h-uma-voz-pedindo-silncio-na-manh-azul.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-323808426479251590</id><published>2008-08-02T19:42:00.003-02:00</published><updated>2008-08-02T20:09:42.488-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://img.photobucket.com/albums/v311/lebredoarrozal/sandifellmand.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://img.photobucket.com/albums/v311/lebredoarrozal/sandifellmand.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Mas não era possível terminar assim: &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;seda rasgada justamente onde a seda lilás ficaria, &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;não podia ser tão abismo e, por isso mesmo, &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;pontiagudo, pedregulho, arranhento.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Uma vida que se desliza &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;- marfim, âmbar, amarelo-pêssego - &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;quase nunca círculo, tampouco linha reta, &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;uma vida que naturalmente se inventa &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;- Bandeira, Cecília, Quintana -, &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;assim no aconchego do dentes &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;e das coisas derradeiramente precisadas, escolhidas.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Que terminasse de outra forma: &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;louça partida, cristal em mil pedacinhos, água escorrendo brusca e, lá na frente, ficando intransponível, pardacenta, suja. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Mas não dessa forma: seda esgarçando, &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;morre-não morre, &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;lupa aumentando os mil pontinhos do corte,&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;lupa multiplicando, expandindo.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Não, definitivamente não era possível terminar assim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-323808426479251590?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/323808426479251590/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/08/mas-no-era-possvel-terminar-assim-seda.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/323808426479251590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/323808426479251590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/08/mas-no-era-possvel-terminar-assim-seda.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-1344575686184975426</id><published>2008-07-27T10:34:00.001-02:00</published><updated>2008-07-27T10:38:14.426-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://butterflyz.blogs.sapo.pt/arquivo/pq%20borboleta.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://butterflyz.blogs.sapo.pt/arquivo/pq%20borboleta.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;Falava de uma água limpa,&lt;br /&gt;que correria lenta pelo solo e acordaria a manhã.&lt;br /&gt;De uma água feito cachoeira&lt;br /&gt;mas mansa,&lt;br /&gt;num deslizar quase estudado pelas pedras,&lt;br /&gt;terra,&lt;br /&gt;pés de gente,&lt;br /&gt;patas de bichos.&lt;br /&gt;Como uma canção antiga vai ficando na cabeça desde a infância,&lt;br /&gt;ressonando.&lt;br /&gt;Quando nem compreendemos ainda&lt;br /&gt;a relação inapreensível entre as palavras e os sons.&lt;br /&gt;Fica e some vez-em-quando,&lt;br /&gt;fica e retorna e dói e alegra e novamente some.&lt;br /&gt;Memória de zigue-zague.&lt;br /&gt;Construção meramente gideana: o pântano das lembranças.&lt;br /&gt;Outra: miséria de vida.&lt;br /&gt;Diria, dizíamos, dir-se-ia: pouco importa esclarecer.&lt;br /&gt;É vago e lento o que desejamos: existir dentro de uma língua.&lt;br /&gt;Enternecer-se.&lt;br /&gt;Por isso, voltar.&lt;br /&gt;Voltar ao início, por certo.&lt;br /&gt;Voltemos.&lt;br /&gt;Falava daquela água que a tudo limpa, que acolhe,&lt;br /&gt;que abandona ribanceiras à frente, que purifica.&lt;br /&gt;Aquela água.&lt;br /&gt;Aquela.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(In: &lt;em&gt;São Franciscana&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-1344575686184975426?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/1344575686184975426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/07/falava-de-uma-gua-limpa-que-correria.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/1344575686184975426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/1344575686184975426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/07/falava-de-uma-gua-limpa-que-correria.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-3233336345294336997</id><published>2008-07-17T10:22:00.002-02:00</published><updated>2008-07-17T10:29:45.183-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://www.toffsworld.com/art_artists_painters/images/claude_monet_sunrise.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.toffsworld.com/art_artists_painters/images/claude_monet_sunrise.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; [...] O pior de tudo é que não há cheiros e quase se pode sentir Deus. Eu quero andar e não sou movimento. Ágeis são os arbustos, são as nódoas, são as faltas de cheiros, meu corpo não.&lt;br /&gt;            Primeiro me dei conta disso – do corpo – que ruía a cada quarto de hora, depois percebi aterrorizado as formigas, rodeando-me como se faz com o alimento. Histérico, nos instantes iniciais ainda achei que reuniria forças onde quer que fosse pra quebrar a inércia, vencer.&lt;br /&gt;            Não consegui.&lt;br /&gt;            Tua mão veio viva afastando os insetos de mim. Limpou um resto mínimo de sangue, pôs rosas e perfume e me vestiu com um manto de cetim claro.&lt;br /&gt;            Ri, grato a ti por tanta generosidade, saiba que estarei sempre, e achei teu pranto extremamente belo caindo em meu rosto morto. Devia ser quente a tua dor e fazia a das outras pessoas indiferente, nula. A milímetros de mim, você arfava em desespero. Não te senti como antes, minha faculdade consistiu no verbo ver, segunda conjugação, transitivo direto. Não lembro mais...&lt;br /&gt;            Vi você me guardar no vão e a madeira comer minha liberdade.&lt;br /&gt;            Falo como corpo porque corpo preso fui depositado.&lt;br /&gt;            Os grãos de areia, as velas, os vermes. O regresso. Não seria exatamente areia, mas barro pútrido, enojante.&lt;br /&gt;            Imaginava que o alimento fosse vivo, que cada mastigar sofrido fosse uma alegria de transformação próxima. Mas, não, a dor de ser absorvido é total, é cruel e leva parte dos sentidos. Abomino-me em retalhos. Eu me odeio mordido, rasgado, mastigado, comido. Pernas de barata, pêlos, gosma, meus dentes!&lt;br /&gt;            Nenhum cheiro exala, nenhum formigamento. Meu pênis, minhas mãos. Eu não conhecia esses tipos de vermes, só aqueles que levam parte do joelho... lia sobre bichos que dão em água parada, matava muitos ratos quando tinha dez an.....h! Jesus! O cheiro morno da virilha pra sempre perdido... minha unha caindo vagarosa na madeira... minha boca, eu não tenho boca!&lt;br /&gt;            É preciso um cigarro, um café.&lt;br /&gt;            Um choque elétrico...&lt;br /&gt;            Ainda faltam as veias... Ali, falta parte do nariz e um resto de coxa... E essa posta de carne verde, aguada, donde fazia parte? O sangue endurecido. O sangue é um requinte, quem virá me sugar? Eu me contorço, não sei do tempo. Deve ser longo, mas eu não o sei. Incho. É o inconformismo? Eu não voltaria a comer se tivesse novamente boca, dentes, língua, mas ainda assim...  quero meu corpo!&lt;br /&gt;            Tapa na cara.&lt;br /&gt;            Dentes rolando.&lt;br /&gt;            Baba.&lt;br /&gt;            Quero meu corpo.&lt;br /&gt;            Escuridão.&lt;br /&gt;            Por favor, me soltem, me deixem...&lt;br /&gt;            Um corte vertical no planeta. Que todos sangrem, que se fodam, que não reste migalhas de gente.&lt;br /&gt;            Não é possível...  então sou isso?&lt;br /&gt;            Corro.&lt;br /&gt;            Carne moída.&lt;br /&gt;            Odeio. Odeio. Odeio.&lt;br /&gt;            Subirei no topo.&lt;br /&gt;            Picadinho.&lt;br /&gt;            Mal, mal, mal.&lt;br /&gt;            Formigas estranhas, estranhas.&lt;br /&gt;            Quero tudo no lugar de antes!&lt;br /&gt;            Misérias se multiplicam. Demônio, demônio...&lt;br /&gt;            Em toda parte: baratas.&lt;br /&gt;            São os bichos que mais odeio. Eu que comia vegetais! Eu, que não-andava-descalço-debaixo-do-sol-por-muito-tempo. Eu com minhas rugas.&lt;br /&gt;            Eclipsado.&lt;br /&gt;            De mal com Deus.&lt;br /&gt;            E com Jesus Cristo.&lt;br /&gt;            Eu corro.&lt;br /&gt;            Que se fodam, desgraçados! [...]&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;In: &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Henrique&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, Editora Domínio Públicco, 2001.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;           &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-3233336345294336997?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/3233336345294336997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/07/blog-post.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3233336345294336997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3233336345294336997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/07/blog-post.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-329869642002009571</id><published>2008-07-07T17:18:00.002-02:00</published><updated>2008-07-07T17:29:22.085-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://alexandrepomar.typepad.com/photos/uncategorized/2007/06/16/deniro22.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://alexandrepomar.typepad.com/photos/uncategorized/2007/06/16/deniro22.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Uma coisa bonita de se ver é o olho do nada, às 4:00 da manhã. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Em geral, ele aponta que é véspera de tudo e de coisa alguma. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Por vezes, trata-se tão somente de estar centrado no jogo perverso das imagens: a escassez do olho do nada, com sua brancura violeta, nos trazendo em cheio para o chamado "qualquer coisa da vida".&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; É possível mesmo renascer ou trata-se apenas de uma frágil brincadeira entre as cores do novo dia e a velha vontade tão humana de "acontecer"?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-329869642002009571?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/329869642002009571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/07/uma-coisa-bonita-de-se-ver-o-olho-do.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/329869642002009571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/329869642002009571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/07/uma-coisa-bonita-de-se-ver-o-olho-do.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-3142130454011556350</id><published>2008-06-29T13:41:00.002-02:00</published><updated>2008-06-29T13:49:00.524-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://www.fotodependente.com/data/media/19/beleza_700_x_495.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.fotodependente.com/data/media/19/beleza_700_x_495.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Quando o dia é assim de emendar um cigarro no outro, um café no outro, uma canção a se repetir. Escutar as vozes do vento que não dizem nada, estar sob ou sobre. Não plano. Não atravessar. Engolir sal, água, espumas. Saber que elas não vêm de mar algum. Porque-o-mar-está-lá-fora-da-janela-mas-está-também-na-garganta. A garganta entalada, soprando fumaça, neblina. Assim:&lt;br /&gt;O dia amanhece na minha xícara de café que você não compartilha comigo.&lt;br /&gt;Vou te contar um segredo: roubei um gesto teu. Estou tomando o primeiro café do dia, encostado à janela, de olhos fixos no mar. Percebo: volta e meia enfio as duas mãos nos cabelos, como se os dedos fossem pentes, puxando-os pra trás. Eles descem lentos, os dedos-pentes, segurando, esticando os fios. Então os meus cabelos ficam quase como os teus: para trás. Mas depois retornam, assanhados. Porque não são longos, meus cabelos não são longos, nem lisos nem pretos como os teus. Pouso as mãos na cintura, mas não exatamente na cintura, nos quadris. Um açucareiro torto?&lt;br /&gt;A precisão não mora mais por aqui. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Deitou comigo durante dois anos. Depois se mandou. Foi pra Índia mês passado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;De repente, é você de novo. Latejando. Enchendo o saco outra vez.&lt;br /&gt;Mas por que não morre, eu me pergunto, por que não morre peste?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você me acena do outro lado. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Tudo é miúdo no teu olhar multiplicado, transformado em trezentos pontos minúsculos por cima do mar. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Caixinhas de velas acesas. Alguém disse isso em algum tempo remoto. Teu olhar em cruz. O pouco que ainda me comove em nossa história suspensa. Barcos que não se atracam mais. Eu, mar alvoraçado, eu sozinho medindo o que ficou de nós. Lembro tua voz sarcástica: na hora da saudade, todas as luzes desse filme serão azuis. E passarão, lentos, nossos olhos dentro delas.&lt;br /&gt;Me sinto velho, a fitinha verde no braço, esperando a lua certa pra ser trocada por outra, lilás, vermelha, amarela, azul, cenoura, sei lá. Que outro idiota virá me amarrar uma fita do Senhor do Bonfim no braço e me dizer pra fazer três pedidos a cada nó? [...] &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-3142130454011556350?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/3142130454011556350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/06/quando-o-dia-assim-de-emendar-um.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3142130454011556350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3142130454011556350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/06/quando-o-dia-assim-de-emendar-um.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-97297461967875868</id><published>2008-05-24T18:31:00.002-02:00</published><updated>2008-05-24T18:43:28.836-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://hpserra.blogs.sapo.pt/arquivo/arco-iris-Chaves-1.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://hpserra.blogs.sapo.pt/arquivo/arco-iris-Chaves-1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Pensa constantemente que o que lhe ocorre em doses diárias, no final dos tempos, transforma as coisas mais difíceis em aceitáveis. O mundo depende bestialmente da facilidade. Ou da facilitação. Devemos nos facilitar uns aos outros, mas principalmente a nós mesmos. Era o que pensava, às 22:30, tomando vinho barato, num bar da praça Marechal.&lt;br /&gt;            E conseguia?&lt;br /&gt;            Ela conseguia, às vezes sim, às vezes não. Por exemplo, pela manhã. O sol nascia ameno e ela saía pra passear. Ia à esplanada da Igreja receber o vento são-franciscano, olhar e fotografar as estátuas dos apóstolos, subir o Morro, visitar locas guiada pelos meninos que por ali ficavam, maltrapilhos, pedindo esmolas. Imaginava de onde viria aquele tanto de meninos de rua naquela  cidadezinha. Não se lembrava que existia tanta pobreza na cidade onde nasceu. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Só conseguia se lembrar de dois bairros totalmente pobres na época em que viveu ali: a Nova Brasília, à beira do rio, cheia de casas de barro e gente que pescava, e o bairro das Casinhas, que era formado por casas populares tão pequenininhas, a esmola que o governo distribuíra às pessoas atingidas por uma enchente terrível num tempo em que ela, Maria Madalena, nem sequer estava por aqui.&lt;br /&gt;            Mas nada importava: a hora é de andar.&lt;br /&gt;            Andar, andar, essa é a sua música matutina. Ela andava muito pelas ruas de casas feias, perambulava entre as barracas da porta da Igreja, comprando bobagens: chaveiros de madeira, canetas com o nome da cidade, cinzeiros, barcos – ela era uma mulher que colecionava barcos –, burrinhos, carrancas em miniatura. Noutra manhã, ia à ponte, invejar os que tinham bicicleta e passavam olhando-a sem saber quem era. Mas quando o sol ia embora, a dor de cabeça começava, e a quase-ordem que lhe punha pra fora da cama, cheia de energia – devemos nos facilitar uns aos outros, mas principalmente a nós mesmos –, essa artimanha tão útil pra se começar o dia, perdia importância e não lhe valia mais. [...]&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;In: &lt;em&gt;Obscuros,&lt;/em&gt; 1999.&lt;br /&gt;            &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-97297461967875868?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/97297461967875868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/05/pensa-constantemente-que-o-que-lhe.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/97297461967875868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/97297461967875868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/05/pensa-constantemente-que-o-que-lhe.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-8483993060405116495</id><published>2008-05-04T15:29:00.001-02:00</published><updated>2008-05-04T15:34:49.693-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2007/02/86_2019-Kieslowski%201.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2007/02/86_2019-Kieslowski%201.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:130%;color:#330033;"&gt;M.o.r.t.e.&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#663366;"&gt;Só entre mim e a cauda de cavalo dele vão ficar:&lt;br /&gt;fotografias, pirilampos, insetos no ar, pêlos no colchão,&lt;br /&gt;algodão, curtos-circuitos, e a ausência de paz.&lt;br /&gt;Você me contou naquele dia cinzento&lt;br /&gt;que se chamava água-da-vida a cachaça que matou Pessoa.&lt;br /&gt;Água-da-vida fez um rombo no fígado dele,&lt;br /&gt;Água-da-vida o levou pra dentro da língua, de nós.&lt;br /&gt;Movimentos, estrelas, barcos soltos pela casa,&lt;br /&gt;os cheiros do teu corpo: você pintado, óleo sobre a tela,&lt;br /&gt;tua boca dizendo: adoro cerejas.&lt;br /&gt;Refazer o passado é morrer.&lt;br /&gt;Os cadernos estão descendo na chuva,&lt;br /&gt;aqui, arrisco ficar guardada,&lt;br /&gt;por isso me molho lá fora, na nebulosidade azul-branca-borrada,&lt;br /&gt;roxa, muita, tanta, quanta saudade de ti.&lt;br /&gt;Sinto saudades de ti e é sempre como se desembaçasse vidros molhados de chuva.&lt;br /&gt;Sempre, sempre, sempre: que palavra linda!, é tempo de retê-la na boca lentamente,&lt;br /&gt;mastigar, conhecê-la, devolvê-la à língua.&lt;br /&gt;Amanhã, não agora: nesse tempo úmido que se fecha sobre nossos corpos&lt;br /&gt;e se abre sobre o mundo.&lt;br /&gt;Amanhã, te peço, te falo no escuro,&lt;br /&gt;amanhã aconteceremos, dentro da chuva.&lt;br /&gt;Há de haver alguma chuva,&lt;br /&gt;penso, quero, decido: amanhã.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-8483993060405116495?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/8483993060405116495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/05/m.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/8483993060405116495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/8483993060405116495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/05/m.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-8774434587321247500</id><published>2008-04-16T11:14:00.003-02:00</published><updated>2008-04-16T11:18:28.778-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>[...] O dia está indo embora. Lembro que é aniversário de Samuel, um amigo de infância a quem não vejo há séculos. No escuro da sala, brindo com um resto de vinho esquecido por Breno na cozinha. Parabéns, parabéns, Samuel. Onde quer que você esteja: &lt;em&gt;um punhado de estrelas e a eterna magia do verbo existir.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Bacana isso. De quem será?&lt;br /&gt;Ele me ensinou a nadar. Merecia um bom vinho.&lt;br /&gt;Uma fisgada na coxa.&lt;br /&gt;Ouço cachorros ao longe.&lt;br /&gt;Apago todas as luzes.&lt;br /&gt;Quietinho na sala. Coleciono coisas tolas, pensamentos inúteis pra passar o tempo, assim:&lt;br /&gt;1. Breno tem o sexo um tanto azulado... (Absurdo, ninguém o tem);&lt;br /&gt;2. Breno beija como quem põe na língua do outro pedacinhos de folhas mortas de goiabeira... (De onde tirei esta estupidez?);&lt;br /&gt;3. Estar com ele é perceber que de repente tudo em volta já era, já passou. (Isso é meio verdade, meio invenção);&lt;br /&gt;4. O amor recomeça quando se acorda com substâncias alheias beirando o nariz. (Realmente? E que sentido tem?).&lt;br /&gt;...............................................................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso nisto todo o tempo: ele saiu, sumiu, não está. Com fome, de olhos mortos na claridade que vem, devagarinho, superando a escuridão.&lt;br /&gt;As casas fechadas lá fora, sem frestas de sol. Os casacos nos corpos, esquentando o úmido, o gelo, o castigo do ar.&lt;br /&gt;Penso, penso, penso. Errando a narina, rompendo nervos, gritando puta que pariu pro sangue que teima em sair.&lt;br /&gt;E não sai muito, sai em gotas, qualquer mínimo de sangue me espanta, porque não quero, não posso perdê-lo, sempre acho que posso estar com AIDS e não saber.&lt;br /&gt;E Breno, que dirá?&lt;br /&gt;Somos tão gêmeos, ele pensa como eu, eu sei, eu sei, espere... Em que eu estava pensando?&lt;br /&gt;Não, não somos gêmeos, somos diferentes pra cacete.&lt;br /&gt;Penso, penso, penso.&lt;br /&gt;Estranho a língua usada lá fora tanto pro amor quanto pras conversas banais. Pros livros, pras revistas, pro jornal que sempre informa as condições do tempo e do trânsito e nada sobre o Brasil.&lt;br /&gt;Estranho a língua que se entende e se fala e eu já até domino, mas odeio, de repente odeio todas as línguas que não sejam o bom e velho português. &lt;em&gt;Sometimes&lt;/em&gt;, até ele/ela. Sim, sim.&lt;br /&gt;Adoro esta palavra: &lt;em&gt;sometimes&lt;/em&gt;, oh, meu Deus, que eternidade!, bem que podia ser uma palavra latina. Por que não? &lt;em&gt;Sometimes&lt;/em&gt;, eu sou gente, &lt;em&gt;sometimes&lt;/em&gt;, um poço de inutilidades cristãs, &lt;em&gt;sometimes&lt;/em&gt;: a primavera, &lt;em&gt;sometimes&lt;/em&gt;: a dor maldita dor.&lt;br /&gt;...................................................................................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tem a menor importância, vive-se de migalhas, quem se importa?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu sou metal, raio-relâmpago-e-trovão&lt;/em&gt;. O que é isso? Ah, é a Legião.&lt;br /&gt;Miséria, as pessoas me exasperam com essa mania de formularem antes o que só a mim caberia conceber. [...]&lt;br /&gt;In: &lt;em&gt;Breno &amp;amp; Ariano&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-8774434587321247500?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/8774434587321247500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/04/blog-post.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/8774434587321247500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/8774434587321247500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/04/blog-post.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-3148026526613289991</id><published>2008-03-17T11:47:00.002-02:00</published><updated>2008-03-17T11:58:43.568-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://static.flickr.com/36/110887840_da8e3522e2.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://static.flickr.com/36/110887840_da8e3522e2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Estamos aqui por acaso&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;e somos aranhas.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Gritar é uma forma de vida,&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;não gritar é outra.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Escolhas nenhumas&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;ou&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;escolhas algumas.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;É possível sobreviver?&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Estar de algum modo em casa e não estar. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Esta é uma luz rotineira em nossos espíritos. Evidentemente: não todos os espíritos, os mais afinados talvez. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Há uma pesquisa ainda a ser feita acerca do movimento quase imperceptível dos corpos quando fora do espaço concreto, com suas circunferências e ecos presos na gargantas a se perguntar por que somos seres humanos, aonde vamos no escuro, enquanto humanos, por quê/para quê.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;A luz do dia é morna e esgota, em geral as perguntas menos carne. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;É defeito da antena apresentar falas na transmissão logo pela manhã?&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Ou é qualidade da antena calar o que a noite não escondeu?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-3148026526613289991?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/3148026526613289991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/03/estamos-aqui-por-acaso-e-somos-aranhas.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3148026526613289991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3148026526613289991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/03/estamos-aqui-por-acaso-e-somos-aranhas.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-4239518744803217029</id><published>2008-02-24T11:35:00.002-02:00</published><updated>2008-02-24T11:45:39.860-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://homepage.sunrise.ch/mysunrise/hippo1/images/24_seahorses_convalescing.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://homepage.sunrise.ch/mysunrise/hippo1/images/24_seahorses_convalescing.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;[...] &lt;/div&gt;Que mais querem nossos olhos? Nossos olhos querem e isto sempre quer dizer: mais.&lt;br /&gt;O tempo marinho nas dobras, nos arranhões, na tinta.&lt;br /&gt;Fomos crianças em cada tempo. Você trepou em árvores, usou estilingue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo bem velho e descorado: você me conta.&lt;br /&gt;Infância: água sanitária.&lt;br /&gt;Em minha terra não se fala badoque, mas estilingue.&lt;br /&gt;Eu adorava vestir minhas bonecas com calcinhas e meias vermelhas. Pintá-las de esmaltes, borrá-las de batom e tinta guache. As caras de plástico pra sempre arruinadas.&lt;br /&gt;Minha mãe brigava: nunca mais eu ia ganhar nada no natal.&lt;br /&gt;Os natais matam a infância.&lt;br /&gt;Me lembro agora pra no instante seguinte esquecer: o quintal da casa dos meus pais era cheio de varais e, de noite, invariavelmente, eu sonhava que eram fios de postes que me atrapalhavam os vôos quando através do pedaço de céu do quintal eu tentava fugir.&lt;br /&gt;Pedaços de céu, oh, não, meu pai &amp;amp; minha mãe, minha professora &amp;amp; meus irmãos, pedaços de céu me maltratavam, mas, quando menina, jamais poderia saber: são as piores prisões.&lt;br /&gt;Viro o olho pro teu lado esquerdo: o navio já se foi. Salvador o escondeu. O sol idem, mas já era fraco, pra que queremos sol se estamos tão abandonados?&lt;br /&gt;Meu corpo volta a sentir sede do teu.&lt;br /&gt;Eu amo teu corpo. Deixe que te diga de uma vez por todas: sou terrivelmente indefesa diante de pêlos.&lt;br /&gt;Dos teus pêlos. Dos pêlos de qualquer homem.&lt;br /&gt;Te revelo a grande dor da minha vida: estou cheia de celulite e estrias, estou envelhecendo. Mas você, mesmo assim, ainda me chamará de menina.&lt;br /&gt;Não é agudo isso?&lt;br /&gt;Eu não quero ser menina, desde cedo, evito ser.&lt;br /&gt;É com passos de mulher que percorro o mundo. Quisera, nas pegadas, formar uma erosão ou larva de vulcão profunda que nos liquidasse – a mim, a ti, a ele – de vez.&lt;br /&gt;Eu sou uma suicida sacana: não me contento com simples autodestruição, quero ver tudo pelos ares, não deixar o mundo seguir depois da minha passagem.&lt;br /&gt;Que de nada vale, e é preciso pinças pra alongá-la.&lt;br /&gt;Tenho o corpo coberto pelas tentativas das pinças, porém, entretanto, todavia, te asseguro: não choro nem lamento, nem te permito assim fazer.&lt;br /&gt;Desconfio do que sinto. Fechada. Caída de novo na areia.&lt;br /&gt;Não quero sequer saber de você.&lt;br /&gt;Na redoma do silêncio, amolo a lâmina da distância. Um vão maior do que nosso desejo de amar.&lt;br /&gt;Quem disse que queremos nos amar?&lt;br /&gt;Só por descuido, abro os olhos. Por descuido e ansiedade de imagens. Quando se fecham os olhos, as imagens não morrem, é claro, mas se colam umas às outras me confundindo as cores.&lt;br /&gt;É sempre necessário distinguir as cores.&lt;br /&gt;Entretanto, que digo diante da sua imagem, de repente debruçada sobre o cântaro, enchendo-o de água salgada e brilhante, água que dá passagem inquietante pro sol?&lt;br /&gt;Você enche o cântaro.&lt;br /&gt;Homem, não faz essas coisas, já lhe disse: não está certo um homem agir assim...&lt;br /&gt;Você enche o cântaro e vai despejando devagarzinho a água de volta ao mar. A água de dentro do jarro, dourado, desgastado pelo mar. Tem duas asas o cântaro, duas asas mas você só pega em uma. E despeja a água de dentro pra fora. E enche-o na água de fora. Agora vem e me molha a barriga. Me molha as pernas. Minha boca cheia de uma sede menor.&lt;br /&gt;O espaço some por completo.&lt;br /&gt;Sonho que você está logo mais na esquina, me esperando todos os dias pra tomarmos café ou simplesmente ir ao cine. Então lhe digo: ponha menos açúcar, ou digo tão somente: prefiro os filmes mudos – quem sabe os guardiões de nossa verdadeira língua?&lt;br /&gt;Agora: feche os olhos, nada mais importa.&lt;br /&gt;Fale-me de tua gente, do amarelo de teu país. Funda meus telhados de concreto aos teus de barro ou de Eternit, quero saber com que delicadeza teus dedos e tua boca percorriam os corpos de tuas mulheres. Fale-me delas, das mulheres, eu falarei dos meus homens.&lt;br /&gt;Perguntas são inúteis, entre nós só movimentos e lembranças cabem.&lt;br /&gt;Gire comigo, fale do teu tempo de espera, falo do meu.&lt;br /&gt;Sempre soube que tu virias, do norte ou do sul, de outras terras, das geleiras, até do inferno, sabe Deus. De bem dentro de mim, da fome que faz este mormaço parecer incêndio. Você viria, eu sempre soube. Ignorei os amores passadiços, as ocupações que garantem a sobrevivência. Fazia tudo rápido e malfeito e, quando nada conseguia, segurava a fraqueza do corpo, do cérebro, da alma sem alimento. Por isso fiquei assim: esqueleto doendo de madrugada, mas tenho absoluta certeza: você não vai se importar.&lt;br /&gt;Imbecil que és. Imbecil que sou.&lt;br /&gt;Todos os dias verei você sair do fogo do isqueiro, com um punhado de açúcar e disposto a cerrar as cortinas para que meus olhos não vejam o centro da tela. Mesmo quando ao meu lado não existir companhia alguma pra partilhar o cigarro aceso, você deve comigo estar. [...]&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-4239518744803217029?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/4239518744803217029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/02/blog-post.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4239518744803217029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4239518744803217029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/02/blog-post.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-954265649127651490</id><published>2008-02-05T13:07:00.000-02:00</published><updated>2008-02-05T13:16:13.591-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://www.saladacultural.com.br/imagens/upNoticia/SaladaCultural_renato_russo.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.saladacultural.com.br/imagens/upNoticia/SaladaCultural_renato_russo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Talvez fosse você, eu conversava sobre as possibilidades ainda existentes de usar partes do meu nome, combinações outras, que não me exponha de todo mas não me retenha muito, então a voz reclamava, estava eu voltando pra casa, na rua escura, sem ninguém, voz sem corpo e sem contorno melódico claro, talvez fosse você em meu ombro, falando de tantos outros nomes, casamentos desfeitos, chuvas que não nos molharam bem, qualquer relação invisível assim, que de olhos abertos ninguém entende, capta, estabelece, talvez fosse mesmo você, eu dizia que só havia tentando duas vezes, estava envelhecendo e precisava acelerar, esta é apenas a segunda tentativa, o casamento é uma ilusão espiritual que cola demais, a voz rebatia, cola nada, eu devolvia, gente incompetente tem mania de jogar a culpa nas coisas e não em si, cola, claro que cola, ecoava em meu ouvido, a voz sem nitidez, talvez fosse mesmo você, sobrevoando o ar da rua, enquanto eu voltava dentro da escuridão e feliz, enfim, por ter uma casa, procurava ignorar, não ouvir tudo aquilo que era dor e era conselho, oriundos, talvez, agora percebo, bem que podia ser você. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-954265649127651490?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/954265649127651490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/02/talvez-fosse-voc-eu-conversava-sobre-as.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/954265649127651490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/954265649127651490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/02/talvez-fosse-voc-eu-conversava-sobre-as.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-2737334151852867978</id><published>2008-01-05T14:11:00.000-02:00</published><updated>2008-01-22T11:32:31.992-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_SQng3jrIENg/R3-taTJLHcI/AAAAAAAAAE0/NAxHOvDEACM/s1600-h/a+eternidade.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5152027166062091714" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_SQng3jrIENg/R3-taTJLHcI/AAAAAAAAAE0/NAxHOvDEACM/s400/a+eternidade.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nascer não é muito, às vezes você fecha o livro e a paisagem se espraia. Outras vezes, é preciso abrir o livro a cada manhã.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-2737334151852867978?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/2737334151852867978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/01/nascer-no-muito-s-vezes-voc-fecha-o.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/2737334151852867978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/2737334151852867978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2008/01/nascer-no-muito-s-vezes-voc-fecha-o.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_SQng3jrIENg/R3-taTJLHcI/AAAAAAAAAE0/NAxHOvDEACM/s72-c/a+eternidade.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-8313886635803436694</id><published>2007-12-24T21:31:00.000-02:00</published><updated>2007-12-24T21:46:15.802-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_SQng3jrIENg/R3BCDzJLHaI/AAAAAAAAAEk/57-OY254tIo/s1600-h/a+eternidade.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5147687007120203170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_SQng3jrIENg/R3BCDzJLHaI/AAAAAAAAAEk/57-OY254tIo/s400/a+eternidade.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_SQng3jrIENg/R3BB8TJLHZI/AAAAAAAAAEc/2OBVOVxn9sM/s1600-h/a+eternidade.JPG"&gt;&lt;/a&gt;[...]&lt;br /&gt;O silêncio congela o mundo, faz com que seja possível para mim o trânsito dentro dele.&lt;br /&gt;Em silêncio observo sua oscilação em partir: quase ia ontem, e hoje, graças a Deus ou ao Demônio, acorda um tanto melhor.&lt;br /&gt;A absurda cor do mar se cristalizando embaixo do sol.&lt;br /&gt;Acordo tarde, durmo tarde, sensação de que sequer dormi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há anos engulo minha disposição tamanha de sair pelo mundo gritando seu nome, santo e doce é o teu nome que de súbito descubro: quase não o pronuncio mais. Por medo, talvez.&lt;br /&gt;Estou comendo capim e vendo bolas de assopro pelo ar. É a infância? O desamor? Não digo nada: leio Carlos Drummond de Andrade.&lt;br /&gt;O excesso de tudo, cara, o excesso...&lt;br /&gt;E você resiste, você resiste.&lt;br /&gt;De repente suspira e faz que ri mas fecha os olhos antes murmurando: odeio perder cabelos...&lt;br /&gt;Posso contar quantas vezes por dia te ouço resmungar: odeio isso, odeio aquilo.&lt;br /&gt;Você resiste.&lt;br /&gt;Soberano, ora longe ora perto, num instante quase acoplado à minha pele, respondendo monossilábico sobre todas aquelas histórias que nunca consegui esclarecer. [...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Pra tornar tudo leve. As bolas de assopro fazem festa no céu. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Espero a morte e não tô nem aí. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Dedo cortado ao tentar abrir uma garrafa de vinho.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;A vida inteira pra vê-lo de perto. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;A terra - flor de fogo./ O homem decide o seu destino... / Que não dirão de nós a fera e a estrela? &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Pouco sei. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Que minha cabeça dói quando amanhece tão nó nas vértebras assim. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Que às vezes é melhor estar de olhos fechados pras imagens. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Os séculos de poeira atiçando a vontade do corpo de ser somente pó.&lt;br /&gt;            Tua voz enchendo de ar a sala. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Solto as bolas de assopro coloridas. De duas em duas pela janela. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;É minha festa solitária. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Você vai me ver anos e anos antecipado. Lá de Buenos Aires, parar de cantar um minuto e pensar em mim. Me fotografar. Como se naquele tempo já fôssemos amantes. E você pudesse, no meio do palco, sentir uma falta aguda de mim. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Te olhando cá do Brasil. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Sozinho na sala. Sentindo saudades de ti. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Vendo-nos, todos os mortos, que dirão?&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Eu pouco me importo. Que me deixem em paz os poetas. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Quero apenas nele pensar. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;[...]&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-8313886635803436694?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/8313886635803436694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/12/blog-post.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/8313886635803436694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/8313886635803436694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/12/blog-post.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_SQng3jrIENg/R3BCDzJLHaI/AAAAAAAAAEk/57-OY254tIo/s72-c/a+eternidade.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-6606443082751689584</id><published>2007-11-27T12:26:00.000-02:00</published><updated>2007-11-27T12:31:40.843-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A fome de ser você entortou os ladrilhos ou serão meus olhos vesgos? Havia água borrada de espuma de sabão e sujeira, molhei os sapatos sem dar por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda vez que viajo me desocupo de ser você, fico inteira nos olhos dos objetos, e se eles têm raios de luz ou sombra me perco, não mais sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltar pra casa é me deixar na janela do ônibus, do carro, do avião, é te reencontrar, sistemático, retornando à rotina, às contas, ao trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não sou você nada faço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não existo no caminho, nas cores corretas e vivas dos ladrilhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser você me endireita o tanto espaço entre o que deixei de ser por acidente e o que, não por livre escolha, não voltarei mais a ser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-6606443082751689584?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/6606443082751689584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/11/fome-de-ser-voc-entortou-os-ladrilhos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/6606443082751689584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/6606443082751689584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/11/fome-de-ser-voc-entortou-os-ladrilhos.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-4384049301989270795</id><published>2007-11-20T23:11:00.000-02:00</published><updated>2007-11-20T23:22:22.531-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_SQng3jrIENg/R0OIJxRU74I/AAAAAAAAADw/-9FokcF22SE/s1600-h/a+eternidade.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5135097701558710146" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_SQng3jrIENg/R0OIJxRU74I/AAAAAAAAADw/-9FokcF22SE/s320/a+eternidade.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;PALAVRA NÃO É PRESENTE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha vida, amor meu, o claro sol do dia, que está um pouco quente, o céu de um azul inacreditável com nuvens esparsas, tudo se torna mensagem nítida para que eu comprove: você é um acontecimento único em minha vida. Agora neste exato momento vou recordando toda nossa história e fico cada diamais apaixonado por você. Como descrever o encantamento que uma paixão pode causar na gente, que muda a nossa vida numa perspectiva inesperada e exclusiva? Não dá, eu sei. Dos gestos, da fala, de cada minúcia que vamos percebendo e descobrindo na pessoa amada, até as idéias políticas, literárias etc; assim quanto mais eu te percebo mais profundamente te amo. O seu sorriso, minha vida, seu cabelo caindo no rosto, quando você vai se soltando e se tornando mais menina e lembra as brincadeiras e frases da infância; é incrível como a vida é simples, não fácil, é verdade, e nós complicamos tudo. Ontem, aqui em casa, eu estava te observando e vendo como somos amigos íntimos, como nos divertimos um com o outro e mesmo quando brigamos, ficamos chateados um com o outro sabemos que ficamos porque damos uma importância imensa a tudo que o outro significa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua presença em minha vida me transformou: minha espiritualidade se tornou mais aguda, meus textos amadureceram, eu amadureci muito, a descoberta total do outro, um trabalho que amo proporcionado por você e tantas outras coisas. Nas questões éticas você me ajudou e ajuda tanto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ato de conhecer, que é um ato de amor, eu tenho descoberto em você, na nossa relação cotidiana, na entrega total de um para o outro, aquilo que é inexprimível, por mais poderosa e divina que a palavra seja, então como dizer tudo isso numa simples carta, que é na verdade um humilde presente para o seu aniversário? Palavra não é presente, eu sei. Também sei que você não gosta de comemorar o seu aniversário, e esse será o seu terceiro aniversário que passo contigo. Lembra do primeiro em que não estávamos juntos? Juntos como estamos agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o lançamento de &lt;em&gt;Urbanos&lt;/em&gt;, eu me lembro claramente daquela noite,você sempre foi para mim uma mulher misteriosa, uma mulher que eu desejava sempre saber mais, e isso foi acontecendo lentamente. Hoje não me vejo sem você, nunca! Hoje você é a minha vida.&lt;br /&gt;Então feliz aniversário, Minha Vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do seu claudicante, João Batista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te amo!!!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-4384049301989270795?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/4384049301989270795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/11/palavra-no-presente-minha-vida-amor-meu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4384049301989270795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4384049301989270795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/11/palavra-no-presente-minha-vida-amor-meu.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_SQng3jrIENg/R0OIJxRU74I/AAAAAAAAADw/-9FokcF22SE/s72-c/a+eternidade.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-7329233949558853144</id><published>2007-11-12T14:19:00.000-02:00</published><updated>2007-11-12T14:24:07.267-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_SQng3jrIENg/Rzh9nCnJVcI/AAAAAAAAADo/5UDUZMfMpPo/s1600-h/a+eternidade.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5131989885058110914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_SQng3jrIENg/Rzh9nCnJVcI/AAAAAAAAADo/5UDUZMfMpPo/s320/a+eternidade.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Caminhando entre nevoeiros intensos e manhãs de clara luminosidade passeia minha saudade que pergunta insistentemente ao clarão da lua cheia: onde você está? Tenho o costume de andar pelo asfalto, mas achando que percorro flocos de algodão.O brilho dos seus olhos negros se mistura ao pó do asfalto e faz brotar borboletas negras que bailam a cada nascer do sol... No meio dessa roda gigante de sentimentos e vontades meu espírito repousa vagarosamente ao recordar de um beijo seu. Parafraseando Pessoa: “o meu olhar é nítido como um girassol”, acostumo-me a sentir seu cheiro em todo lugar...&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Fabíolla Borges:  &lt;a href="http://livrodosdias7.blogspot.com/"&gt;http://livrodosdias7.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;(mia sorella minore)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-7329233949558853144?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/7329233949558853144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/11/caminhando-entre-nevoeiros-intensos-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7329233949558853144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7329233949558853144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/11/caminhando-entre-nevoeiros-intensos-e.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_SQng3jrIENg/Rzh9nCnJVcI/AAAAAAAAADo/5UDUZMfMpPo/s72-c/a+eternidade.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-7251471730825184815</id><published>2007-10-30T09:57:00.000-02:00</published><updated>2007-10-30T10:04:17.150-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_SQng3jrIENg/RycdKRe6-nI/AAAAAAAAADg/WNniQjafGKk/s1600-h/a+eternidade.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5127098763113593458" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_SQng3jrIENg/RycdKRe6-nI/AAAAAAAAADg/WNniQjafGKk/s320/a+eternidade.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Uma calçada&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;         Vim pensando nisto: felicidade demais quando não mata, aleija.&lt;br /&gt;         Olha as flores como ficaram tortas, olha as flores, meu amor.&lt;br /&gt;         Os beijos açucarados, a carne mole.&lt;br /&gt;         Ou nem isso.&lt;br /&gt;         Andar faz mal à mente.&lt;br /&gt;         Penso: um céu de cinza tenso, entre prata e marinho e nuvens ciganas de um lado pro outro, entretendo-nos com suas danças. Penso: pimentas. Amarelas, verdes, vermelhas. Espremidas em azeite dentro das garrafas reluzindo na beira da estrada.&lt;br /&gt;         Onde?&lt;br /&gt;         Quando?&lt;br /&gt;         Que nada!&lt;br /&gt;         Tudo mentira.&lt;br /&gt;         Penso é no teu sexo.&lt;br /&gt;         Brinco que penso em nada sério. Disfarço. Sento na calçada da casa.&lt;br /&gt;         Aquela-essa-esta casa antiga da Vitória.&lt;br /&gt;         Bebo tua saliva morna de boca ainda agora mesmo acordada. Fecho os olhos durante o beijo para ver se penso menos, des-penso o pensamento de hoje-sempre, mas não tem jeito, percebo: penso no teu sexo de novo. Mesmo te sabendo puro sono, eu: dor de cabeça leve na fronte.&lt;br /&gt;         Acendemos cigarros.&lt;br /&gt;         Sentados na calçada da casa antiga.&lt;br /&gt;         A nicotina ameniza na cabeça tudo que é chato, inútil. Essas coisas tão previsíveis do mundo.&lt;br /&gt;         Vim pensando em tudo isto. Leve-solta do teu lado.&lt;br /&gt;         Volto a buscar o foco outra vez.&lt;br /&gt;         Alguns planos contigo. Casa, viagens, livros, bebês.&lt;br /&gt;         Coisas assim: pequenas. Mas luminosas. Como o sol na calçada da casa antiga da Vitória. Esta-essa-aquela.&lt;br /&gt;         Desimporta.         &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;         Andar faz bem à mente. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-7251471730825184815?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/7251471730825184815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/10/uma-calada-vim-pensando-nisto.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7251471730825184815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7251471730825184815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/10/uma-calada-vim-pensando-nisto.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_SQng3jrIENg/RycdKRe6-nI/AAAAAAAAADg/WNniQjafGKk/s72-c/a+eternidade.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-2695486898671528402</id><published>2007-10-15T12:28:00.000-02:00</published><updated>2007-10-15T12:55:21.648-02:00</updated><title type='text'>Outras Moradas, antologia de contos do Banco Capital, com Állex Leilla, Adelice Souza, Marcus Vinícius Rodrigues, Aleilton Fonseca e Renata Belmonte</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt; Lançamento de &lt;em&gt;Outras Moradas&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_SQng3jrIENg/RxN5l9mvmtI/AAAAAAAAADA/IBLfOtWsJmQ/s1600-h/Ã¡lvarus+e+seus+bonecos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5121570894349572818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_SQng3jrIENg/RxN5l9mvmtI/AAAAAAAAADA/IBLfOtWsJmQ/s320/%C3%A1lvarus+e+seus+bonecos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5121574441992559330" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_SQng3jrIENg/RxN80dmvmuI/AAAAAAAAADI/Db4znY2TYbo/s320/outras+moradas.jpg" border="0" /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;TRECHOS DO LIVRO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;A casa temperada de sol&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;        &lt;br /&gt;Állex Leilla&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         As coisas não são sentidas nem ditas por mero acaso. Os rumores de que ela estava indisposta porque lia um livro de Camus saltavam pelos cantos do hospital. Pairavam até na boca do arquivista que dissera na tarde anterior só ter lido uma biografia sobre o grande gênio francês. Falou assim um tanto empolado: grande gênio francês, com aquele tom desagradável, irônico, dos que acham todas essas coisas – leitura, afetação, sensibilidade – risíveis, apenas risíveis e, por isso mesmo, dispensáveis.&lt;br /&gt;         Isabel, ele pensou em definir de uma vez aquela história, você já está passando da hora de morrer.&lt;br /&gt;         Podia?&lt;br /&gt;         Estremeceu, balançando os ombros.&lt;br /&gt;         Veja bem: ser homem não é fácil, meus caros, não é nada fácil, vá entender.&lt;br /&gt;         No refeitório, podia-se ouvir, entre um comentário e outro dos médicos, preocupados com detalhes técnicos de cirurgias, atendimento, prazos, medicação, um escapar à toa de impressões acerca dela, de Isabel:&lt;br /&gt;         – Você acredita que ela disse à supervisora que não poderá vir trabalhar por causa de um livro que está lendo?&lt;br /&gt;         – De Camus?&lt;br /&gt;         – Sim, de Camus... Quer dizer, o berçário fica às moscas por causa de um livro de Camus... Formidável...&lt;br /&gt;         – Ah, eu não espero mais nada dessa moça... Sinceramente...&lt;br /&gt;                 [...]&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; Toda manhã pensar nisso e, no correr do dia, sem coragem, esquecer.&lt;br /&gt;         Ele fazia a barba no automático. Era preciso se apressar. Na hora do enxágüe, fechava os olhos, pausa necessária para reter a imagem perfeita da felicidade: Isabel tranqüila, de camiseta e calcinhas brancas, pés descalços, cabelos presos, subindo as escadas da Casa Temperada de Sol. Ou ela lavando os pratos e perguntando, tão graciosa, por que você só usa as camisas por fora das calças? Ou ainda: ela de bruços na cama. Líquida na amplidão da cama. Olhos caçando ternura sem saber que caçavam mesmo isso: ternura. Queria congelar aquele instante num potinho de vidro, esquartejar o instante em mil pedacinhos de luz, feito vitrais ou interior de caleidoscópio, para poder, séculos mais tarde, quando já estivesse de horas contadas, moribundo num leito de hospital – podia ser até mesmo aquele, ao qual ele dirigia tão mal e subjetivamente, por que não? – tirar o vidrinho do bolso e espiá-la derradeiramente: vítrea, cada parte da pele transformada em mil partezinhas da pele; cada brilho do olho, uma infinidade de brilhos do olho; mais calor que corpo; mais cristal que palavras. Era possível retê-la tão multifacetada assim?&lt;br /&gt;         Caramba, precisava se decidir logo. Ou ficava com Isabel e sua inaptidão para a vida ou...&lt;br /&gt;         Quer dizer, não, assim não. Só de pensar que estava chamando a mulher de sua vida de “inapta” lhe vinha um calafrio.&lt;br /&gt;         Haveria de ser sempre assim: avança e retrocede, avança e retrocede, como num filme em que se perdera a mão?&lt;br /&gt;         Pois é. É a vida, não?&lt;br /&gt;         Realmente?&lt;br /&gt;         Repensou melhor: ou a aceitava sua e, ao mesmo tempo, da vaguidão, das estrelas, ou a mandava ao inferno duma vez. [...]&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Uma rua sob as árvores&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Marcus Vinícius Rodrigues&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Mora gente aí, mãe?&lt;br /&gt;A menina enfiava a cabeça por entre as grades do portão, curiosa. Apontou a estátua de mármore no centro da varanda, uma deusa grega, e perguntou alguma coisa sobre o anjinho que puxava um pano que mal cobria a mulher. Sua mãe poderia ter dito que não era um anjo, era o próprio deus Eros brincado com a deusa Afrodite. Também poderia ter falado dos dois leões cinza que seguravam postes de luz na parte de baixo da escada. Lúcia não disse nada. Ela ainda estava presa à primeira pergunta, que a arrastou para muito longe no passado, quando outras crianças perguntavam a mesma coisa.&lt;br /&gt;— Aí não mora ninguém.&lt;br /&gt;Era isso que ela dizia pro irmão quando ele perguntava a mesma coisa. Sempre que podiam sair do prédio para a rua, passavam pela frente da casa. Nunca tinha ninguém, mas estava sempre tão limpa e arrumada. Não era como outras casas da rua, destruídas pelo tempo. Do lado mesmo ficava uma assim, que mais parecia um depósito. Outras casas viraram museus. João vivia pedindo para entrar na casa, mas ela não deixava. Era mais velha. Sabia ser responsável. E o irmão só tinha essas idéias por causa de André.&lt;br /&gt;— É claro que mora gente aí. Eu já vi. Outro dia entrou um carro. Lá de casa eu vi.&lt;br /&gt;André morava num prédio mais próximo e até podia ter visto mesmo. Lúcia não se rendia.&lt;br /&gt;— Claro que entrou um carro. A casa tem dono, seu bobão, mas ele não mora aí.&lt;br /&gt;Essa era uma conversa de todos os dias, na vinda da escola, na hora de ir comprar pão, na ida à sorveteria da Graça. Ela defendia que a casa era deserta apenas para poder se imaginar dona de tudo. Adorava os arcos que se formavam no alto das colunas da varanda. Adorava a Afrodite e seu Eros. Só não gostava dos leões. Um dia vou mandar tirar esses leões, ou pelos menos mandar pintar de branco. Ela achava que a casa devia ser toda branca e não aquela cor meio rosinha meio bege. A única cor seria daqueles vidros no alto das janelas de cima tão vermelhos que chega doía ver. A casa seria branca como um palácio das Arábias, como o da princesa Jasmim. Ela seria a princesa desse palácio. Desde pequena sonhava assim. Quando conheceu André, com sua pela morena, viu na hora que ele podia ser o príncipe mágico dos seus sonhos, como Simbá ou como Aladim. Mas ele era tão bobo. Era quase um ano mais velho que ela, mas parecia ter a idade de João. Os dois juntos eram intratáveis. Foi André que ensinou João a andar olhando para cima. Os dois seguravam nela e iam andando e olhando para o sol entre as árvores que cobriam a rua. Apostavam pra ver que não chorava da claridade e nem tropeçava na calçada. Meninos.  [...]&lt;br /&gt;     &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;O cego e eu&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Adelice Souza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu andava distraída, pela alameda das árvores, a caminho de casa, quando vi o cego. Ele tentava atravessar a rua bem em frente à antiga casa onde eu morara. Balbuciava algo quando eu me aproximei no intuito de ajudá-lo a chegar ao outro lado da rua. Falava alto, gesticulava, balançava a bengala no ar, agitada, como se quisesse bater em alguém invisível que estava à sua frente, como se quisesse se defender deste outro. Foi neste momento que percebi que o pobre cego ouvia vozes, como um oráculo às avessas, profetizando destinos ruins, seu caos. Quis dizer-lhe que não havia ninguém ali. Mas não podia: ver a dor do cego na sua luta com o que inexiste, deixou em mim um estado silencioso de perplexidade. Não podia fazer mais nada. Ele conversava com o vazio, gritava com alguém que não existia. Não consegui seguir adiante, era um domingo lindo de sol, eu voltava da praia na minha caminhada matinal e o meu rumo foi obscurecido por aquela presença cega. Porventura haveria uma forma que eu pudesse lhe dizer que não havia ninguém ali a incomodá-lo, mas talvez não estivesse ao seu alcance acreditar em mim, crer no que os meus olhos viam e negar o que ele mesmo ouvia. Eu, também convicta em meus princípios, intuições e sensações, não deixaria me levar pela percepção de um estranho, mesmo que este estranho tivesse olhos e eu não.  Ele estava certo, eu estava certa e nenhum dos dois podia fazer nada. Ele queria ver alguém ali, a dor era a dele, o gozo era o dele, a falta preenchida pelas vozes e pelas imagens era dele. Isso não era problema meu, aceitei. [...]&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-2695486898671528402?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/2695486898671528402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/10/outras-moradas-antologia-de-contos-do.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/2695486898671528402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/2695486898671528402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/10/outras-moradas-antologia-de-contos-do.html' title='Outras Moradas, antologia de contos do Banco Capital, com Állex Leilla, Adelice Souza, Marcus Vinícius Rodrigues, Aleilton Fonseca e Renata Belmonte'/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_SQng3jrIENg/RxN5l9mvmtI/AAAAAAAAADA/IBLfOtWsJmQ/s72-c/%C3%A1lvarus+e+seus+bonecos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-1879160829806126324</id><published>2007-10-04T15:44:00.001-02:00</published><updated>2007-10-04T15:54:36.394-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_SQng3jrIENg/RwUoKtmvmmI/AAAAAAAAACA/HmAVXMzTW5M/s1600-h/a+eternidade.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5117540716082338402" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_SQng3jrIENg/RwUoKtmvmmI/AAAAAAAAACA/HmAVXMzTW5M/s320/a+eternidade.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_SQng3jrIENg/RwUn-tmvmlI/AAAAAAAAAB4/kSmYcDb_itU/s1600-h/a+eternidade.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[...] O pior de tudo é que não há cheiros e quase se pode sentir Deus. Eu quero andar e não sou movimento. Ágeis são os arbustos, são as nódoas, são as faltas de cheiros, meu corpo não. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Primeiro me dei conta disso – do corpo – que ruía a cada quarto de hora, depois percebi aterrorizado as formigas, rodeando-me como se faz com o alimento. Histérico, nos instantes iniciais ainda achei que reuniria forças onde quer que fosse pra quebrar a inércia, vencer.&lt;br /&gt;Não consegui.&lt;br /&gt;Tua mão veio viva afastando os insetos de mim. Limpou um resto mínimo de sangue, pôs rosas e perfume e me vestiu com um manto de cetim claro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ri, grato a ti por tanta generosidade, saiba que estarei sempre, e achei teu pranto extremamente belo caindo em meu rosto morto. Devia ser quente a tua dor e fazia a das outras pessoas indiferente, nula. A milímetros de mim, você arfava em desespero. Não te senti como antes, minha faculdade consistiu no verbo ver, segunda conjugação, transitivo direto. Não lembro mais...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vi você me guardar no vão e a madeira comer minha liberdade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Falo como corpo porque corpo preso fui depositado.&lt;br /&gt;Os grãos de areia, as velas, os vermes. O regresso. Não seria exatamente areia, mas barro pútrido, enojante.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Imaginava que o alimento fosse vivo, que cada mastigar sofrido fosse uma alegria de transformação próxima. Mas, não, a dor de ser absorvido é total, é cruel e leva parte dos sentidos. Abomino-me em retalhos. Eu me odeio mordido, rasgado, mastigado, comido. Pernas de barata, pêlos, gosma, meus dentes!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nenhum cheiro exala, nenhum formigamento. Meu pênis, minhas mãos. Eu não conhecia esses tipos de vermes, só aqueles que levam parte do joelho... lia sobre bichos que dão em água parada, matava muitos ratos quando tinha dez an.....h! Jesus! O cheiro morno da virilha pra sempre perdido... minha unha caindo vagarosa na madeira... minha boca, eu não tenho boca!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É preciso um cigarro, um café.&lt;br /&gt;Um choque elétrico...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda faltam as veias... Ali, falta parte do nariz e um resto de coxa... E essa posta de carne verde, aguada, donde fazia parte? O sangue endurecido. O sangue é um requinte, quem virá me sugar? Eu me contorço, não sei do tempo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Deve ser longo, mas eu não o sei. Incho. É o inconformismo? Eu não voltaria a comer se tivesse novamente boca, dentes, língua, mas ainda assim... quero meu corpo!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tapa na cara.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dentes rolando.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Baba.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quero meu corpo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Escuridão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por favor, me soltem, me deixem...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um corte vertical no planeta. Que todos sangrem, que se fodam, que não reste migalhas de gente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não é possível... então sou isso?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Corro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Carne moída.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Odeio. Odeio. Odeio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Subirei no topo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Picadinho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mal, mal, mal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Formigas estranhas, estranhas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quero tudo no lugar de antes!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Misérias se multiplicam. Demônio, demônio...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em toda parte: baratas.&lt;br /&gt;São os bichos que mais odeio. Eu que comia vegetais! Eu, que não-andava-descalço-debaixo-do-sol-por-muito-tempo. Eu com minhas rugas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eclipsado.&lt;br /&gt;De mal com Deus.&lt;br /&gt;E com Jesus Cristo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu corro.&lt;br /&gt;Que se fodam, desgraçados!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A mancha escura no meu quadril. Minha pele, minhas nádegas, onde o Vic irá deslizar?&lt;br /&gt;Pode ser um câncer, cara.&lt;br /&gt;Eu tinha medo de câncer no pulmão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Só conseguia dormir depois de ouvir o Morrissey cantar alguma música, qualquer coisa servia, a caixa de som juntinho do meu ouvido, pra mim e somente pra mim.&lt;br /&gt;Meus olhos eram negros... sangue AB, Rh +. Herança do meu pai.&lt;br /&gt;Minha mãe nunca virá.&lt;br /&gt;O banquete.&lt;br /&gt;Água-luz-sabão.&lt;br /&gt;Um dia uma puta me seguiu no Leblon. Olhava pra trás lhe sorrindo, quando por fim entendi: um homem, um homem debaixo da podre fantasia de se fazer exageradamente mulher.&lt;br /&gt;Não me encantavam homens assim.&lt;br /&gt;Mas tudo bem, tudo bem, tudo bem.&lt;br /&gt;Não vou chorar mais.&lt;br /&gt;Que se danem os cílios, que se danem os cabelos.&lt;br /&gt;Posso sorrir um pouco.&lt;br /&gt;Não me apavorem.&lt;br /&gt;Dancem comigo. Um tango, ou dança antiga de ciganos.&lt;br /&gt;Boceta! Boceta!&lt;br /&gt;Por quê?&lt;br /&gt;Eu quero meu corpo!&lt;br /&gt;Macho meu ele foi, homem a quem chamei de amigo.&lt;br /&gt;Não suporto mais esse crânio exposto.&lt;br /&gt;Por favor, um lenço. Lilás.&lt;br /&gt;Um cara me esmurrou no peito, uma vez...&lt;br /&gt;Galeão, Santos Dumont. O barulhos de seres metálicos pelo ar.&lt;br /&gt;Jacarepaguá.&lt;br /&gt;Vozes em alto-falantes.&lt;br /&gt;Passageiros com destino ao inferno, com escala no desespero e na miséria profunda, por favor, dirijam-se ao portão de embarque, e boa viagem.&lt;br /&gt;Arame farpado.&lt;br /&gt;Pois vou dar o troco pra aquele otário.&lt;br /&gt;Irritação no estômago.&lt;br /&gt;Tome a limonada, meu filho...&lt;br /&gt;Não há.&lt;br /&gt;Pode ser um sonho.&lt;br /&gt;Vic, me espere na saída da rua, passo logo que a aula acabar.&lt;br /&gt;Ele estudava língua alemã e amava escritores franceses.&lt;br /&gt;O tempo. O tempo. O tempo.&lt;br /&gt;A chuva podre sobre as cascas das frutas. Sobre as rosas brancas. Sobre os remédios.&lt;br /&gt;Me ofertam flores. Agora vou mesmo chorar... flores pra quê, meu avô?&lt;br /&gt;A primavera me dá saudades, o leite me dá saudades. Oh, Deus, já não tenho nada!&lt;br /&gt;Ossos.&lt;br /&gt;Uma casa bonita, cheia de espaços.&lt;br /&gt;O momento mágico de desgrudar do corpo dele e adormecer.&lt;br /&gt;Sítios. Aeroportos. Calçadas. A corrente fria na cara. Copacabana-princesinha-do-mar. Gozo, esperma, fluídos. Línguas. Espáduas. Coxas. Ânus. Pai-nosso-que-estais-no-céu-santificado-seja-o-vosso-nome. E flores, flores, flores. Vozes que pedem que eu seja recebido ao lado de Deus.&lt;br /&gt;Eu não quero...&lt;br /&gt;Jesus, provavelmente, vai estar lá...&lt;br /&gt;Sentado à direita...&lt;br /&gt;Só de pensar no rosto dele, nos cabelos compridos e negros...&lt;br /&gt;O orgulho católico...&lt;br /&gt;Eu não quero.&lt;br /&gt;Quanto sétimos dias virão?&lt;br /&gt;Vida.&lt;br /&gt;Mangueira-estação-primeira.&lt;br /&gt;Réstias, dores.&lt;br /&gt;Gostava de ouvir samba. Mas não sabia sambar.&lt;br /&gt;De punk, e rock anos 80.&lt;br /&gt;Odiava feijoada.&lt;br /&gt;De trepar a noite inteira.&lt;br /&gt;Te foder de todos os jeitos.&lt;br /&gt;Porque você, eu sabia, era meu.&lt;br /&gt;Fosforescência.&lt;br /&gt;O branco captado por uma gota. Estreito, suando.&lt;br /&gt;O branco dos torpores. Uma chama a me rondar. Quem? O quê?&lt;br /&gt;Um único movimento: a única cor. E as portas abertas por ela, e o vento fechando-as.&lt;br /&gt;Ver é quase uma paz, mas há muito mormaço entre mim e as formas.&lt;br /&gt;Pois eu estou dissolvido. Sem chão, sem tempo.&lt;br /&gt;As nuanças me perseguem.&lt;br /&gt;Não, não façam orações pra mim. Ninguém sabe do que preciso.&lt;br /&gt;Quero é meu corpo. Um beijo e... oh, vão pro inferno com esses pedidos!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[...]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;(&lt;em&gt;Henrique&lt;/em&gt;, romance, pp. 11-14)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-1879160829806126324?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/1879160829806126324/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/10/blog-post.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/1879160829806126324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/1879160829806126324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/10/blog-post.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_SQng3jrIENg/RwUoKtmvmmI/AAAAAAAAACA/HmAVXMzTW5M/s72-c/a+eternidade.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-6767025510512570106</id><published>2007-09-17T01:00:00.000-02:00</published><updated>2007-09-17T01:38:26.560-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_SQng3jrIENg/Ru3065M67qI/AAAAAAAAABw/vwcgdZ6caI8/s1600-h/a+eternidade.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5111010444759985826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_SQng3jrIENg/Ru3065M67qI/AAAAAAAAABw/vwcgdZ6caI8/s320/a+eternidade.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; E digo que tem sido isto: pequenos pedaços de sono, eu me alargando, a cama se alargando, os lençóis se alargando, o mundo, espaços enormes, brancos, ameaçadores, vazios, que volta e meia me fazem tão mal.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Sim, tão somente isto: a ausência de tua temperatura, de teu cheiro, aqueles pêlos teus que vão caindo, um lá, outro aqui, a noite inteira, pra na manhã grudarem-se aos meus. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Francamente isto: eu sozinha dentro do quarto, dentro da rua, dentro da esquina, dentro do bairro, dentro da cidade, dentro do país, dentro da vida. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Mas não por mania ou tique nervoso, que tem sido assim, mas sem gravidade ou nervura, tem sido assim, você na sala, no tapete, enfim, digo: tem sido difícil aprender a dormir novamente sem você.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-6767025510512570106?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/6767025510512570106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/09/e-digo-que-tem-sido-isto-pequenos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/6767025510512570106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/6767025510512570106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/09/e-digo-que-tem-sido-isto-pequenos.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_SQng3jrIENg/Ru3065M67qI/AAAAAAAAABw/vwcgdZ6caI8/s72-c/a+eternidade.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-3610271442173767998</id><published>2007-08-30T16:59:00.000-02:00</published><updated>2007-08-30T17:10:59.126-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;[...] Ainda posso ouvi-lo terminando a última frase da única música que tocou pra mim naquela noite: “maai endlessss looove”, batendo forte nas cordas do violão, com raiva? tesão? pressa de acabar logo? cansaço? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aquela merda de música brega.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na penumbra do quarto, pisei sem querer na capa de um livro de David Leavitt - &lt;em&gt;Family Dancing&lt;/em&gt;, anotei na cabeça - entropecei no cinzeiro e esparramei cinzas e tocos de cigarro pelo chão encarpetado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele deixara a mala de sei lá qual viagem entreaberta, reparei. Não arrumava nada, ao contrário, ia abrindo as janelas e fechando as cortinas - o que era inútil pois o vento as espalhava de novo -, jogando toalhas limpas, um monte, brancas e felpudas, e sabonetes em minha direção. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quer tomar banho? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tome. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não quer? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não tome. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E ria num tom mais grave do que o que usava pra cantar: rá, rá, rá, rá, rá. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quer beber? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Beba. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apontou as garrafas na sala. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quer comer? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Coma. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E apontava a cozinha. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Achei que ele estava fora de si e fiquei no meu canto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Havia um quadro enorme de um rapaz sentado, seminu, cabeça encostada nos joelhos, cintura coberta por um pano vermelho. A pele era morena, um efebo, diriam os gregos, se gregos ali houvesse. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fiquei admirando o quadro e ele veio por trás e disse em meu ouvido: ah, quer esse rapazinho lindo pra você? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olhei-o nos olhos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estava de fato embriagado ou coisa pior. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois se fodeu, ele riu, esse rapaz os vermes já comeram há séculos, rá, rá, rá, rá. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu disse pra ele ficar quieto um segundo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Piscou os olhos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E novamente era aquele rosto inocente, machucado pela vida, seríssimo, me olhando. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Abracei-o: fique quieto que eu vou cuidar de você. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ah, ele fez, que bonitinho! Preciso mesmo de seus cuidados, sempre precisei. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas saiu dos meus braços outra vez. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sumia pelos outros cômodos do apartamento, voltava dizendo bobagens sem sentido: dou uma ameixa se você disser quantas meninas foram estupradas ontem só no Rio de Janeiro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O quê? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Você tá maluco, cara?! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu nada entendia sobre meninas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;AH!!! Ele fez bem alto e irônico. Três ameixas se acertar em São Paulo e no Rio. E todas as ameixas do mundo se acertares quantas foram estupradas no Brasiilll! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Falava Brasil como os estrangeiros: breiziul. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olhei pras mãos dele: estavam sujas de uma coisa amarronzada, estranha. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Falei que o amava, que eu não era imbecil, que o amava de verdade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sei, eu sei, ele respondeu, eu sei, querido, você é uma gracinha, soube desde que lhe vi.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora vamos trepar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E me empurrou em direção à cama. [...]&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-3610271442173767998?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/3610271442173767998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/08/blog-post.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3610271442173767998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3610271442173767998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/08/blog-post.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-4786407601465982357</id><published>2007-08-17T13:21:00.000-02:00</published><updated>2007-08-17T13:52:20.426-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_SQng3jrIENg/RsW9LqwdvwI/AAAAAAAAABc/kndChByRUX0/s1600-h/P2201244.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5099690161220730626" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_SQng3jrIENg/RsW9LqwdvwI/AAAAAAAAABc/kndChByRUX0/s320/P2201244.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; O meu amor ignora a fome e os maltratos do mundo.&lt;br /&gt;Com meu coração alheio&lt;br /&gt;circulei o mar.&lt;br /&gt;Você chegou da terra do frio,&lt;br /&gt;com suas noites de choro e suicídio alheios.&lt;br /&gt;Em carne viva e cada vez mais passível de disseminação de vírus,&lt;br /&gt;estou a te adorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabar de vez com a velha história da sereiazinha e do príncipe&lt;br /&gt;que agora virou pescador.&lt;br /&gt;Pequena, vago à tua procura.&lt;br /&gt;Estás sempre entre outros homens,&lt;br /&gt;e é na boca deles, não na minha, que mergulhas&lt;br /&gt;a língua que quero pra mim.&lt;br /&gt;Amaldiçôo meu amor inacabado e torto,&lt;br /&gt;quero que o mundo solte mais pestes e mais bombas&lt;br /&gt;e quero da sacada aplaudir e olhar.&lt;br /&gt;Com meu coração inteiro&lt;br /&gt;caminho de volta ao mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.............................................................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; E quando passas na rua, vais deixando miúdos de mim&lt;br /&gt;que o sol esmaga sobre as poças onde saltam teus pés.&lt;br /&gt;Na Praça do Medo, na Av. das Flores,&lt;br /&gt;no beco dos Martírios, na Tiradentes, esquina com a Canários,&lt;br /&gt;antes de chegar na Rua Larga que vai dar, à esquerda, na Biblioteca, à direita, no mar.&lt;br /&gt;Chove tanto que posso sentir vidas e pedaços de chão afundarem.&lt;br /&gt;A poeira dessa cidade&lt;br /&gt;cobrindo meus olhos de faíscas sutis.&lt;br /&gt;O ódio, o tempo:&lt;br /&gt;as nuvens não são de neve nem de terra nem de algodão,&lt;br /&gt;- tanto tempo sem dormir,&lt;br /&gt;no ritmo do mundo arrastado,&lt;br /&gt;fechando a vida, abusando da idade&lt;br /&gt;nas mesas dos bares, embaixo da ponte,&lt;br /&gt;nunca consigo a hora precisa de te ver passar.&lt;br /&gt;.............................................................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morte rápida de flores,&lt;br /&gt;morte vagarosa de insetos,&lt;br /&gt;- meu corpo deixando de existir.&lt;br /&gt;Da cor vária e fugaz&lt;br /&gt;dos hibiscos roubados na Praça do Medo, em quintais alheios, vou pintando teus cabelos,&lt;br /&gt;amor que por maldade esconde&lt;br /&gt;o sol na palma da mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo:&lt;br /&gt;beber demais/perder o traço/mancar da cabeça na frente de todos.&lt;br /&gt;Tu bem sabes porquê:&lt;br /&gt;na ordem do mundo, os mancos da cabeça são guardados em armários infestados de cupim.&lt;br /&gt;Remédios de amarras, remédios de amarras,&lt;br /&gt;- vomito tudo ao entardecer.&lt;br /&gt;Da cor vária e atroz dos hibiscos roubados,&lt;br /&gt;quero reformular teus cabelos.&lt;br /&gt;Quem sou eu, te amando desde os primeiros raios até a noite de todo descer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Receio:&lt;br /&gt;perder as estações/chover demais/jogar brumas da cabeça em cima dos mundos inocentes, e ainda assim, não ferir por inteiro a ninguém.&lt;br /&gt;Ah, eu preciso tanto&lt;br /&gt;escancarar o sangue de alguém!          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.............................................................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a porrada acerta de cheio tua beleza de olhos claros:&lt;br /&gt;- você é meu amor, muito prazer, eu sempre quis te namorar.&lt;br /&gt;E te jogar rio abaixo, ir de canoa ver seu corpo também morrer.&lt;br /&gt;Belos e muito miúdos,&lt;br /&gt;sorrindo dentro dos óculos, seus olhos, Eric, seus olhos,&lt;br /&gt;acesos pra outros homens, nunca pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.............................................................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos andando e já é outro dia,&lt;br /&gt;café nos espera onde a tristeza - finjo eu, mulher desgraçadamente mentirosa - não está.&lt;br /&gt;Espumas nos atravessam&lt;br /&gt;quando nos fazemos irmãos e amigos dentro do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.............................................................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se meus amores estarão sempre calados&lt;br /&gt;pelo tempo e pela gastura do sexo&lt;br /&gt;que quer somente ao seu pra emparedar,&lt;br /&gt;falo então do seu jeito de arrancar crostas de musgo das pedras,&lt;br /&gt;seu jeito de desistir seguindo em frente,&lt;br /&gt;seu jeito de amar corpos iguais ou contigo parecidos.&lt;br /&gt;Não gosto e falo: seu jeito é uma tortura que sempre me machucará. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por trás do vidro te emolduro:&lt;br /&gt;não preciso compor com todas as letras, escrevo pra mim mesma, às vezes por cinismo, às vezes por compaixão.&lt;br /&gt;Porque é bom te ver através dessas lentes de binóculo:&lt;br /&gt;são 10:15, você ainda dorme?, deitado na cama, meio coberto, meio desnudo pelos lençóis.&lt;br /&gt;Mas, querido, querido, o que estás fazendo de olhos fechados&lt;br /&gt;por acaso não sabes que boa parte da cidade já está de pé?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-4786407601465982357?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/4786407601465982357/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/08/o-meu-amor-ignora-fome-e-os-maltratos.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4786407601465982357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4786407601465982357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/08/o-meu-amor-ignora-fome-e-os-maltratos.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_SQng3jrIENg/RsW9LqwdvwI/AAAAAAAAABc/kndChByRUX0/s72-c/P2201244.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-4442027373510593339</id><published>2007-08-06T22:53:00.000-02:00</published><updated>2007-08-06T23:05:56.419-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.cm-guimaraes.pt/files/447692/images/2005103104653294873.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.cm-guimaraes.pt/files/447692/images/2005103104653294873.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://www.oldworldauctions.com/Auction086/86-416.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quarto-crescente&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Botões presos às camisas, em filas, bordadinhos.&lt;br /&gt;Foi molhar as plantas&lt;br /&gt;e os dias abriram-se em labaredas.&lt;br /&gt;Andar já não se quer,&lt;br /&gt;o mato espezinha, vidas estranhas&lt;br /&gt;querem acompanhar todos os prenúncios&lt;br /&gt;tanto de guerra como de calma.&lt;br /&gt;Vazia, já sem noite ou manhã,&lt;br /&gt;no intervalo de regar ou pôr botões,&lt;br /&gt;costurou uma letras,&lt;br /&gt;umas letras puseram-se de pé&lt;br /&gt;e já estavam a esburacar&lt;br /&gt;as tristes paredes da casa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-4442027373510593339?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/4442027373510593339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/08/quarto-crescente-botes-presos-s-camisas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4442027373510593339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4442027373510593339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/08/quarto-crescente-botes-presos-s-camisas.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-7844728335110710861</id><published>2007-07-20T10:52:00.000-02:00</published><updated>2007-07-20T11:12:47.508-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.parametro.it/1.wim%20wenders.JPG"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.parametro.it/1.wim%20wenders.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;PAPOULAS DE JULHO&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Ó papoulinhas pequenas flamas do inferno,&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Então não fazem mal?&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Vocês vibram. É impossível tocá-las.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Eu ponho as mãos entre as flamas. Nada me queima.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;E me fatiga ficar a olhá-las&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Assim vibrantes, enrugadas e rubras, como a pele de uma boca.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Uma boca sangrando.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Pequenas franjas sangrentas!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Há vapores que não posso tocar.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Onde estão os narcóticos, as repugnantes cápsulas?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Se eu pudesse sangrar, ou dormir!&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Se minha boca pudesse unir-se a tal ferida !&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Ou que seus licores filtrem-se em mim, nessa cápsula de vidro,&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Entorpecendo e apaziguando.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Mas sem cor. Sem cor alguma.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;(Sylvia Plath/ Tradução de Afonso Félix de Souza )&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-7844728335110710861?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/7844728335110710861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/07/papoulas-de-julho-papoulinhas-pequenas.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7844728335110710861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7844728335110710861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/07/papoulas-de-julho-papoulinhas-pequenas.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-2052727579647833946</id><published>2007-07-14T10:21:00.000-02:00</published><updated>2007-07-14T10:27:28.483-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://www.cculturalcasadorestaurador.com.br/galeria/amostra/outono.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.cculturalcasadorestaurador.com.br/galeria/amostra/outono.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;[...] Deixa a depressão lá. Quietinha. Esperando do outro lado da pista. Não quer se perder no trânsito por desagulhas do amor.&lt;br /&gt;Que o mundo se roesse em lágrimas, se explodisse, se esturricasse longe dela. Não se importaria. Queria apenas ficar quieta. Nada pra pensar, nada pra fazer.&lt;br /&gt;Com as mãos pode brincar de coelhinho: dois dedos erguidos, o indicador e o anular, e o resto dos dedos em forma de nó, juntos. Fazendo movimentos na penumbra da parede. Com a outra mão, faz a boca de um lobo, alongando os dedos e os curvando como se fosse desenhar um “C” com eles. Realmente, parece um lobo perseguindo o coelho.&lt;br /&gt;Ela ri: isso aprendeu com Wim Wenders... Asas do desejo ou Tão longe, tão perto?&lt;br /&gt;Levanta-se e põe uma música. A música ainda é tudo de leve e verdadeiro num mundo cretino, caduco. Look at me/ who am I supposed to be?/ look at me/ oh, my love...&lt;br /&gt;Sim, amor da minha vida, o cansaço estranho outra vez.&lt;br /&gt;Foi na cozinha esquentar a comida. Provou o suco de manga.&lt;br /&gt;Um bilhete da mãe deixado na portaria dizia que a amava. Minha-filha-você-vai-superar-essa-desgraça-eu-sei-sempre-acreditei-na-sua-força.&lt;br /&gt;Um bilhete com um terço ao lado. Reze, a mãe pedia, procure ter confiança em Deus.&lt;br /&gt;Em Deus, ela repetiu, irônica, masculino e cheio de esperma, tenho que ter confiança em Deus?&lt;br /&gt;Pois sim.&lt;br /&gt;A inocência dos ventres férteis. A dança torta nos ladrilhos bem esfregados da cozinha.&lt;br /&gt;Ela não acredita.&lt;br /&gt;Está muito, muito irritada neste instante.&lt;br /&gt;Abre a tampa da lixeira, joga o terço lá dentro: God is a concept, and that’s reality.&lt;br /&gt;Porém, fraqueja.&lt;br /&gt;Os terços, as mães, coitados, que culpa têm?&lt;br /&gt;Dá de se lembrar, na hora errada e tardiamente, como é de praxe, que Marcel adora terços. Às vezes, passa semanas desfilando com eles no pescoço, ora de madeira, ora de prata, de ouro, de contas. Em vez de jogar este fora, portanto, devia dá-lo de presente pra ele. Ia pôr a mão no lixo e trazê-lo de volta, lavar com sabão e passar álcool?&lt;br /&gt;Indecisão cretina.&lt;br /&gt;Pego-não-pego-o-terço-de-volta-pra-dar-a-Marcel-de-presente?&lt;br /&gt;Deu com os ombros e fechou a lixeira.&lt;br /&gt;Deu com os ombros e abriu a lixeira.&lt;br /&gt;Tirou o terço, lavou.&lt;br /&gt;Nó no peito: a mãe fizera com a melhor das intenções. Pobrezinha. As mães. A fé. O lado bom da vida brilhando, cintilando. Quase sentiu a mão dele, o abraço forte que só ele tem, puxando-a, inteira, pra si. A possibilidade de uma trégua no escuro: venha, feche os olhos e sinta como é calmo, como é intenso, como é profundo e silencioso viver.&lt;br /&gt;Onde? Como? Oh, não. Uma tontura acompanhada de leveza, como nos primeiros orgasmos juvenis. Uma tontura boa e a cabeça se abre como a comportar todos os objetos e barulhos e cores de uma só vez.&lt;br /&gt;De novo, a vontade absurda de recomeçar, de entender.&lt;br /&gt;Ok, o que estava feito, feito estava. Paciência. Bastava nada dizer a mãe nem a ele. Pronto. Passou álcool no terço, embrulhou num papel fininho vermelho-seda, de sabe lá que presente ganhara, quando e de quem. Um papel fininho que estava debaixo do baú de bijuterias. Perfeito. Marcel ia adorar. É verdade que ninguém precisa saber os detalhes mórbidos que antecedem as delicadezas da vida, certo? Basta o silêncio, uma frase antiga (lembrei de você) e todos ficam felizes. A dor ainda não passara de todo. Mas ela toma banho assim mesmo e sai pra encontrá-lo. [...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-2052727579647833946?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/2052727579647833946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/07/blog-post.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/2052727579647833946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/2052727579647833946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/07/blog-post.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-4882418368951799536</id><published>2007-07-11T15:44:00.000-02:00</published><updated>2007-07-11T15:46:00.537-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>PROGRAMA PETROBRAS CULTURAL - SELEÇÃO 2006 / 2007PRODUÇÃO E DIFUSÃO - LITERATURACRIAÇÃO LITERÁRIA: FICÇÃO E POESIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PROJETO CONTEMPLADO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PROJETO LITERÁRIO &lt;strong&gt;PRIMAVERA NOS OSSOS&lt;/strong&gt; - ROMANCE&lt;br /&gt;Protocolo: 3533&lt;br /&gt;Proponente: Alessandra Leila Borges Gomes&lt;br /&gt;Estado do Proponente: BA&lt;br /&gt;Apresentação: Romance com linguagem experimental focada na representação da experiência de uma mulher estuprada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que Alessandra Leila Borges Gomes sou eu, uauauauau!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-4882418368951799536?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/4882418368951799536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/07/programa-petrobras-cultural-seleo-2006.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4882418368951799536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/4882418368951799536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/07/programa-petrobras-cultural-seleo-2006.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-831336036391637921</id><published>2007-06-30T22:45:00.000-02:00</published><updated>2007-06-30T22:54:18.790-02:00</updated><title type='text'>"Anankê" (trecho)</title><content type='html'>[...] Sem sonhos.&lt;br /&gt;            Como sempre.&lt;br /&gt;            Ir embora, ir embora, é tudo que sempre quis.&lt;br /&gt;            Apesar das moscas, das muriçocas e do calor, nunca viu lugar pra ter mais borboletas amarelas do que ali...&lt;br /&gt;            Elas ficam sobrevoando as flores dos flamboyants.&lt;br /&gt;            As borboletas amarelas de Bom Jesus da Lapa.&lt;br /&gt;            Todos os flamboyants estão carregados.&lt;br /&gt;            De flores, delas.&lt;br /&gt;            Na Manoel Novais, antiga Lauro de Freitas, ela pára.&lt;br /&gt;            Impossível não parar pra ver os flamboyants florindo o chão de vermelho.       Senta no chão colorido.&lt;br /&gt;            O calçamento ainda não está quente.&lt;br /&gt;            Escreve qualquer bobagem.&lt;br /&gt;            A voz dele chegando nítida: há alguma coisa atrás dos seus olhos que eu nunca vi...         &lt;br /&gt;            Cabeça inchada de tanto espaço vazio.&lt;br /&gt;            Vou embora antes do ano novo entrar.&lt;br /&gt;            Como é difícil escrever com o ônibus em movimento.&lt;br /&gt;            A sensatez que ele deu sopra o ar em seus ouvidos: escrever feito louco pra ver se, de repente, alguém vem abrir a porta do casulo...&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=19135905#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;            Isso sim, nunca passa.&lt;br /&gt;            O tempo também não.&lt;br /&gt;            Só habita fora do corpo por necessidade quase cega de ver o que não conhece.         Comer poeira, vento, chegar no porto de mãos vazias e inventar partidas: caralho, que saudade desse mar...&lt;br /&gt;            Sabe lá porquê.&lt;br /&gt;            Ela o ama.&lt;br /&gt;            Ela o ama tanto.&lt;br /&gt;            Entorpecida de todas as formas mínimas que o trazem de volta pra vida, e isso, como sabemos, é amar no escuro, é amar sem objetivo, é deixar o tempo morrer.&lt;br /&gt;            Quando procura o verbo ou a isca, ele evapora.&lt;br /&gt;            O lixo de sua pele e o medo de envelhecer.&lt;br /&gt;            O lixo do país e das pessoas que não interessam mais.&lt;br /&gt;            O lixo dos sonhos, as neuroses, as tormentas mentais.&lt;br /&gt;            Sou doente, repete quando chega numa cidade diferente, quando abandona mais uma cidade: iguais, sempre iguais.&lt;br /&gt;            Quando as pernas param sem vontade de ir.&lt;br /&gt;            Barulhinho de água nos poros.&lt;br /&gt;            Abre os olhos: não há.&lt;br /&gt;            Lá embaixo lavam calçadas.&lt;br /&gt;            Toma sorvete e acha muito ruim.&lt;br /&gt;            Era de frutas cristalizadas, mas tinha gosto de pirulito da infância.&lt;br /&gt;            Faz tempo.&lt;br /&gt;            Horas talvez.&lt;br /&gt;            Ele está com ela, ainda e sempre, falando, cantando.&lt;br /&gt;            Está com ela e também lê Saramago, também lê Florbela Espanca, Carlos Anísio Melhor e Rimbaud.&lt;br /&gt;            Não saber continuar.&lt;br /&gt;            A dispersão, a dispersão...&lt;br /&gt;            Pensa na voz dentro do corpo.&lt;br /&gt;            O escuro de uma voz dentro de um corpo...&lt;br /&gt;            Água gelada descendo pela garganta.&lt;br /&gt;            Tem ganas.&lt;br /&gt;            Quando o vê indo embora, de olhos fechados e falho de explicações.&lt;br /&gt;            Num acidente de carro.&lt;br /&gt;            Vozes estranhas avisam: o ônibus chocou-se com um caminhão.&lt;br /&gt;            Ele foi o único que não sobreviveu.&lt;br /&gt;            De pancada na cabeça.&lt;br /&gt;            Pescoço separado do resto do corpo.&lt;br /&gt;            Ônibus da empresa Novo Horizonte.&lt;br /&gt;            Sabe de antemão que a letra vai sair sempre torta, e, assim como as palavras, como toda a estrutura da história, ninguém irá entender.&lt;br /&gt;            As músicas que ele fez pra ela não foram gravadas.&lt;br /&gt;            Saudade, saudade, outra palavra saindo torta.&lt;br /&gt;            Ela tem medo de não conseguir.&lt;br /&gt;            Continuar ali, correndo entre dias e imagens.   &lt;br /&gt;            Ligar pra um telefone mudo em Bom Jesus da Lapa.&lt;br /&gt;            Um telefone que chama ao deus-dará.&lt;br /&gt;            A mãe e as irmãs dele se livraram da casa?&lt;br /&gt;            Por que é que ninguém nunca atende?&lt;br /&gt;            Ele saiu.&lt;br /&gt;            Está dormindo.&lt;br /&gt;            Ainda não chegou de Conquista.&lt;br /&gt;            Essa doença é corajosa.&lt;br /&gt;            Faz com que ela ouça nitidamente:&lt;br /&gt;            – Não, querida, ele não está.&lt;br /&gt;            Sua doença é continuar procurando onde ele não mais habita, onde nunca habitou.&lt;br /&gt;            Tudo que não tinha coragem de fazer antes, faz agora, mesmo sabendo que é em vão.&lt;br /&gt;            Enumera lápides e lápides no Campo Santo.&lt;br /&gt;            Ouve informações vazias de funcionários que não a entendem.&lt;br /&gt;            Morreu na estrada de Pojuca e foi enterrado aqui, em Salvador?&lt;br /&gt;            Sim.&lt;br /&gt;            Em 27 de dezembro de 1987.&lt;br /&gt;            Ele era órfão de pai.&lt;br /&gt;            Ele era meu namorado.&lt;br /&gt;            O quê? Só tinha 20 anos?&lt;br /&gt;            Mas você não tem a rua e o número?&lt;br /&gt;            Não.&lt;br /&gt;            Sequer sabia que num cemitério havia coisas tão marcadas assim.&lt;br /&gt;            Tomando os nervos.&lt;br /&gt;            Invadindo como um obsessor: o olhar, a voz: vou sem culpa pra algum lugar, talvez a luta faça eu crer que ante os olhos há tanto querer...&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=19135905#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;            Não sou de pedra pra agüentar isso, ela se desespera, não sou de pedra, porra, vá embora de verdade, me deixe em paz.&lt;br /&gt;            Já sabe que a memória é um campo de lixo.&lt;br /&gt;            Todo dia os caminhões que trafegam dentro dos olhos, da língua, do peito, do sexo, estacionam na entrada e descarregam os momentos, os conheceres inúteis.&lt;br /&gt;            Se não houvesse vento forte a cada intervalo de tempo, poder-se-ia ir lá, na entrada, e organizar em baldes ou em latões o lixo diário.&lt;br /&gt;            Mas não, os vendavais são constantes.&lt;br /&gt;            Misturam o que é perecível com o que não é.&lt;br /&gt;            Desfigura os cheiros: os odores se complicam por dentro.&lt;br /&gt;            Ele usava um perfume de sândalo, e tinha a pele estranhamente febril.&lt;br /&gt;            Não, não era assim.&lt;br /&gt;            Ele usava qualquer coisa forte, masculina, meio madeira velha, meio ervas molhadas de chuva.&lt;br /&gt;            A pele esquentava era quando ele bebia muito...&lt;br /&gt;            Qual era mesmo o perfume que ele usava?&lt;br /&gt;            Ela derruba todas as cartas e poemas deixados pela mão dele.&lt;br /&gt;            Qual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=19135905#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Carta de 11. 11. 87: Marquinho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=19135905#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Sem título: Marquinho.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-831336036391637921?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/831336036391637921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/06/anank-trecho.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/831336036391637921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/831336036391637921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/06/anank-trecho.html' title='&quot;Anankê&quot; (trecho)'/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-3032354606981483566</id><published>2007-06-19T18:45:00.000-02:00</published><updated>2007-06-19T18:52:55.024-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.hiroshige.org.uk/hiroshige/influences/images/van%20gogh_flowering%20plum%20tree%20(after%20hiroshige)%20(1887).jpeg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.hiroshige.org.uk/hiroshige/influences/images/van%20gogh_flowering%20plum%20tree%20(after%20hiroshige)%20(1887).jpeg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://www.hiroshige.org.uk/hiroshige/influences/images/van%20gogh_flowering%20plum%20tree%20(after%20hiroshige)%20(1887).jpeg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mais-que-perfeito&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Quantas vezes eu quis que a palavra fosse um choque&lt;br /&gt;terno entre teus lábios e os meus&lt;br /&gt;maiores inferiores quem dera úmidos&lt;br /&gt;dos teus.&lt;br /&gt;Quantas vezes eletrólise&lt;br /&gt;dançar ainda faz bem&lt;br /&gt;ainda um pouco de nós miúdos&lt;br /&gt;um pouco e mais outro&lt;br /&gt;nó.&lt;br /&gt;Quantas quantas vezes&lt;br /&gt;ter é questão de delicadeza de pêlos&lt;br /&gt;uma vez próximos&lt;br /&gt;os teus nos meus&lt;br /&gt;nunca foram tão perfeitos.&lt;br /&gt;Mas&lt;br /&gt;mais que fios e poros tinindo,&lt;br /&gt;não me deixam dormir os membros, os recomeços;&lt;br /&gt;mais que suores, ganidos,&lt;br /&gt;não me deixam dormir os lilases&lt;br /&gt;perfurando as estações.&lt;br /&gt;Nada é nunca tão vazio&lt;br /&gt;se um pouco de voz, um pouco de guerra,&lt;br /&gt;fecham a tarde numa cidade&lt;br /&gt;tão antiga assim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-3032354606981483566?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/3032354606981483566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/06/mais-que-perfeito-quantas-vezes-eu-quis.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3032354606981483566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/3032354606981483566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/06/mais-que-perfeito-quantas-vezes-eu-quis.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-57662747106208868</id><published>2007-06-14T16:57:00.000-02:00</published><updated>2007-06-14T17:04:38.841-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Por que caras em vez de palavras? Isso simplesmente. Caras tão somente. Uma coisa tão chata que dá nó nos ossos tentar entendê-la. As pessoas, esses focinhos de porcos, essas palavras toscas, os beijinhos no rosto, “aqui em São Paulo é só um, no Rio são dois”, argh!, risinhos de puro cinismo, “eu tenho todos os livros dele editados no exterior, sabe?”, segure o vômito, “passei 20 dias na Itália”, deixa eu passar, seu nordestino imundo, por que não vai dar o cu pra outro, meu anjo?, um murro no meio da venta ainda é pouco, “porque meu tio agora é presidente da câmara, entende?”, tudo isso debaixo de um friiiiiiiiiiiio!, casacos pretos, marrons, xales, sobretudos, que coisa linda essa menina de verde, que coisa besta esse rapaz fazendo pose, quanta canseira, quanto cuspe, “vamos pra Vila Madalena ou pro Bexiga?”, veja: “o viadinho pedante recebe 500 reais do banco pra vir aqui falar mal do banco, pode?”, “ele escreve mal pra cacete mas se orgulha de ganhar dinheiro com roteiro de cinema nacional”, cinema nacional, você disse?, “uma bosta”, isso sim.&lt;br /&gt;            Começa assim:&lt;br /&gt;            – Mamãe, eu quero ser famoso.&lt;br /&gt;            Lugar desimporta.&lt;br /&gt;            Pode ser São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador. O ser humano não deu pra nada na vida? Tem de ser famoso.&lt;br /&gt;            Toca algum instrumento?&lt;br /&gt;            Não.&lt;br /&gt;            Tem voz para cantar?&lt;br /&gt;            Não.&lt;br /&gt;            Pinta alguma coisa?&lt;br /&gt;            Na-nã-nim-nã-não!&lt;br /&gt;            Desenha?&lt;br /&gt;            Qual!&lt;br /&gt;            Dirige? Atua? Dança?&lt;br /&gt;            Necas de pitibiriba.&lt;br /&gt;            Sobra o que pra quem não tem talento pra nada?&lt;br /&gt;            Literatura.&lt;br /&gt;            Ave, palavra. A mãe da ignorância.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-57662747106208868?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/57662747106208868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/06/por-que-caras-em-vez-de-palavras-isso.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/57662747106208868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/57662747106208868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/06/por-que-caras-em-vez-de-palavras-isso.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-5231274991054984215</id><published>2007-05-31T15:41:00.000-02:00</published><updated>2007-05-31T15:49:27.663-02:00</updated><title type='text'>Por que a infância deles enche nossa vida de sonhos</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_SQng3jrIENg/Rl8JEYR9aGI/AAAAAAAAABE/aL8Rq_SQfoo/s1600-h/Enzo+e+Lara.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5070781676284373090" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_SQng3jrIENg/Rl8JEYR9aGI/AAAAAAAAABE/aL8Rq_SQfoo/s400/Enzo+e+Lara.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sonhos da menina&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;A flor com que a menina sonha&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;está no sonho?&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;ou na fronha? &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Sonho: &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;risonho.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;br /&gt;O vento sozinho&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;no seu carrinho. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;De que tamanho &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;seria o rebanho?&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;br /&gt;A vizinha&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;apanha&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;a sombrinha&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;de teia de aranha . . . &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Na lua há um ninho&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;de passarinho. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;A lua com que a menina sonha&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;é o linho do sonho&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;ou a lua da fronha?&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;(Cecília Meireles)&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-5231274991054984215?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/5231274991054984215/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/05/por-que-infncia-deles-enche-nossa-vida.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/5231274991054984215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/5231274991054984215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/05/por-que-infncia-deles-enche-nossa-vida.html' title='Por que a infância deles enche nossa vida de sonhos'/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_SQng3jrIENg/Rl8JEYR9aGI/AAAAAAAAABE/aL8Rq_SQfoo/s72-c/Enzo+e+Lara.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-2613773815626112562</id><published>2007-05-28T16:39:00.000-02:00</published><updated>2007-05-28T16:44:45.287-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>[...] O mundo não é azul celeste nem marinho, ouvi minha mãe dizer assim que pus a cabeça no travesseiro, tentando dormir, o mundo não é turquesa nem royal, o mundo não é azul transparente nem sombrio, o mundo é cor de sangue, sangue esmaltado, denso, sangue compacto que não muda de tom. Seria como o meu sangue, pensei, sonolento, sem querer me dar qualquer atenção, uma parte da cabeça ainda acesa pelo barulho da rua, outra parte acesa pelo som da voz dela, de minha mãe, que continuava a caracterizar mais o vermelho do sangue, como se fosse possível, seria oriunda do meu sangue a cor do mundo? Vermelho sem variações, encorpado, vazio de qualquer suavidade, vermelho que vai pingando gota a gota, como tinta espessa numa janela de vidro, capturando todas as coisas do apartamento e encobrindo-as: meu guarda-chuva preto, a poltrona onde me sento e leio, a lâmpada apagada dentro do lustre, o armário com roupas, meus sapatos debaixo da cama, os livros, a estante, os blocos coloridos, canetas de formas infinitas, o aparelho de som, a mala vazia em cima do armário, a reprodução barata de Van Gogh na parede, minha agenda aberta, as contas da próxima semana, o baú cheio de cartas, meus cds, os vinis. Vermelho-mais-claro-pouquíssima-coisa-que-o-tinto, denso, denso, espesso, espesso não é o mesmo que denso, minha mãe? Procurar no dicionário depois. Repetição inútil, eu conheço a cor do sangue, minha flor da primavera, já entendi, nem a pau me levantaria neste instante pra conferir adjetivos, o sangue está encobrindo também o dicionário, não o vejo, comprei uma nova edição atualizada e não sei o que fazer com a velha, vender? Doar? Il mondo non é blú, mio figlio, diz grave, como uma grande matrona italiana. Vermelho mais forte que o córdoba... Ei, tem isso de uma cor se chamar córdoba?&lt;br /&gt;_____________________________________________________________________________________&lt;br /&gt;Nosso ódio tamanho servirá para alguma coisa? A gente já sofre tanto, ela diz, um bom espaço é o mínimo que podemos ter. Ela está muito feliz por ter achado seu apartamento 2/4-sala-com-dependência em Nazaré. Ainda não é inverno, mas o sol sumiu, dois dias de céu estranho, pouco sol, nenhuma chuva, apenas vento úmido e plantas amarelando lá fora. De certo que as rugas são o que menos nos atrai nas pessoas, porém, segundo minha mãe, as plantas não envelhecem, ao contrário, quando amarelam, estão a nos dizer que vai haver renovação. Isso é certo. Tão certo como deitar no chão da sala e ouvir aquelas nossas músicas preferidas. Que sempre dizem: não se desespere, respire fundo, mantenha a coluna ereta. Confiro no relógio: 22: 40. Ela acende incenso de orquídea e fala muito sobre a importância de a gente ser feliz. A minha menina de meias com símbolos de signos. A minha menina de cabelos negros, longos. Sou bicho do mato, maaaaaaaaaaaaaaaassss... Se você quiser alguém pra ser só seu. Hoje, apenas hoje. É o que posso ofertar. Vinho tinto, depois café. Passaram um especial sobre a Legião Urbana na TV. Comemoramos, quase crianças de tão felizes. As taças erguidas. À nossa Legião. Que já acabou. Absolutamente tudo que eu amo periga acabar assim, tragicamente, como minha banda preferida. Meu tempo é uma piada sem dono. A metade dele ainda tá no escuro. Nosso ódio tem que servir pra alguma coisa, ela repete, enquanto os cachorros latem e o sono não vem. Dia especial, dia perdido na precariedade da vida. Solidão de cacos partidos. Mesmo que você tente, compartilhe, improvise: não há jeito de expulsá-la. Solidão, solidão, ninguém pode contigo. É foda. Mas tudo bem, tudo bem, tudo bem. Não darei bola, sou um cara prático, detesto tragédias. Agarro-a, ergo seu corpo. Ela fica na ponta dos pés pra me abraçar. Correspondência exata. Nunca mais terei de volta minha língua de tanto que preciso percorrê-la. Assim. Cada espaço de pele queimada de sol. Marcas, manchas. Um cheiro tão-cheiro-de-menina invade os fios da mente, do nariz. As roupas (minhas, dela) pelo chão da casa. Felicidade de cabelos longos. Felicidade de cintura miúda. Felicidade: eu amo seus quadris. Vem comigo que o mundo é grande, tão imenso que dói de ver. Nos perderemos nele. Sim. Não. Vou contigo até onde as forças se bastam: poro com poro, pêlo com pêlo. Dentro. Os contrários se encaixam. Tudo é intenso, suficiente, perfeito. Agora, assim. Teus cabelos, tuas dobras. Não me escape, te puxo mais &amp; mais. Uma menininha. Uma cigarra. Uma flor. Tenho medo que entrem, de repente, pela janela, gritando, me acusando de ter feito coisas ruins por aí. Atirando, com cavalos, bombas, metralhadoras, cães. Vão entrar pelo teto e te levar de mim. Não escorregue, caralho, vamos furar o piso do quarto, melhor você ficar de frente, será que é um crime, será que vão me prender depois?, quero abocanhar seus seios, os dois, ao mesmo tempo, não, não é um crime, te morder, ficar dentro de ti, pra sempre, Jesus-Cristo, assim-sim-yeah, não quero que acabe mais nunca, por que você está gemendo tão alto?, esta cara é de prazer ou de dor?, meu-pai-do-céu, eu-não-agüento, quem ensinou esta menina a mexer deste jeito?, puta-que-pariu. [...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-2613773815626112562?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/2613773815626112562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/05/blog-post.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/2613773815626112562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/2613773815626112562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/05/blog-post.html' title=''/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19135905.post-7626514346170019892</id><published>2007-05-12T23:29:00.000-02:00</published><updated>2007-05-12T23:31:37.721-02:00</updated><title type='text'>Lara Joazeiro Gomes</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_SQng3jrIENg/RkZqRDID0RI/AAAAAAAAAAs/e3W7chHYDh8/s1600-h/Lara+sorrindo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5063851672154132754" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_SQng3jrIENg/RkZqRDID0RI/AAAAAAAAAAs/e3W7chHYDh8/s400/Lara+sorrindo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Pra você, um punhado de estrelas&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;e a eterna magia do verbo existir!&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Bem-vinda!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19135905-7626514346170019892?l=allexleilla.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://allexleilla.blogspot.com/feeds/7626514346170019892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/05/lara-joazeiro-gomes.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7626514346170019892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19135905/posts/default/7626514346170019892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://allexleilla.blogspot.com/2007/05/lara-joazeiro-gomes.html' title='Lara Joazeiro Gomes'/><author><name>Állex Leilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17211256435707242102</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-K_tV0Ea-btA/Tl5gxJGaNdI/AAAAAAAAAXQ/i7DWvWakEfo/s220/allexleilla1.jpg.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_SQng3jrIENg/RkZqRDID0RI/AAAAAAAAAAs/e3W7chHYDh8/s72-c/Lara+sorrindo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
